Oposição pede de novo ao Supremo que Dilma seja investigada

Sampaio critica a “blindagem” de Dilma

Eduardo Militão
Correio Braziliense

O ministro-relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, vai consultar o Ministério Público antes de decidir se abrirá investigação contra a presidente Dilma Rousseff por envolvimento nos desvios da Petrobras. Ele repassou a informação ontem à noite para deputados da oposição que ontem apresentaram novo recurso em favor de uma apuração contra a presidente. Na sexta-feira, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) protocolou o primeiro agravo regimental, mas Zavascki negou na noite de terça-feira, alegando que a peça era apócrifa, porque não estava devidamente assinada.

Ontem, os oposicionistas protocolaram novo recurso. O relator da Lava-Jato disse a seis deputados que ainda não analisou o conteúdo das argumentações, mas que fará isso rapidamente. Zavascki recebeu seis parlamentares em seu gabinete ontem: os líderes do PSDB, Carlos Sampaio (SP); do PPS, Rubens Bueno (PR); do DEM, Mendonça Filho (PE); do Solidariedade, Artur Maia (BA); da Minoria, Bruno Araújo (PSDB-PE); além do próprio Jungmann.

No fim da reunião, o grupo se disse convencido de que é possível investigar Dilma Rousseff, apesar de não haver suspeitas de crimes cometidos durante o mandato presidencial. “Nós entendemos que é líquido e certo que está de acordo com a jurisprudência e com o direito consolidado pelo Supremo Tribunal Federal”, garantiu Jungmann.

EMENDA

Ontem, Carlos Sampaio iniciou a coleta de assinaturas para uma Proposta de Emenda à Constituição que permita que presidentes da República sejam investigados e processados por fatos que ocorreram fora do mandato.

E também protocolou um projeto de lei para que sejam extintos os partidos políticos que receberem dinheiro proveniente de corrupção. Na Lava-Jato, delatores afirmaram que o PT recebeu doações oficiais cuja origem estavam em desvios na Petrobras.

###
NOTA DA REDAÇÃO
A tese de que Dilma não pode ser investigada é da lavra do procurador-geral Rodrigo Janot, apoiada pelo ministro Zavascki. Na verdade, o assunto jamais esteve sob análise do plenário do Supremo depois de aprovada a reeleição para presidente da República. Mas no único julgamento a respeito, realizado antes da reeleição, o ministro-relator Celso de Mello deixou bem claro que presidente da República pode e deve ser investigado, conforme o jurista Jorge Béja já demonstrou aqui na Tribuna da Internet.

A tese inventada pela dupla Janot-Zavascki não tem sustentação jurídica, mas aqui no Brasil tudo é possível. Quanto ao novo pedido da oposição, Janot vai repetir que existe “vedação constitucional” e Zavascki, agradecidamente, vai concordar. (C.N.)

8 thoughts on “Oposição pede de novo ao Supremo que Dilma seja investigada

  1. O líder do PT na câmara, Deputado Sibá Machado, parece que já desvendou os segredos de todo este imbróglio, que acontece na política brasileira.
    Segundo o nobre deputado, isto tudo é uma “armação da CIA, para tirar as esquerdas do poder na America Latina.
    É tão cretina a afirmação dele, que até se poderia pensar que se trata de mais um conto de SCHERAZADE, nas
    mil e uma noite: sibá e a cia.

    • acabou de citar a fulgurância máxima, o clímax da inteligência,

      o apogeu, a culminância, o zênite, o pino do conhecimento.

      a ilustração que ofuscou ‘ad aeternum’ a pequenez de Da Vinci.

  2. Senhor Nita da Redaçao a Dilma bao pode/ser investigada porque nao ha uma unica tenue denuncia contra ela.
    Agora o seu candidato Aecio há varias denuncias contra ele.
    Alias aquela historia de helicoptero de um senador mineiro complica muita gente se tivesses agentes serios para investigar.

  3. a mulhé bao (sic) pode/ser investigada porque tudo o que fez no P.e.t.r.o.l.ã.o foi devido a não simpatizar com o cinéreo do meu bigode !

  4. Não é só a oposição que pede, a situação também:

    Deputados federais Adelmo Leão e Padre João e o deputado estadual Rogério Correa, os três do PT de Minas Gerais, pediram hoje à Procuradoria-Geral da República para que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) seja investigado na Operação Lava Jato; o tucano foi citado pelo doleiro Alberto Youssef como sendo um dos beneficiários da “Lista de Furnas”, esquema de corrupção descoberto em 2006, no qual políticos e partidos teriam recebido dinheiro para ‘caixa dois’ de campanha; petistas afirmam que documentos “apontam, no mínimo, para a necessidade de se iniciar uma investigação” e pedem punição, “com rigor”, de “todos os responsáveis e beneficiários dos delitos eventualmente praticados em desfavor do erário”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *