Apoio à Síria dá à Rússia status de “superpotência diplomática”

Deu no Sputnik News

Em artigo recente para o portal israelense de notícias Walla!, o jornalista Amit Leventhal afirmou que os movimentos da Rússia para garantir assistência à Síria em sua guerra contra o terrorismo jihadista, ante a hesitação do ‘ocidente’, estão efetivamente convertendo a Rússia na “super potência diplomática” com que o “presidente Putin sempre sonhou”.

O jornalista entende que o presidente russo tem, efetivamente, muito a celebrar, no momento em que “vai sendo gradualmente atingido o objetivo de Putin, de devolver a Rússia ao status de superpotência, capaz de influenciar ativamente a arena internacional.” Levanthal observa que, em grande medida, isso tem a ver com o ininterrupto apoio que Moscou sempre garantiu ao governo sírio, inclusive com provisão de armamento avançado ao exército da Síria, bem como pela expansão da presença militar russa na área, agora que já foi construída a grande base aérea de Latakia.

MOMENTO PERFEITO

Para Leventhal, “de um ponto de vista tático, Putin escolheu o momento perfeito”, nas atuais circunstâncias quando “a Rússia posiciona-se a favor do exército de Assad”, num momento em que estaria “enfrentando aumento no número de baixas e perdendo território”.

Essa ideia é altamente discutível. A verdade é que o Exército Árabe Sírio não perdeu o controle sobre os territórios em que vivem 80% da população da Síria, mesmo depois de cinco anos de guerra brutal contra ampla coalizão de inimigos radicais das mais diferentes origens, dentre os quais os grupos terroristas Frente al-Nusra e ISIL apoiados por Turquia e Arábia Saudita. Mas a ideia seguinte do jornalista, sobre o significado estratégico do timing definido pelos russos, sim, faz sentido.

Leventhal observa que “de um ponto de vista estratégico, o momento [de a Rússia assumir plenamente o apoio aos sírios] é também muito bem escolhido, às vésperas da 70ª Assembleia Geral da ONU. No final do corrente mês de setembro, chefes de estado de todo o mundo estarão reunidos em New York. Na agenda da Assembleia estarão as guerras no Oriente Médio e a crise de migrantes do Oriente Médio e África que aquelas guerras geraram.”

PALANQUE DA ONU

“Ao se apresentar para falar do palanque da ONU, dia 28 de setembro, depois de 10 anos de ausência, o presidente Vladimir Putin não chegará de mãos vazias” – escreveu Leventhal. – “Putin apresentará sua proposta para resolver a crise na Síria, inclusive propostas para início do diálogo entre Assad e a chamada ‘oposição saudável’, vale dizer, o Exército Árabe Sírio e a oposição realmente moderada. O presidente da Rússia proporá que se constitua uma coalizão para lutar contra o Estado Islâmico, mas sob o formato que efetivamente interessa à Rússia.”

Nessa linha, segundo o jornalista, o apoio de Moscou à Síria no momento que o país vive, converteu a Rússia “em fator diplomático que a ONU não poderá deixar de levar em conta. Difícil imaginar sucesso mais completo para o presidente Putin, ter feito de seu país iniciador de importante processo de paz na arena internacional.”

“Lenta mas segura e persistentemente, Putin está usando a confusão que reina no Ocidente e as aspirações imperiais isolacionistas dos EUA, depois do trauma que os norte-americanos sofreram na ocupação do Afeganistão e do Iraque, para fortalecer a posição russa” – escreveu Leventhal. (…) E acrescenta que “Putin foi muito bem-sucedido no movimento para preencher o vácuo deixado pelos EUA, e a Rússia está podendo influenciar todos os países que os EUA abandonaram totalmente ou em parte.”

COM O EGITO

O jornalista comenta as relações de aproximação entre os russos e o governo egípcio de Abdel Fattah el-Sisi, o qual, na opinião de Leventhal, “já é aliado de Moscou”. Leventhal recorda que “a Rússia está fornecendo armas ao exército egípcio, está ajudando o país na luta contra grupos jihadistas terroristas, e está promovendo um projeto para construir a primeira usina nuclear do Egito.

Leventhal observa que em seus esforços para “ganhar influência no Oriente Médio e em todo o mundo”, a Rússia também desenvolveu “contatos ativos nos estados do Golfo Árabe”, inclusive com Arábia Saudita, na esperança de persuadir aqueles estados a aceitarem a iniciativa de Moscou para a Síria. Recentemente, líderes de vários países do Oriente Médio estiveram em visita à Rússia, dentre os quais o rei da Jordânia Abdullah II, um dos principais aliados dos EUA. Abdullah II reconheceu a importância da Rússia, observando que o conflito sírio tem de ser resolvido, e que a Rússia desempenha papel crucialmente importante ao coordenar as forças da oposição síria e levá-las a um diálogo para resolver a crise.”

RESISTÊNCIAS

Observando que alguns atores no Oriente Médio, como Arábia Saudita e Israel, ainda resistem às propostas russas, o jornalista israelense sugere que “é preciso tempo para persuadir, sobretudo quando se trata de persuadir aliados dos EUA.” Leventhal citou comentário recente do ministro saudita de Relações Exteriores, que disse que Riad não veria lugar para Assad no futuro da Síria; além dele, o jornalista considera pouco provável que o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu venha a aceitar a posição russa para a Síria; Netanyahu e Putin encontrar-se-ão na próxima semana.

 

Seguindo a mesma linha de reflexão, Leventhal recorda que “semana passada Putin explicou que, sem a assistência dos russos, a situação na Síria seria muito pior, que o país correria risco real de cair em mãos do ISIL, que a Europa teria de lidar com número ainda maior de refugiados, e que a situação seria pior, até, do que se vê hoje na Líbia.

ESTADO ISLÂMICO

Nikolai Kozhanov, que foi adido militar da Rússia em Teerã, falou à CNN sobre a estratégia da Rússia. Explicou que, embora a Rússia não vá lutar por Assad, Moscou entende que o governo sírio está desempenhando papel chave na luta contra o Estado Islâmico, e que, exceto os exércitos de Assad, não há na região real alternativa de força capaz” para fazer o serviço.

Citando serviços ocidentais de inteligência, o jornalista enfatizou que “a Rússia não cogita de vencer a guerra de Assad, por ele; nem cogita de ajudá-lo a sustentar-se nos territórios que controla. Kozhanov observou que a Rússia não vai enviar tropas para conquistar a Síria, conhecendo bem os resultados da invasão dos EUA ao Iraque.”

Leventhal lembrou que a desestabilização da Síria, processo que está ainda em curso, é repetição de eventos já conhecidos no Iraque e na Líbia. Diante desses exemplos, deve-se, sim, temer que sobrevenham o caos e a desintegração do estado também na Síria, se Assad, como Hussein no Iraque e Gaddafi na Líbia, forem derrubados por golpe, em ataque para ‘mudança de regime”.

 

ASSAD É SOLUÇÃO

Na avaliação do jornalista israelense, “a ação proativa de Putin ensinou excelente lição aos EUA e aliados – que só faziam repetir que ‘Assad tem de sair’ e acusar o presidente sírio de governar como ditador e de ter provocado o surgimento do ISIL. Na avaliação dos russos, o evento que semeou o caos na região foi a invasão dos EUA contra o Iraque, que fez explodir o ritmo de crescimento de grupos extremistas. Para os russos, Assad não é a fonte do problema, mas a chave para resolvê-lo.”

Em resumo, na visão de Levanthal, o Ocidente está sendo derrotado na Síria, porque escolheu fazer diplomacia negativa. Por um lado, o Ocidente foge do confronto direto contra o Estado islâmico. Por outro lado, ‘exige’ a derrubada de Assad. Mas… e onde estão as sugestões positivas?! Quem governaria a Síria e como governaria?

Os EUA adotaram um programa de mobilizar e armar rebeldes sírios, mas só conseguiram atrair um poucos interessados. O dito Exército Sírio Livre também já está muito enfraquecido. E a terceira força depois do ISIL e do Exército Árabe Sírio, são os grupos jihadistas, inclusive a ‘sucursal’ da Al-Qaeda na Síria, a Frente al-Nusra.”

Com esses fatos em mente, e “no contexto da crise dos refugiados que cerca a Europa, a Rússia está, sim, em condições para pressionar o Ocidente para que reoriente suas posições – não só na Síria, mas também em outras questões – na Ucrânia, por exemplo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMuito importante o artigo enviado pelo comentarista Sergio Caldieri. Mostra a realidade da situação da Síria e os erros que vêm sendo cometidos pelos EUA e seus aliados, enquanto a Rússia colhe excelentes frutos diplomáticos. (C.N.)

 

12 thoughts on “Apoio à Síria dá à Rússia status de “superpotência diplomática”

  1. CN

    Saiu hoje no: http://www.almanar.com.lb/spanish

    Três navios de guerra chineses cruzar o Canal de Suez em direção a costa síria
    Fontes de mídia têm citado que a Suez Canal Authority autorizou a passagem pelo Canal do Mediterrâneo três navios de guerra chineses. Os barcos cabeça para a costa síria.

    As fontes disseram que “dois destróieres e uma fragata da Marinha chinesa entrou no Canal de Suez desde o Mar Vermelho a caminho da costa síria.”

    Barcos, dois destróieres e uma fragata 4.000 toneladas 11.000 atravessou o canal em meio a forte esquema de segurança, acrescentam.

    As medidas de segurança consistia em parar o trabalho dos ferries que os veículos de transporte e de pessoas entre as duas margens do canal e veículos que passam sobre uma ponte sobre o canal e uma rota terrestre que corre paralela ao canal.

    O Canal de Suez permitiu a passagem destes navios após a aprovação do Ministério da Defesa egípcio.

    Estes barcos realizado manobras ao largo da costa da Síria, de acordo com a imprensa chinesa.

    Esta semana, fontes libanesas disseram à agência de notícias italiana AKI que a China poderia seguir a linha de armas russas e militar e enviado para a Síria, a fim de lutar contra o terrorismo no país, que Pequim considera como uma ameaça à segurança internacional.

  2. Vamos ouvir o outro lado, para fazermos um melhor juízo da questão. Embora a Guerra Fria tenha acabado, permanece uma rivalidade geo-política entre EUA e Rússia, o que provoca uma campanha mediática de informação e contra-informação, muitas vezes mentirosa. No caso do artigo em tela, lemos a versão de Israel e dos EUA para o papel desempenhado pela Rússia na Síria. Mas o que dizem os próprios russos ? Após a derrocada do Comunismo, o jornal oficial do antigo Partido Comunista da União Soviética, o PRAVDA, foi privatizado. Mas os jornalistas do Pravda, que tem também uma edição em português, estão alinhados com o pensamento de Putin, e divulgam a versão do governo Russo, que é a seguinte:

    Rússia assumiu a liderança no apoio à Síria esse verão, iniciando ativamente seus esforços para levar uma solução diplomática à crise naquele país e, afinal, organizar uma coalizão ampla anti-ISIL.
    Rússia assumiu a liderança no apoio à Síria esse verão, iniciando ativamente seus esforços para levar uma solução diplomática à crise naquele país e, afinal, organizar uma coalizão ampla anti-ISIL. A rapidez que se observa nos movimentos dos russos tem a ver, em grande medida, ao espectro crescente de uma invasão de forças conjuntas de EUA-Turquia que pesa ameaçadoramente sobre o Oriente Médio. Perturbados (i) pelos sucessos que a Rússia tem tido nos contatos com tradicionais aliados dos EUA no Oriente Médio; e (ii) pela potência do Exército Árabe Sírio nas ações de enfrentamento contra recentes tentativas de massacre que a Síria tem enfrentado, os EUA ordenaram à sua imprensa-empresa de serviços que iniciasse intensa guerra de informação contra a Síria, na esperança de conseguirem (i) quebrar a resistência dos sírios; e (ii) complicar o quadro onde se aplicam os esforços russos para ajudar os sírios…

    …O elemento seguinte na guerra de informação contra a Síria foi artigo publicado num veículo obscuro de informação israelense, Ynet sobre uma possível intervenção russa por solo contra o ISIL, que estaria sendo preparada. Postado no Twitter pela frente terrorista Al Nusra fez aumentar ainda mais o frenesi, que é absolutamente ridículo por pelo menos duas razões: (1) terroristas apoiados por Israel jamais foram ou serão fonte confiável de informação; e (2) a Rússia há anos fornece abertamente equipamento militar à Síria e nunca manifestou qualquer interesse em oculta tal fato.
    Apesar da informação flagrantemente falsa do jornalismo produzido por Ynet e a Frente al-Nusra, toda a imprensa-empresa ocidental entraram em frenesi, e o sensacionalismo rapidamente ascendeu até o secretário de Estado – com Kerry dando-se o trabalho de, até, telefonar a Lavrov sobre o assunto.

    Falar aos grandes públicos:

    Esse episódio da guerra de informações foi concebido para desencaminhar o ‘jornalismo’ e criar algo a oferecer à imprensa-empresa para mantê-la desatenta durante uma semana, enquanto se organizam ações muito mais importantes. A intervenção inexistente, tornada ‘factual’ pela imprensa-empresa ocidental dominante foi orientada simultaneamente para os públicos sauditas, russos e sírios.

    Como os comentaristas da TI poderão notar, há versões diferentes para o papel tanto da Rússia quanto dos EUA na insurgência síria contra Assad. Por trás de tudo isso há poderosos interesses econômicos, que o Pravda lista numa extensa reportagem. Ninguém é santo neste conflito e é preciso pesar muito para se ter um melhor juízo sobre o assunto. Os que estiverem interessados em ler toda a reportagem do Pravda podem buscar no Google “Pravda.ru em português”.

  3. Ricardo,

    Fiz uma leitura genérica deste jornal libanês. Ele tem um posição pró-Rússia, se entendi bem, também pró-Iran e de certo modo anti-Israel. Me pareceu um jornal de esquerda, mais alinhado com a esquerda do que o próprio Pravda. Mas o excesso de esquerdismo pode fazer um jornal errar. Ele diz que a oposição no Brasil é a “direita”, deixando entender que o PT é a “esquerda”, com o que eu não posso concordar. O PT nunca foi de esquerda, como tenho escrito ad nauseam aqui. E na oposição há o PPS, que é verdadeiramente de esquerda. Veja aí a notícia que o jornal libanês produziu:

    Oposición derechista brasileña quiere procesar a Rousseff

    El líder de la Cámara de Diputados de Brasil, Eduardo Cunha, anunciará el miércoles su decisión en relación a las peticiones de la oposición derechista para someter a un juicio político a la presidenta brasileña, Dilma Rousseff.

    “Mantuve varias reuniones con consultores sobre este tema y la idea es realizar un pronunciamiento sobre las propuestas presentadas por bloques opositores”, resaltó Cunha la vísp

    Mas, apesar disso, é um jornal bem fundamentado e merece ser lido para conhecermos outras opiniões, no caso da esquerda libanesa. Agradeço por me repassar o link. Vou utilizá-lo.

    • Prezado Ednei Freitas,
      Não concordo com as afirmações que o PT não é um partido de esquerda, como volta e meia leio na Tribuna e em alguns jornais, e constantemente registrado em teus comentários.
      Igualmente discordo que também Lula não pertence a esta tendência política porque criado por Golbery, uma espécie de agente infiltrado que, uma vez eleito presidente do Brasil, seguiria com o mesmo sistema que nos explora há décadas.
      Haveria a necessidade de se combinar esta falsa posição de esquerda e Lula de ter sido um líder brasileiro e pelo menos latino-americano neste sentido com muita gente, inviabilizando a sua intenção e objetivos de uma direita radical, convenhamos, a começar com a atuação do ex-presidente no Foro de São Paulo, a sua política externa quando no governo do Brasil, e perdão das dívidas de países que se alinham com a ideologia abraçada pelo ex-metalúrgico, afora ser bem recebido na Venezuela, Cuba, Bolívia, que presenteou Morales com refinarias da Petrobrás, e um comportamento característico da esquerda mundial, apátrida, traidora de seu país e povo.
      Algumas teses são demasiadamente forçadas para que não recaia sobre a esquerda cantada em prosa e verso, os crimes cometidos por ela e seus partidários, então, habilmente tenta culpar forças estranhas ao movimento, entretanto, não os expulsa, não os critica, não os expõe à execração dos esquerdistas, e pelo simples fato que tais personagens são ainda úteis à causa, razão pela qual justifica a corrupção e desonestidade de seus membros e simpatizantes, demonstrações inequívocas de cinismo e hipocrisia de um modo de se viver à margem da lei, de não se ter compromissos com o país e povo, apenas com o partido e seus membros.
      Pois Lula e o PT são modelos de uma esquerda que reputo como radical, tendo em vista que abandonou a filosofia socialista e comunista para adotar um modo de agir com objetivos definidos e determinados de poder e, para que tal intenção se concretizasse, a necessidade de dinheiro e da maneira como fosse obtido, desde honesto quanto desonestamente.
      Definitivamente Lula não é de direita ou não teria praticado uma das políticas externas mais prejudiciais ao Brasil, e não teria permitido tantas concessões a Cuba, Venezuela, Argentina, Bolívia, alguns países africanos, e de se ter aproximado com a Rússia, China, Índia e África do Sul, que jamais compensariam o mercado americano e europeu com as nossas exportações, confirmando que a nossa situação econômica se agrava porque estamos nas mãos dos chineses, que se tornaram o nosso maior parceiro comercial e hoje se encontram em crise.
      Lula não é um homem de direita, muito menos o PT, pois se este movimento sempre usou o povo para seu enriquecimento, a verdade é que jamais foi idiota, estúpida, pois tinha consigo visão comercial e sabia até onde a corda podia ser retesada, ou seja, limites que o povo poderia suportar e, definitivamente, os testes não seriam feitos com esta carga tributária irreal e um Congresso corrupto e desonesto.
      O mundo está repleto de nações governados pela direita que estão muito bem, inclusive suas populações, mas me mostrem algum país de esquerda que esteja econômica e financeiramente confortável, por favor.
      Lula e PT são de esquerda, e se mantém no poder porque alimentam o sistema bancário de maneira muito mais pródiga que a direita praticaria, pois esta não tem apenas nos bancos os seus interesses, haja vista ela os distribuir à indústria, comércio, aos bancos também, à agricultura, ao comercio exterior lucrativo e, de alguma maneira, oportunidades para aqueles que desejam progredir, estudar, trabalhar, em face da necessidade de mão de obra qualificada.
      De que nos adianta este governo de esquerda, que repete os mesmos erros e crimes praticados em outras nações e que foram responsáveis pela miséria e genocídio de milhões?
      O que nos aguarda, se Dilma vier a ser impedida?
      Que os sectários petistas, partidários, simpatizantes, o exército de Stédile, se contentarão com este decisão ou, por acaso, não se insurgirão e pouco lhes importam se matarão milhares de brasileiros, seus compatriotas e irmãos, em comportamento idêntico a Fidel Castro e DEPOIS de ter banido Fulgêncio Batista, aliás, medida correta, menos ter dado sequência à matança de cubanos que discordavam de seus métodos, Pol Pot, Mao, Stalin, o romeno assassino Nicolae Ceausescu …
      É este Brasil que nos aguarda com Lula e Dilma se continuarem no poder, uma esquerda odiosa, rancorosa, invejosa, incompetente, corrupta, desonesta e assassina!

      • Prezado Sr. Francisco Bendl,

        Agradeço a oportunidade que o senhor me dá para mostrar que Lula jamais foi um homem de esquerda. O senhor mesmo, em sua contestação, fala que: “Lula e o PT são modelos de uma esquerda radical, tendo em vista que abandonou a filosofia socialista e comunista para adotar um mode de agir com objetivos determinados de poder…” Esquerda que não é socialista nem comunista ? O senhor está introduzindo uma novidade impossível. Mas, vá lá: Embora eu afirme que Lula nunca foi adepto da filosofia socialista, muito pelo contrário, isto deixa de ter importância em nossa discussão atual. Volto às suas palavras: Ora, se Lula “abandonou a filosofia socialista e comunista”, que esquerda é essa à que Lula pertence ?

        Não há esquerda que não seja socialista, embora nem toda a esquerda seja comunista, como não o é o PPS. Ao afirmar que Lula abandonou a filosofia socialista e comunista, por definição o senhor exclui taxativamente a possibilidade de Lula representar a esquerda.

        Por outro lado, onde identificar governança de esquerda no longo governo Lula ? Seu governo não foi para implantar a reforma agrária, não foi para auditar nossa dívida interna, não foi para investir em saúde e educação. Lula governou para enriquecer mais os banqueiros. Não taxou os bancos nem as grandes fortunas. Roubou desmesuradamente (mesmo a esquerda desmoralizada de Stalin, Pol Pot, que foram genocidas, nunca foram acusadas de ser ladrões) Tinha reuniões periódicas com Abílio Diniz, o Príncipe dos supermercados e com os industriais da FIESP, a poderosa FIESP. Tinha em sua retaguarda, desde o tempo da ditadura militar, seu confidente e amigo Antonio Delfim Netto. Foi colocado na política pelo general Golbery para contrapor-se a Leonel Brizola. Fez um governo populista de direita, a ponto de Olavo Setubal, presidente do Banco Itau ter declarado para os jornais que “Lula é a esquerda que a direita gosta”.

        Agora, é preciso não confundir socialismo com comunismo. O socialismo é aquilo que está fazendo o Partido Siryza, na Grécia, com o Premier Tsipras reeleito para seu mandato parlamentar e tornando-se novamente Primeiro-Ministro. Socialismo Republicano e Democrático no Parlamentarismo.

        Quanto a Lula ter intermediado, com empréstimos a juros baixos e inusuais do BNDES, o Porto de Mariel em Cuba, com a Odebrecht, ele o fez para ganhar propina.

        Há também uma enorme diferença entre o MST e o “exército de Stédile” com relação às Ligas Camponesas, comandadas por Francisco Julião no início dos anos 1960 e com o apoio do Governador Miguel Arraes. As Ligas Camponesad eram de matiz socialista. O MST não tem ideologia definida. São arruaceiros. Os socialistas das Ligas Camponesas não faziam arruaça, não invadiam o INCRA e outras repartições públicas, não destruíam plantações de fazendeiros,não promoviam quebra-quebra. Queriam a Reforma Agrária prometida por Jango.

        Mais ainda: não há esquerda que governe para alimentar o sistema bancário, como fez Lula. O sistema bancário é útil, mas tem de ser monitorado pelo Banco Central, para evitar excessos dos agiotas. Juros de cartão de crédito acima de 400% ao ano no socialismo ? Nunc\ ! Tais bancos seriam punidos, ou extintos. Aliás, não precisamos de bancos privados porque temos dois eficientes bancos públicos, o Banco do Brasil e a Caixa.

