Ah!, eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor…

Nelson, Dori e Marcos Valle, na era dos festivais

O jornalista, escritor, roteirista, produtor musical, letrista e compositor paulista Nelson Cândido Motta Filho, na letra de “O Cantador”, fala sobre a dor, a vida, a morte e o amor, sentimentos que fazem o cotidiano de quem apenas sabe cantar. A música teve várias gravações, entre as quais, a do próprio compositor no LP Dori Caymmi, em 1972, pela Odeon.

O CANTADOR
Dori Caymmi e Nelson Motta

Amanhece, preciso ir
Meu caminho é sem volta e sem ninguém
Eu vou pra onde a estrada levar
Cantador, só sei cantar
Ah! eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor
Ah! eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor
Cantador não escolhe o seu cantar
Canta o mundo que vê
E pro mundo que vi meu canto é dor
Mas é forte pra espantar a morte
Pra todos ouvirem a minha voz
Mesmo longe…
De que servem meu canto e eu
Se em meu peito há um amor que não morreu
Ah! se eu soubesse ao menos chorar
Cantador, só sei cantar
Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor
Ah! eu canto a dor de uma vida perdida sem amor
               (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

15 thoughts on “Ah!, eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor…

  1. Sabe, Paulo?, eu assisti aos festivais da Record. E torci muito.
    Na época foi coisa de louco, será que você se lembra? O público vaiava, assobiava, aplaudia, uma torcida daquelas. Tudo muito a sério.

    Foi quando surgiram pra valer nossos compositores de coração (não sei se O Cantador é do mesmo festival, o da Record. Não lembro).

    Eu lembrava da Elis cantando, mas, quando você falou de um cantador lá atrás, cheguei a pensar em Sidney Miller (por onde anda Sidney Miller?). Conferi e não era, tinha o dedo de Dori e Nelson Motta. A cabeça não ajuda às vezes.

    Gosto muito deles. Acho que gosto de todo mundo que faz música. Mas as letras do Nelson Motta são simples, encantadoras e para sempre.
    Sem falar na música de Dori, claro. Uma não seria nada sem a outra. Obrigada.

      • Lembrei, Paulo, É isso mesmo.
        “Minha estrada, meu caminho, me responda, de repente/ se eu aqui não vou sozinho/ quem vai lá na minha frente?/ Tanta gente tão ligeiro que eu até perdi a conta/ Mas aviso, violeiro, fora a dor, que a dor não conta/ fora a morte quando encontra/vai na frente um povo inteiro”.

        Minha memória de repente pega no tranco, Paulo. Lembrei da letra sem olhar. É porque aprendi quando meus fios estavam todos encapados, como diz meu irmão.

        Muito obrigada, um abraço
        Ofelia

  2. 1) Trio do mais alto quilate. Poetas, cantores, compositores, ótimos letristas, cançonistas…

    2) Licença: em 26 de julho de 1620 nascia no RJ, o escritor, autor editado postumamente: “Sermões Vários (1750)”.

    3) Fonte: BN, Agenda, 1993.

    • Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
      O amor da Humanidade é uma mentira.
      É. E é por isso que na minha lira
      De amores fúteis poucas vezes falo.

      Augusto dos Anjos e Idealismo.

      • Vi o Nelson Motta duas vezes. Uma no Fest in Rio, o festival de Cinema internacional, no Hotel … Nacional?, Intercontinental?

        Sei lá. Cheguei a perguntar ao Nelson se ele falava italiano, eu queria fazer uma pergunta pra alguém. Ele se prontificou na mesma hora, sem tirar aquele sorriso generoso e amável do rosto.

        Acabei não fazendo a pergunta porque não queria alugar o Nelson Motta à toa, precisava escolher bem o ator/a atriz.

        Eu o deixei ir, mas nunca esqueci da boa vontade dele, da simpatia.

        Outra vez eu o vi na Rua Tonelero, na vila a caminho de uma clínica de psicólogos. Não o chateei. Acho que ele teve uma namorada lá, a Mônica Silveira, também psicóloga. Que não conheci.

        Marília Pêra me disse uma vez que ela e ‘Nelsinho’ estariam para sempre ligados por causa dos filhos, Esperança Motta e Nina Morena.

        Gostaria que tivessem ficado juntos, eram um casal e tanto. Fazer o quê? A vida é feita de escolhas, e eles escolheram outro caminho.
        Marília era outra que me maravilhava. Aliás, não maravilhava a quem?

  3. Pois é Carmen Lins.
    Nessa primeira estrofe do poema Idealismo,o eu-lírico do poeta diz que não adianta falar de amor pra ele, visto que o amor não existe, é uma mentira e, por ser mentira, em sua vida só teve amores fúteis.

    • Cesar, Augusto dos anjos acreditava num amor sublime, espiritual, ou seja, ele queria um amor que não existia para ele.

      Parece muito doce aquela cana.
      Descasco-a, provo-a, chupo-a . . ilusão treda!
      O amor, poeta, é como a cana azeda,
      A toda a boca que o não prova engana.

      Quis saber que era o amor, por experiência,
      E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo,
      Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,
      Todas as ciências menos esta ciência!

      Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo
      Mas certo, o egoísta amor este é que acinte
      Amas, oposto a mim. Por conseguinte
      Chamas amor aquilo que eu não chamo.

      Algumas estrofes do poema Versos de amor.

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