“Polícia só entra na universidade se fizer vestibular”, disse Pedro Calmon, ao barrar a PM em 1968, na Faculdade de Direito.

Carlos Newton

A ocupação da Reitoria da USP mostrou um lado extremamente negativo da juventude de hoje. Ficou demonstrado que não se tratou de um ato político, no sentido de exigir melhores condições de ensino. Também não apresentaram reivindicações ideológicas. O que houve foi mesmo baderna.

Para que as pichações, as portas arrombadas, os móveis destruídos, as câmeras de segurança danificadas? Se não quisessem ser vistos, bastava cobrir as câmeras. E para que os morteiros e coquetéis molotov? Pretendiam reagir incendiando os policiais?

Como se sabe, a baderna começou no final de outubro, quando três estudantes foram detidos depois de flagrados fumando maconha no estacionamento do prédio da História e da Geografia. Depois, os protestos contra a presença da PM no campus e as invasões do prédio administrativo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e da Reitoria tiveram a participação de apenas 700 do quase 50 mil alunos.

O que se viu na USP nada teve a ver com discussões ideológicas ou reforma universitária. É claro que a reitoria da USP errou, ao colocar a PM permanentemente no campus. Acertou ao pedir policiamento quando um estudante foi assassinado no campus, mas depois que a situação serenou, a PM deveria ter sido afastada de lá, com a segurança sendo feita pelao própria universidade, como ocorre em todos os países civilizados.

Como disse em 1968 o célebre reitor da UFRJ, Pedro Calmon, ao barrar os policiais que tentavam invadir a Faculdade Nacional de Direito, no Centro do Rio, “policial só entra na universidade se fizer vestibular”. Sábias palavras, os policiais tiveram de recuar, em pleno regime militar.

No caso da USP, os estudantes não souberam conduzir o protesto e tudo acabou num misto de bagunça e irresponsabilidade, com atos intoleráveis praticados por quem estuda de graça numa grande universidade, enquanto milhões de jovens brasileiros sonham em ter idêntica oportunidade, mas jamais conseguem.

Ao mesmo tempo, é triste constatar o que está ocorrendo na UNE, a outrora histórica representante dos jovens brasileiros. O governo Lula, ingenuamente, repassou R$ 30 milhões à entidade, para que construísse um edifício-sede no terreno da Praia do Flamengo, no Rio. E o que aconteceu? Nada.

Os dirigentes da UNE dizem que os recursos estão sendo gastos em patrocínio de congressos e atividades culturais. Podemos fazer uma idéia do que esteja acontecendo. O governo jamais deveria ter repassado esse dinheiro. Teria sido muito melhor se tivesse assumido a construção do prédio. Mas agora não tem mais saída, e os estudantes estão cobrando o restante do dinheiro que Lula prometeu, ou seja, mais R$ 12 milhões.

Desse jeito, com, esse tipo de liderança jovem, aonde este país irá chegar?

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