        Lula foi um apoiador de Chávez, na Venezuela, e agora apóia Maduro. Mas Cháves foi um coronel golpista e tomou o governo por golpe de estado e nunca falou em instituir o socialismo na Venezuela (muito menos o comunismo). Instalou o “bolivarianismo”, que é apenas uma retórica para implantar uma ditadura populista, que está dando com os burros n’água. Lula também desejava implantar uma ditadura populista no Brasil, com o PT governando para sempre. O Mensalão e o Petrolão livraram-nos deste pesadelo.

        Mas chamar Chávez, Maduro, Evo Morales, Rafael Correa de socialistas ou comunistas é um erro crasso. Apenas Lula queria ser como Chávez, Evo e Correa. São todos “bolivarianistas”.

        Lula já deu diversas declarações à imprensa de que não era comunista ou socialista. Note que Chávez, Maduro, Evo, Correa e Lula, apesar da aproximação com Cuba, jamais se declararam socialistas . Dizem-se “bolivarianos” o que, rigorosamente, por não ter uma teoria, não quer dizer absolutamente nada.

        A participação de Lula e do PT no Foro de São Paulo (do qual o PPS se afastou logo no primeiro mês) assenta-se no interesse de Lula ser cópia fiel e ter apoio de Chávez, Evo e Correa para implantar uma clepto-ditadura no Brasil.

        Lula levou a Odebrecht para fazer obras na África, principalmente em Angola, cujo governo do ditador José Eduardo dos Santos, que preside Angola desde a independência de Portugal, do MPLA, é, talvez, o governo mais corrupto do mundo. JES possui fortuna de muitos bilhões de Euros em bancos internacionais, e sua filha mais velha está tão rica que já entrou na Revista Forbes. Ela é dona de quase tudo em Angola. Lógico que Lula, num país tão corrupto, ganhou uma gorda propina.

        Então, não se sustenta a sua afirmação de que “Lula e o PT são de esquerda”.

        O senhor fala dos comunistas assassinos do passado: Fidel Castro, Pol Pot, Mao, Stalin, Nicolae Ceausescu. Todos, exceto Fidel Castro, já caíram em desgraça em seus países de origem e sofrem o merecido desprezo da população.

        Embora involuntariamente, o senhor ao rotular Lula e o PT como ‘esquerda”, agride a autêntica esquerda brasileira que está praticamente restrita ao PPS. O comunismo morreu ! Só falta ainda enterrar Fidel Castro. A China é comunista só de nome, mas pratica a economia de mercado, tem várias empresas privadas e estrangeiras em seu território, e hoje sua bolsa de valores é um termômetro para as economias capitalistas, inclusive o Brasil.

        O comunismo já morreu. O que há no mundo, na esquerda, são partidos socialistas, socialismo democrático, como o PPS, o Syriza que pugnam por democracia, pelo Parlamentarismo e têm plataformas de governo para seus países, diferentes dos projetos da direita, esta sim, normalmente apátrida, entreguista e subserviente aos interesses do grande capital, dos banqueiros e dos Estados Unidos da América. Com a direita, jamais sairemos (como não saímos após mais de um século de governos de direita) do sub-desenvolvimento.

        A seguir, vou colar uma reportagem da Carta Capital, que explica o que é o bolivarianismo:

        Você sabe o que é o bolivarianismo?

        A palavra da moda no Brasil é usada por muita gente que não faz ideia de seu significado. Entenda o que é bolivarianismo e por que ele nada tem a ver com “ditadura comunista”

        Após ser apropriado pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, o termo originado do sobrenome do libertador Simón Bolívar aterrissou no debate político brasileiro. São frequentes as acusações de políticos de oposição e da mídia contra o governo federal petista. Lula e Dilma estariam “transformando o Brasil em uma Venezuela”. Mas o que é o tal bolivarianismo de que tanto falam? É um palavrão? O Brasil é uma Venezuela? Bolivarismo é sinônimo de ditadura comunista? Antes de sair por aí repetindo definições equivocadas, leia as respostas abaixo:

        O que é bolivarianismo?

        O termo provém do nome do general venezuelano do século 19 Simón Bolívar, que liderou os movimentos de independência da Venezuela, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Bolívia. Convencionou-se, no entanto, chamar de bolivarianos os governos de esquerda na América Latina que questionam o neoliberalismo e o Consenso de Washington (doutrina macroeconômica ditada por economistas do FMI e do Banco Mundial).

        Bolivarianismo e ditadura comunista são a mesma coisa?

        Não. Mesmo considerando a interpretação que Chávez deu ao termo, o que convencionou-se chamar bolivarianismo está muito longe de ser uma ditadura comunista. As realidades de países que se dizem bolivarianos, como Venezuela, Bolívia e Equador, são bem diferentes da Rússia sob o comando de Stalin ou mesmo da Romênia sob o regime de Nicolau Ceausescu. Neles, os meios de produção estavam nas mãos do Estado, não havia liberdade política ou pluralidade partidária e era inaceitável pensar diferentemente da ideologia dominante do governo. Aqueles que o faziam eram punidos ou exilados, como os que eram enviados para o gulag soviético, campo de trabalho forçado símbolo da repressão ditatorial da Rússia. Na Venezuela, por exemplo, nada disso acontece. A oposição tem figuras conhecidas como Henrique Capriles, Leopoldo López e Maria Corina Machado. Cenário semelhante ocorre na Bolívia, no Equador e também no Brasil, onde há total liberdade de expressão, de imprensa e de oposição ao governo.

        Foi Chávez quem inventou o bolivarianismo?

        Não. O que o então presidente venezuelano Hugo Chávez fez foi declarar seu país uma “república bolivariana”. A mesma retórica foi utilizada pelos presidentes Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia). A associação entre bolivarianismo e socialismo, no entanto, é questionável segundo a própria biógrafa de Bolívar, a jornalista peruana Marie Arana, editora literária do jornal americano The Washington Post. De acordo com ela, esse “bolivarianismo” instituído por Chávez na Venezuela foi inspirado nos ideais de Bolívar, tais como o combate a injustiças e a defesa do esclarecimento popular e da liberdade. Mas, segundo a biógrafa, a apropriação de seu nome por Chávez e outros mandatários latinos é inapropriada e errada historicamente: “Ele não era socialista de forma alguma. Em certos momentos, foi um ditador de direita”.

        O que se tornou o bolivarianismo na Venezuela?

        Quando assumiu a Presidência da República em 1999, Chávez declarou-se seguidor das ideias de Bolívar. Em seu governo uma assembleia alterou a Constituição da Venezuela de 1961 para a chamada Constituição Bolivariana de 1999. O nome do país também mudou: era Estado Venezuelano e tornou-se República Bolivariana da Venezuela. Foram criadas ainda instituições de ensino com o adjetivo, como as escolas bolivarianas e a Universidade Bolivariana da Venezuela.

        Mas esse regime que Chávez chamava de bolivarianismo era comunista?

        Não, apesar de o ex-presidente venezuelano ter usado o termo “Revolução Bolivariana” para referir-se ao seu governo. A ideia era promover mudanças políticas, econômicas e sociais como a universalização à educação e à saúde, além de medidas de caráter econômico, como a nacionalização de indústrias ou serviços. Chávez falava em “socialismo do século XXI”, mas o governo venezuelano continua permitindo a entrada de capital estrangeiro no País, assim como a parceria com empresas privadas nacionais e estrangeiras. Empreiteiras brasileiras, chinesas e bielo-russas, por exemplo, constroem moradias para o maior programa habitacional do país, o Gran Misión Vivienda Venezuela, inspirado no brasileiro Minha Casa Minha Vida.

        O Brasil “virou uma Venezuela”?

        Esta afirmação não faz sentido. O Brasil é parceiro econômico e estratégico da Venezuela, mas as diretrizes do governo Dilma e do governo de Nicolás Maduro são bastante distintas, tanto na retórica quanto na prática.

        Os conselhos populares são bolivarianos?

        Não, e aqui o engano vai além do uso equivocado do adjetivo. Parte da Política Nacional de Participação Social, os conselhos populares seriam a base de um complexo sistema de participação social, com a finalidade de aprofundar o debate sobre políticas públicas com representantes da sociedade civil. Ao contrário do alegado por opositores, os conselhos de participação popular não são uma afronta à democracia representativa. Conforme observou o ex-ministro e fundador do PSDB Luiz Carlos Bresser-Pereira, os conselhos estabeleceriam “um mecanismo mais formal por meio do qual o governo poderá ouvir melhor as demandas e propostas [da população]”.

        Espero que esta minha resposta tenha levado ao senhor alguma luz.

        Fraternalmente,

        Ednei Freitas

        • Prezado Ednei Freitas,
          Lamento afirmar, mas a luz que me enviaste é bruxuleante, trêmula, que nada se enxerga nitidamente.
          Quando escrevi que Lula pratica uma esquerda radical, nem socialista nem comunista, eu quis dar a entender que o ex-presidente e PT haviam criado um sistema próprio, cuja intenção precípua seria assaltar o País de todas as maneiras possíveis e imagináveis para se eternizar no poder.
          Por outro lado, o socialismo não é privilégio da esquerda, que jamais o utilizou conforme suas regras e objetivos, muito pelo contrário, o socialismo de esquerda sempre foi usado para nivelar o ser humano por baixo, sem lhe dar chances de desenvolvimento, criatividade, liberdade, direitos inalienáveis, diferentemente da social-democracia praticada em alguns países europeus que, diga-se de passagem, são os mais evoluídos do planeta, e não são governados pela esquerda.
          Lula é uma pessoa de esquerda, assim como o seu partido, porém emprega um socialismo absolutamente adulterado, pois tenta nivelar a sociedade através de impostos escorchantes, juros extorsivos, carga tributária insuportável à indústria e comércio, à prestação de serviços, empobrecendo a classe média desta forma e, assim, diminuindo a distância entre esta e as menos favorecidas, que continuam na mesma situação quando Lula assumiu a presidência, dependendo da caridade alheia, apesar de não mais morrer de fome como antes, sinal de que este avanço poderia se constituir em um belo programa social, caso trouxesse consigo a contrapartida, que também já escrevi à exaustão a respeito.
          No entanto, o Bolsa Família se constituiu em cooptação de votos, uma reserva eleitoral mantida à base de alimentos e trocados para mais de 30 milhões de brasileiros, que no dia que tal auxílio sofrer qualquer interrupção – e o Brasil se encaminha para não ter dinheiro para esses dependentes -, este povo volta a lutar por comida.
          Lula não pode ser de direita pelos motivos que mencionei acima, independente de ter sido na sua administração e de sua criatura, a presidente Dilma, a era de ganhos fantásticos do sistema financeiro, uma espécie de acordo para que o dinheiro não retirasse o PT do poder, entretanto, esta aliança tende a se dissipar diante do caos econômico que nos encontramos, e a cada dia aumentando o número de inadimplentes, condição que os bancos simplesmente detestam e partem para novos arranjos políticos.
          Acontece que a esquerda denominada de clássica, a utópica, a delirante, não admite que o PT use a sua denominação, de esquerda, pelo fato de ter sido simplesmente arrasada pelo Lula e petistas pelos roubos praticados, pela corrupção e desonestidade nunca antes vista desde a Proclamação da República, imoralidade e falta de ética como característica absoluta do PT e partidários.
          A esquerda que tu defendes, Ednei – e, por favor, para de me chamar de senhor -, que seria a socialista, a teórica, pois jamais a esquerda colocou em prática o socialismo cantado em prosa e verso, esta NÃO EXISTE, diante da impossibilidade de se implantar este sistema que não traga consigo o totalitarismo, a democracia negada, e o Estado explorando mais ainda o cidadão, de certa forma o que faz o PT através dos impostos, exploração do povo e assaltando os cofres da nação, nada diferente daquilo que fizeram os personagens que se intitulavam de socialistas e/ou comunistas registrados pela História!
          Acontece que o povo brasileiro começa a repudiar a esquerda, e é este receio que os partidos que se identificam com esta tendência política temem com a aproximação das eleições, ainda mais com as passeatas e protestos pedindo até mesmo intervenção militar, a ultra direita, que a maioria do povo não quer e, sim, o impedimento de Dilma e novas eleições, a manutenção da democracia sob todos os aspectos.
          Quer aceites ou não a queda vertiginosa junto à população da política de esquerda, a verdade é que Lula e o seu PT, eleitos porque assim se identificaram ao eleitorado, demonstraram outra faceta desta tendência, de trair o povo e País, de dar muito mais valor ao partidarismo, de endeusar seus dirigentes, a ponto de ser confundido o PT com seita religiosa pelo radicalismo de seus sectários.
          Lamento, Ednei, mas o teu PPS terá grandes dificuldades nas próximas eleições, pois como tu mesmo disseste,
          “Embora involuntariamente, o senhor ao rotular Lula e o PT como ‘esquerda”, agride a autêntica esquerda brasileira que está praticamente restrita ao PPS.”
          Eu mudaria um pouco esta tua afirmação para escrever que os partidos de esquerda é que têm agredido a sociedade brasileira com suas mentiras, ilusões, devaneios pois, quando no poder, tornam-se sinônimos de incompetência, corrupção, desonestidade, imoralidade e falta de ética.
          E, digo mais, o teu partido, o PPS, não representa esta esquerda que registras, e no próximo comentário demonstrarei o que afirmo.
          Um abraço, Ednei Freitas, e sempre muito obrigado pelo debate respeitoso, que me agrada sobremaneira, haja vista ser a forma mais adequada de nos esclarecermos, e de retificar ou ratificar nossos pensamentos a respeito da política brasileira, deletéria, injusta, fisiológica e absolutamente inconfiável!

          • Prezado Bendl,

            Não é possível para mim concordar que Lula seja de uma esquerda, ainda mais radical, que não é socialista nem comunista. Vou levar um tempo para pensar a respeito. Meus pontos de vista são sujeitos a mudança, e esta se dá nos debates. Mas continuo achando que por falta de informação adequada, você esteja sendo injusto com o PPS quando diz: “A esquerda que tu defendes, Ednei – e, por favor, para de me chamar de senhor -, que seria a socialista, a teórica, pois jamais a esquerda colocou em prática o socialismo cantado em prosa e verso, esta NÃO EXISTE, diante da impossibilidade de se implantar este sistema que não traga consigo o totalitarismo, a democracia negada, e o Estado explorando mais ainda o cidadão.”

            Vou, então, lhe apresentar um documento do PPS, um tanto longo mas preciso e que, entre outras coisas critica o autoritarismo de Lula e sua busca por uma ditadura do PT, e a crítica é feita de maneira sutil e educada. Vou ressaltar dois trechos do documento, onde você pode notar que o PPS está falando de Lula:

            “Não é difícil identificar alguns arquétipos do totalitarismo: objetivo de envolvimento da totalidade da população e do desejo de manipulá-la com a ajuda de um partido e organizações de massa a ele submetidas. Estado de partido único com monopólio decisório e elite política; polícia política; monopólio da imprensa e a manipulação da mídia; ideologia de dominação social de amplo alcance; culto à personalidade (de Lula); criação do inimigo a combater e do amigo a apoiar; exclusão, discriminação ou eliminação de minorias; consolidação do poder em monopólio ilimitado; a fabricação do consentimento. O populismo, na sua feição latino-americana, é uma variante desarmada, filho dileto do viés autoritário, lobo em pele de cordeiro.” E mais ainda:

            “A América Latina e o Brasil, cada país a seu modo e segundo a sua cultura política, tão rarefeita na região, sofrem de intermitências totalitárias, e cumprem ciclos relativamente curtos de democracia. A literatura latino-americana reflete com vigor a crônica anunciada dos libertadores da hora. Provêm de sedições militares e do enfado da “elite”; mas, também, tem cheiro de povo e da burguesia. As revoltas que levam os ditadores e os tiranos ao poder, por estes lados desolados, aquém e além Cordilheira, miram a democracia “maculada”, pretendem apresentar-se como movimentos libertadores – e alvejam, com tiro certeiro, a democracia. Em nome da democracia, temo-nos empenhado em acabar com ela, zelosamente, desde o primeiro dos libertadores aos recém-chegados salvadores.”

