MST acata decisão judicial e deixa a fazenda que ocupou para confrontar Temer

Na Fazenda Esmerada existe um criatório de animas silvestres

Marcelo Toledo
Folha

Deixando para trás pichações como “Golpista”, “Temer Ladrão” e “Ocupando Latifúndio do Temer”, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) saiu da fazenda Esmeralda, em Duartina (SP), depois de a Justiça conceder reintegração de posse da área. Oficialmente tendo como donos o coronel da PM João Batista Lima Filho e a empresa Argeplan, a fazenda tem a posse atribuída pelo MST ao presidente interino, Michel Temer (PMDB). Ele nega ser dono do imóvel, de 1.500 hectares (o equivalente a 2.100 campos de futebol), que produz eucalipto e tem criação de gado e que foi invadido na última segunda-feira (9).

A Justiça de Duartina atendeu ao pedido de reintegração de posse de Lima e determinou a saída dos manifestantes do local. Em caso de descumprimento, a multa diária era de R$ 5.000 por invasor.

SEM TUMULTO

Segundo o MST, mil famílias estavam no local. A saída foi pacífica, sem tumulto ou confronto. Segundo a polícia, as mensagens contra Temer foram pichadas na área de lazer da sede da fazenda e nos cômodos da casa. A Folha esteve no local no dia da invasão e identificou pichações externas no imóvel.

Além disso, tratores foram danificados, animais foram abatidos para consumo dos invasores e árvores foram tombadas para bloquear o acesso à fazenda por Duartina – há outra entrada, por Lucianópolis, município vizinho. Entre quinta e sexta-feira (13), os invasores iniciaram plantio de grãos, utilizando maquinário da fazenda.

A propriedade rural está registrada no nome de Lima, amigo de Temer desde os anos 80, e da Argeplan Arquitetura e Engenharia. O coronel tornou-se sócio da empresa em 2011, com 50% de participação. Nos anos 1990, tanto Lima como a Argeplan contribuíram para as campanhas de Temer à Câmara. Em 1994, a empresa doou a ele ao menos R$ 100 mil (R$ 90 mil em valores atualizados).

FREQUENTADOR

Segundo o MST, foi encontrada no local uma correspondência endereçada a Temer e um escritório do imóvel abrigava materiais de campanha da eleição do peemedebista à Câmara dos Deputados em 2006.

Primo do coronel Lima, engenheiro eletricista Rui Canedo disse que Temer frequentou o local entre 2004 e 2010, mas só dormiu uma noite lá e não é dono da Esmeralda. A assessoria de Temer diz que a propriedade foi usada por ele como um refúgio durante a campanha eleitoral de 2014, o que indica o uso do local num período de dez anos.

SEM DANOS

Segundo o MST, a fazenda foi desocupada após assembleia com os integrantes do movimento acampados na Esmeralda. Antes, no sábado (14) de manhã, membros da invasão se reuniram com um diretor do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) na Câmara de Duartina.

O movimento reafirmou que a fazenda pertence a Temer e apresentou uma pauta de reivindicações que consiste, entre outros pontos, em assentar 5.000 famílias acampadas em São Paulo e outras 160 mil em todo o país. De acordo com nota do MST, “não houve nenhum tipo de depredação ou dano” na área.

A assessoria de Temer afirmou que ele não tem propriedades rurais. Já o coronel Lima informou, por meio de nota, que “as propriedades rurais em questão foram adquiridas de maneira regular, a partir de 1986, sendo produtivas”.

3 thoughts on “MST acata decisão judicial e deixa a fazenda que ocupou para confrontar Temer

  1. Prezados,

    Como assim a matéria colocar uma “sub manchete” dizendo Sem Danos quando houve pichações na parte externa e no interior do imóvel, diminuição do rebanho – ah sim o nobre propósito de alimentar os invasores (1000 famílias) por quase uma semana e derrubada de árvores (que fazem parte do fim produtivo do local) para bloqueio de estradas e tratores (maquinário pesado e específico para a atividade fim) danificados?

    Quem pagará por isso? Se a entidade em questão tem dinheiro para transportar seus integrantes de ônibus, fazer material de campanha (camisas, bonés, etc), tem de ter dinheiro para arcar com seus atos.

    Enquanto existir essa complacência generalizada, menor será a chance da sociedade adquirir o bom hábito do caminho correto das leis.

    Um Forte Abraço,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *