“Ramires, contra a Suécia, jogou pela direita, aberto, como na melhor fase no Chelsea.”

Tostão (Jornal O Tempo)

Não é o que falam. A seleção inglesa, campeã do mundo em 1966, inovou na parte tática. Pela primeira vez, um time jogou no 4-4-2, com duas linhas de quatro e mais dois atacantes. A defesa ficava mais protegida. Cada defensor tinha um secretário.

No Brasil, nesses 46 anos, poucas equipes atuaram dessa forma. Uma delas foi a seleção campeã do mundo de 1994. Agora, começa a ser mais frequente. Foi o que fez Mano Menezes, contra a Suécia, ao escalar dois volantes (Paulinho e Rômulo), mais Ramires, pela direita, e Oscar, pela esquerda, não tão fixo quanto Ramires, formando uma linha de quatro. Os laterais, que costumam avançar muito, ficaram mais protegidos.

O esquema da moda (4-2-3-1), em todo o mundo, nada mais é que o antigo sistema inglês, disfarçado de moderno. Os dois jogadores pelos lados marcam ao lado dos volantes, formando também uma linha de quatro, e, quando recuperam a bola, avançam como pontas.

Após a Copa América, Ramires não havia sido chamado até o jogo de quarta-feira passada. Na função de volante, marcador e organizador, Ramires era confuso e errava passes demais. A maioria pedia sua saída. No Chelsea, melhorou muito quando passou a jogar pela direita, em uma linha de quatro, como fez contra a Suécia e nos dois jogos contra o Barcelona, quando foi decisivo.

Contra a Suécia, Ramires não atuou bem. A diferença é que o Chelsea, especialmente contra o Barcelona, jogou no contra-ataque, do jeito que Ramires gosta, para aproveitar sua velocidade. Como a Suécia ficou muito atrás e tinha um jogador à sua frente, Ramires não tinha espaço para correr. Ele é um desses jogadores que se destaca correndo. Se dominar a bola e parar, torna-se comum.

No dia seguinte ao amistoso com a Suécia, um torcedor, que encontrei em minha caminhada diária, na tentativa de “esticar as canelas” mais tarde, repetiu as mesmas críticas de Casagrande, acompanhado por Galvão Bueno, de que Ramires estava na posição errada, diferente da que joga no Chelsea. Era justamente o contrário. Ele jogou pela direita, aberto, como em seus melhores momentos no time inglês e também no Benfica.

Galvão Bueno e alguns comentaristas deveriam acompanhar mais o futebol internacional. Os erros são frequentes. Galvão Bueno e Falcão, em um jogo do Barcelona, durante uns 30 minutos, até alguém avisar, chamavam o lateral-esquerdo brasileiro Maxwell de Milito, zagueiro argentino.

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PIQUET

Semana passada, Nelson Piquet fez 60 anos. Torci mais para ele do que para Ayrton Senna. “Piquet era mais real que ideal”, escreveu Fábio Seixas, que também gostava mais de Piquet. Em uma entrevista, após parar de correr, Piquet disse que, ao assistir às corridas pela TV, estava impressionado com tantas besteiras que dizia Galvão Bueno.

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ABOBRINHAS

Quando escrevo sobre jogadores, treinadores, times e seleção Brasileira, faço muito mais com o olhar de cidadão do presente, colunista, com a obrigação de ser independente, do que com o olhar de um ex-atleta. O passado me ajuda a entender o presente. Sou exigente, porque o futebol brasileiro tem de estar entre os melhores.

Alguns não entendem. Acham que, por ter sido atleta, deveria ser mais tolerante, corporativista, como alguns ex-jogadores que são comentaristas. Criticam-me ainda por não participar de festas e eventos esportivos, principalmente ligados ao Cruzeiro e à seleção. Afasto-me porque não posso ter nenhum constrangimento em elogiar ou criticar e também porque gosto mais do silêncio, do meu canto e da companhia de pessoas mais próximas.

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