            Veja acima a crítica ao populismo autoritário, que pretende controlar a imprensa ou mesmo forjar um estado de partido único com monopólio decisório e elite política; polícia política; monopólio da imprensa e a manipulação da mídia; ideologia de dominação social de amplo alcance; culto à personalidade (de Lula).

            Abaixo eu vou lhe enviar o texto completo elaborado pelo PPS:

            Se um sistema político não se caracteriza por um sistema de valores, permitindo um pacífico “jogo” de poder – ou seja, a aderência por parte dos que estão fora das decisões tomadas por aqueles que estão dentro, juntamente com o reconhecimento pelos que estão dentro dos direitos dos que estão fora – não pode haver democracia estável.

            Não existe um modelo único que sirva de regra ou explique como se instala um Estado autoritário. Mas, por pura especulação caprichosa: qual seria a receita ideal para uma ditadura forte e duradoura, ideal de todos os salvadores? O itinerário a percorrer não é, como demonstram os fatos, muito diferente nas etapas sucessivas que conduzem à conquista do poder, ao controle dos mecanismos do governo do Estado e à submissão dos cidadãos( aqui enfatizamos os chamados “salvadores da pátria”).

            A crônica das ambições humanas, capitulada no livro da História, traz os registros da escalada desses movimentos “salvacionistas”, nascidos da insatisfação de muitos ou de alguns, do clamor das ruas ou da conveniência de grupos, da força dos movimentos sociais, enfim, das necessidades e circunstâncias “interpretadas” por lideranças hábeis, movidas ao doce embalo de revelações aliciadoras, em momento decisivo e oportuno.
            As ditaduras europeias do século XX, surgidas no leste continental com a revolução de 1917 e as que se constituíram na Península Ibérica, na antevéspera do advento do nazifascismo, reproduziram fórmula semelhante do uso da força e do aparato militar, na conquista do poder. Esses espasmos de quebra do equilíbrio democrático já eram conhecidos desde o aparecimento do Estado, em sua versão mais remota. Em outras partes do mundo, como neste fantástico Macondo em que vivemos, a exceção são os governos democráticos, e a regra, a prática autoritária exercitada pelas elites oligárquicas, de direita ou esquerda, que se equivalem na sua patriótica porfia pelo poder.

            Os ideais democráticos e os instrumentos jurídicos do Estado constitucional nunca foram capazes de frustrar a tentação totalitária que anima a índole dos homens.
            As primeiras arremetidas de assalto ao poder passam, em geral, despercebidas pelos cidadãos confiantes, os incautos dominados pela ilusão das bondades anunciadas e os crédulos em geral, que costuma-se chamar de “companheiros de viagem”. Inicia-se, assim, a ocupação do espaço das liberdades, a redução dos mecanismos constitucionais, ao simples aceno das promessas das novas mudanças. A censura aos meios de comunicação é uma decorrência dessa progressão “institucionalizadora”. Ninguém pronuncia essa palavra comprometedora. Dá-se-lhe o nome gentil e sedutor de “controle social”, instância inconsútil da qual o Estado, pelas mãos hábeis do governo, exerce o seu imenso poder prestidigitador. O cerco às ideias heterodoxas que possam ameaçar a segurança dos novos atores em cena, a vigilância sobre os intelectuais, velhos espantalhos afeitos ao hábito de discutir as certezas assentes, tudo concorre para a montagem do aparelho de Estado, com a ocupação dos espaços do governo pelas criaturas da mesma grei, e o aprisionamento do poder de decidir e impor decisões em mãos salvadoras (aqui estamos falando na ocupação dos espaços e aparelhamento do Estado, comuns nos regimes autoritários).

            No grande capítulo das manipulações lógicas, surgem no palco dessa comédia de falsas ilusões os malabaristas da democracia, os seus intérpretes. O que espanta e surpreende nesse processo de arregimentação das forças de pré é a miopia, senão a ingenuidade, de lideranças e partidos políticos que entram alegremente nessa engrenagem de olho nos dividendos miúdos porém rentáveis de cargos e vantagens.

            No fundo, desconfiam, como o peru em véspera de Natal, que a festa anunciada começará sem eles. É história conhecida, vem de tempos imemoriais; mesmo assim não serve de lição aos novos viajantes. O otimista incorrigível enxerga a casca da banana, pisa nela – e reclama por ter caído… É de sua índole.

            Democracia: manual do usuário

            Ao longo de um grande percurso histórico, do qual somos as testemunhas mais recentes, engajadas ou distantes, a democracia ocupou, mobilizou e preocupou muitas mentes -– e pôs em estado de alerta as forças do poder instalado e instituído na engrenagem do Estado. Neste árduo itinerário, a democracia foi quase sempre desejada pelos pobres, embora vista de esguelha pelos ricos.

            É possível que a democracia só se torne viável quando os ricos não se sentirem ameaçados por ela. Por ricos, entenda-se não apenas os detentores da fortuna, mas também os que controlam o poder, influenciam os seus atores e usam os seus recursos políticos, no sentido real que se lhe atribui, para a realização de sua vontade e imposição dos seus interesses.

            Como compreender o significado de “democracia”, de forma clara, linear, sem torneios eruditos, de modo que possamos fazer uso adequado dessa palavra? Regime político ou forma de Estado no qual existem direitos civis assegurados, liberdade de expressão e associação, e sufrágio universal. A questão está, entretanto, em como as nações alcançam esse patamar civilizatório e neles se mantêm, segundo os valores ocidentais consagrados. Poucas questões na Ciência Política foram tão estudadas e discutidas quanto a relação entre desenvolvimento socioeconômico e democracia política. Seymour Martin Lipset, sociólogo americano, filho de judeus-russos, professor da Universidade de Stanford, construiu a teoria sobre Requisitos Sociais da Democracia, na década de 1950. Parece evidente que, a seus olhos, esse binômio não representasse uma simples relação empírica de causa e efeito. Outras condições associadas à mudança social, numerosas e complexas, atuavam nesse sentido. Os pré-requisitos anunciados por Lipset, favoráveis a uma “cultura democrática”, contemplavam, naturalmente, outros mecanismos, tais como o fortalecimento do capital humano, com apoio na educação, a importância da classe média, a garantia dos direitos políticos e econômicos dos trabalhadores e a modernização social e econômica, com base na qual crescesse a receptividade aos valores e às normas, à negociação de conflitos e à rejeição a toda forma de autoritarismo e manifestações extremistas. A democracia é um estado de equilíbrio que se realiza com a conjugação de forças transformadoras: industrialização, urbanização, saúde e educação. Como forma de Estado, consolida-se em um sistema aberto de classes, com uma classe média ampla, capaz de assegurar transição e estabilidade democráticas.

            Estas desculpáveis digressões de um democrata militante, conquanto desprovido de certezas que a muitos anima, vêm a propósito do que Alain Touraine chama de novos “champs d’historicité”, nos quais se organizam as novas identidades coletivas, organizadas em torno de conflitos sociais inéditos. As manifestações desarrazoadas à direita e à esquerda sobre o novo ativismo social e político no mundo contemporâneo fortalecem reações perigosas de intemperança política, bem conhecidas no passado das nossas desesperanças. Demonstram os novos “gauleiters” da intolerância o desconhecimento da função propriamente democrática desses novos movimentos sociais. Ignoram como uma sociedade democrática, no sentido real do termo, pode valer-se desses mecanismos dinâmicos, sem incorrer no risco de uma maximização do Estado e de seus feitores, em ações preventivas contra a tentação totalitária.

            A fabricação da contrarrealidade

            Nos Estados modernos, como, de um certo modo, nos embriões de Estado que já existiam na Idade Clássica Ocidental e em nações do Oriente desconhecido, os agentes do governo recorriam a expedientes que, hoje, constituem uma sofisticada ciência disseminada pelos serviços de inteligência. E de tal modo ganharam complexidade e força essas formas auxiliares da arte de governar que a poucos parecem compreensíveis, já que estão resguardadas por um sistema inexpugnável de proteção, as razões de Estado.

            O passo mais audacioso para o controle do poder no Estado e a sua proteção contra o assédio dos súditos confinados nos limites legais monopolizados por ele e de uma legitimidade consagrada, embora suspeita, foi a criação dos instrumentos da “desinteligência” e da contrarrealidade. E de tal modo pareceu conveniente esse achado lógico às pessoas astuciosas, que essa licença incorporou-se a uma providencial retórica da esperteza, empregada de forma corrente na linguagem da política.

            As técnicas de convencimento dos ímpios, isto é daqueles que, por infelicidade e teimosia, discordam de nós, das nossas certezas e de nossa incontestável boa fé, ganharam um aparelhamento eficiente com essa forma de indução da verdade. As artes dos serviços de “inteligência” repousam, como se sabe, em um processo delicado de descobrir o que os outros pensam, entendem ou se propõem fazer. Com antecedência, naturalmente, que o tempo conta decisivamente nesses casos de bisbilhotagem preventiva. Já a “desinteligência” é uma arte mais sofisticada que consiste em fazer o outro acreditar naquilo em que não acreditamos. É uma encenação dramatizada da construção de uma “contrarrealidade” que os agentes do Estado passaram a exercer com aplicação e zelo. No mundo da política, no qual os militantes se dividem entre grupos, separados por sistemas de crenças mais ou menos arraigadas em interesses contingentes, a realidade é variável, mutante, na medida exata das próprias ambições.

            No Brasil, modelamos um sistema político de fazer inveja aos pais-fundadores da moderna democracia. Condimentamô-lo com algumas pitadas da sabedoria peninsular, bebida no saber jurídico das sebentas de Coimbra, e matizamos certo pendor cordial pela negociação, pela composição de interesses, impulso cívico e patriótico que desencorajaria qualquer pensamento de oposição entre nós. Os que entram em dissidência o fazem provisoriamente à espera do momento da adesão, convencidos antecipadamente dos argumentos que o levarão ao caminho da governabilidade e do erário. Os recalcitrantes são envolvidos pela lógica da racionalidade do poder e submetidos ao fogo cruzado das evidências pelas quais sempre esperaram ser convencidos. Entra aí o esforço patriótico da “desinteligência”, espécie de “in hoc signo vinces” constantina, escrita na contabilidade dos favores a serem recebidos e amealhados, no recolhimento das antessalas palacianas, muito distantes da ponte de Mílvio, sobre o Tibre. Assim se constrói a “contrarrealidade”, engenharia delicada de relojoeiro, segundo a qual o real não é necessariamente o que se vê, mas o que não aparece aos olhos das pessoas desavisadas.

            Exercícios de democracia

            “La démocratie jusqu´au bout”, gritava Jean-Jaurès ao povo.
            A democracia levada às últimas consequências. Foram ouvidas, há algumas semanas atrás, queixas do ex-presidente Lula para quem “há muita gente incomodada com a democracia”, e “se alguns quiserem brincar com a democracia”, “ninguém sabe colocar mais gente na rua do que eu”. O desapontamento presidencial soou como uma ameaça. Lembramo-nos, ainda, de quando o último dos generais-presidente prometeu “chamar o Pires”, o seu ministro do exército linha dura. A expressão intimidatória de que se servia indicava que a tolerância com os excessos da democracia chegara ao limite. Chamar o Pires, colocar o povo e os movimentos populares nas ruas, encomendar plebiscitos, multiplicar as emendas constitucionais por instância legislativa derivada, abusar das medidas provisórias, propor constituintes ad hoc, auto-habilitantes, propor restrições à ação da imprensa, às vésperas dos pleitos eleitorais, barganhar maioria no Congresso para a construção de uma “base aliada” à custa de emendas orçamentárias – eis o que se poderia apontar como um “menu” totalitário que apeteceria a muitos democratas republicanos, confessos, que chegam ao poder. A expressão ganhou adeptos e intérpretes destemidos. Tempos atrás, que não estão tão distantes, “chamava-se” o ginete arreado para impor o poder de suas patas. Há pouco, no correr dos últimos acontecimentos, houve quem pretendesse “chamar” militantes para “virem às ruas”, expressão que carrega consigo graves propósitos de ordem, coerção e convencimento… Alguns mais inventivos, graduados em semântica política, sopraram a ideia de uma “intervenção militar constitucional”.

            O “vir às ruas” materializa o fortalecimento do poder ameaçado, muitas vezes pelo povo essa construção simpática que só se expressa legitimamente quando recebe a inspiração dos seus condutores. Ganharam foros de democratização instrumentos e corretivos que abririam a caixa fechada do regime republicano: o controle social, por exemplo, que se exerceria por via de aparelhos designados e recheados em nome do povo…

            Não é difícil identificar alguns arquétipos do totalitarismo: objetivo de envolvimento da totalidade da população e do desejo de manipulá-la com a ajuda de um partido e organizações de massa a ele submetidas. Estado de partido único com monopólio decisório e elite política; polícia política; monopólio da imprensa e a manipulação da mídia; ideologia de dominação social de amplo alcance; culto à personalidade (de Lula); criação do inimigo a combater e do amigo a apoiar; exclusão, discriminação ou eliminação de minorias; consolidação do poder em monopólio ilimitado; a fabricação do consentimento. O populismo, na sua feição latino-americana, é uma variante desarmada, filho dileto do viés autoritário, lobo em pele de cordeiro (e é aqui que se encontra o PT).

            A América Latina e o Brasil, cada país a seu modo e segundo a sua cultura política, tão rarefeita na região, sofrem de intermitências totalitárias, e cumprem ciclos relativamente curtos de democracia. A literatura latino-americana reflete com vigor a crônica anunciada dos libertadores da hora (Pai dos pobres, salvadores da pátria). Provêm de sedições militares e do enfado da “elite”; mas, também, tem cheiro de povo e da burguesia. As revoltas que levam os ditadores e os tiranos ao poder, por estes lados desolados, aquém e além Cordilheira, miram a democracia “maculada”, pretendem apresentar-se como movimentos libertadores – e alvejam, com tiro certeiro, a democracia. Em nome da democracia, temo-nos empenhado em acabar com ela, zelosamente, desde o primeiro dos libertadores aos recém-chegados salvadores.

            Feitos católicos pela colonização e alimentados no bornal jurídico da tradição ibérica, com os atávios gauleses, os países latino-americanos nunca perderam uma natural inclinação pela tentação irresistível do Estado totalitário. Com a bênção da Igreja e a proteção do saber jurídico, foram edificadas aqui as ditaduras mais duradouras de que se tem notícia no mundo – todas vestidas de legalidade, embrulhadas no manto jurídico que lhes cortavam os juristas a serviço do poder. Alcançamos a perfeição nesses aviamentos: inventamos a ditadura constitucional. Os novos líderes levados ao poder pelo voto almejam o êxito da democracia, falam com veemência de fórmulas republicanas, evocam os fundadores, exalam o nacionalismo de três décadas passadas, prometem uma nova saída, a do socialismo do século XXI, melindram-se com o assédio da imprensa, denunciam as “elites” e condenam a “classe-média”. Marilena Chauí, do PT, proclamou aos berros que “odiava a classe média”, o que ganhou muita repercussão na imprensa. A exaltação do Estado forte enfraquece as reservas morais e éticas dos parlamentos, minando-lhes a legitimidade do mandato. O judiciário é submetido à visão primária das suas soluções e sínteses. Tudo, naturalmente, concebido e obrado em defesa do povo e da democracia. Desta democracia renovada que dispensa as instituições republicanas e as troca pelo exercício de consultas diretas, baseada no contato, sem intermediação, entre o poder e o povo.

            Cada um a seu jeito, guardando, entretanto, o gestual comum do pretendente ao poder ilimitado, vai fabricando o consentimento das massas mediante expedientes que valorizam a pobreza e a miséria, perpetuando-as, segundo as conveniências, como moeda de troca de uma benemerência infinita praticada pelo governo, em nome do Estado. Esperemos que o Brasil possa se livrar disso.

  4. Alguns setores da imprensa internacional alimentam governos declaradamente antiamericanos com versões fantasiosas a respeito da realidade síria e demais nações do Oriente Médio ou Ásia Central, como preferirem.
    Apesar de a Segunda Guerra Mundial – último conflito que arregimentou quase que todos os países existentes para que se envolvessem na guerra, Ásia, Europa, América, África e Oceania – ter deixado milhões de mortos e desaparecidos e prejuízos incalculáveis em termos materiais, uma faixa de terra seria depois do término desta tragédia mundial a causa de novas guerras e disputa por energia, em face de sua divisão pelos ingleses, em 1917, através da Declaração de Balfour, jamais aceita pelos árabes, evidentemente.
    Com o Estado de Israel sendo chancelado pelo ONU, o ódio entre aqueles povos explode em toda a sua crueldade e vingança e, assim, convocando que as grandes superpotências que se transformaram os Estados Unidos e Rússia após a Grande Guerra, se envolvessem em busca de paz à região ou alimentando as diferenças étnicas e religiosas para que novos conflitos surgissem e se aproveitassem deles por questões de interesses e conveniências à manutenção de suas influências ocidentais e orientais, respectivamente.
    Dia 16 de setembro, escrevi na Tribuna um comentário a respeito deste jogo de xadrez que acontece no Oriente Médio, e tendo a Síria como mesa onde as peças são mexidas.

    “Francisco Bendl
    setembro 16, 2015 9:04 am

    “A Rússia não permitirá …”
    “Os Estados Unidos são os culpados …”
    “Putin defende Al-Assad …”
    “Americanos armam opositores ao ditador sírio …”
    Não tenho lido no meio dessas manchetes mundiais que ora torce para o Tio Sam ora pende para o lado do Urso, qualquer manifestação de preocupação ou solidariedade ao povo sírio, iraquiano, afegão, egípcio, líbio, iemenita …
    A não ser infindáveis acusações às duas potências antagônicas e esquecendo a China, que está de olho em Taiwan, absorção que se dará a qualquer momento, estilo Tibet.
    Festejam os iranianos, ontem em letras garrafais e como notícia permanente agora esquecidos pela mídia, mais à procura de sensacionalismos que publicar a verdade dos fatos ou os movimentos realizados neste intrincado jogo de xadrez que tem sido a política internacional.
    Israel, que também não admite deixar de participar dos holofotes da imprensa mundial, ataca mais uma vez os palestinos em seu próprio território, ou seja, a ideia, a intenção, é mesmo combater as nações árabes, os refugiados e palestinos até serem extintos, surgindo de maneira altamente oportuna o Estado Islâmico que, da mesma forma como não se comentam mais a respeito do Hamas, Hezbollah e Fatah, atrai para si as atenções do resto do mundo, ocasionando ódio e aumento do preconceito ao povo muçulmano, razão pela qual as fronteiras europeias lhes são fechadas na cara, e as tragédias se sucedendo ao natural MAS, ESTE MOVIMENTO SENDO SAUDADO PORQUE TEM SIDO O AGENTE QUE ANIQUILA O PRÓPRIO POVO ÁRABE!
    Nesse meio tempo, os verdadeiros arautos do terror, russos e americanos, pois manipulam as nações conforme seus interesses e conveniências, divertem-se com as mortes de inocentes, principalmente mulheres e crianças, que são a distração mais apreciada pelos azuis e vermelhos, cujas histórias precisam ser mantidas com base em genocídios e revolta entre regiões que FINGEM disputar, pois se fossem mesmo inimigos como FALSAMENTE declaram, já teriam se enfrentado cara a cara tempos atrás ou recentemente.
    A eliminação das nações árabes, certamente ocasionaria o rateio entre Rússia e Estados Unidos do petróleo existente, enquanto os israelenses aumentariam seu território e dominariam importante região, aguardando o momento adequado para invadir o Irã, pois haveria da parte desses três países sempre sedentos de sangue e expansionistas, colonialistas e exploradores, o silêncio obsequioso quanto à anexação da ilha de Formosa (Taiwan) pela China, ali adiante.
    Mundo dividido conforme desejam, com a Europa inchada de refugiados e, mais uma vez, dependendo dos três quanto à energia e dinheiro, o dólar continuará sendo a moeda vigente no planeta, diante da desvalorização do Euro e graves problemas de ordem social em França, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Grécia, Hungria e Leste Europeu (Macedônia, Bósnia, Montenegro, Sérvia, Croácia … ).
    Assistimos novas fórmulas de guerra, a verdade é esta, e bem camuflada:
    No lugar de as nações se defenderem dos invasores, elas lutam consigo mesmas, através de revoltas e conflitos internos, enfraquecendo-se de tal forma que possibilitam a criação de movimentos que terminarão com o desaparecimento desses países, e abrindo espaços absolutos para o domínio das mesmas de sempre, que desta vez não enviam seus soldados para a frente de batalha, mas alimentam o ódio racial, social e religioso entre aqueles que impedem o acesso às fontes naturais de energia, simplesmente com as explicações de manutenção da política ou queda de seus governos, que não importam os resultados e, sim, a devastação dos países em questão.
    Em outras palavras:
    Enquanto acusamos os americanos, os russos fazem o mesmo que os gringos, porém de outra maneira:
    Os primeiros porque aparentemente querem a queda de Assad, o segundo porque deseja mantê-lo, entretanto, o OBJETIVO DE AMBOS é absolutamente atingido: a extinção das nações que desejam eliminar POR ELAS MESMAS!
    Se não se deram conta do quero transmitir, e agora trazendo este assunto para dentro do nosso Brasil, já se perguntaram a quem interessa que esta grandiosa nação brasileira, rica em recursos naturais e vastíssimas extensões de terra altamente cultiváveis, fauna e flora incomparáveis, e tendo um dos maiores litorais do planeta, está sendo dividido entre petistas e não petistas?!
    Que, cedo ou tarde, inevitavelmente, poderão se engalfinhar e nos colocarem em situação de guerra civil?
    E, devastados, arruinados, quem seriam nossos ocupantes?!
    Russos ficam com a metade do centro para o sul e americanos com a outra metade em direção ao norte?
    Ou vice-versa?
    Acho que não podemos e não temos o direito mais de ser ingênuos, e pensar que também não fazemos parte deste plano internacional que, aparentemente, apenas se restringe ao Oriente Médio.
    Ledo engano.
    A instabilidade mundial tem as suas causas muito bem definidas e planejadas.”

  5. Entendo que um partido que possibilita banqueiros lucrarem de forma despudorada em detrimento da população em grande parte ainda famélica não pode ser socialista. O próprio rato barbudo já declarou que nunca se considerou de esquerda. É o maior farsante da história do mundo moderno! E pensar que Enéas Carneiro afirmava que tiraria todas as crianças das ruas, no prazo de seis meses depois de eleito, dando-lhes educação, pois do contrário renunciaria…

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