Um convite para ouvir e lembrar a inesquecível Maysa

Resultado de imagem para maysa

Maysa criava canções e as cantava com o coração

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A cantora e compositora paulista Maysa Figueira Monjardim Matarazzo (1936-1977) gravou no LP Maysa, em 1957, pela RGE, o samba-canção “Ouça”, composto por ela mesmo para desabafar as dores do seu casamento. Tudo porque o seu marido não queria mais sua esposa como cantora, pois isto não era bem visto naquela época. Uma canção que brotou do fundo do coração da grande compositora e cantora.

OUÇA
Maysa

Ouça, vá viver
Sua vida com outro bem,
Hoje eu já cansei
De pra você não ser ninguém.

O passado não foi o bastante pra lhe convencer
Que o futuro seria bem grande só eu e você.

Quando a lembrança com você for morar
E bem baixinho de saudade você chorar,
Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar,
Fez questão de negar.

13 thoughts on “Um convite para ouvir e lembrar a inesquecível Maysa

  1. Com permissão, e desde já fico grato.

    Próximo dia 26 do corrente mês transcorre os 70 anos de nascimento do Genial Belchior(por onde anda o rapaz latino-americano?).

    Aqui vai uma de suas obras-primas.

    PARALELAS

    Dentro do carro
    Sobre o trevo
    A cem por hora,ó meu amor
    Só tens agora os carinhos do motor

    E no escritório em que trabalho
    e fico rico,quanto mais eu mulpiplico
    Diminui o meu amor

    Em cada luz do mercúrio
    Vejo a luz do teu olhar
    Passas praças, viadutos
    Nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar

    No Corcovado, quem abre os braços sou eu
    Copacabana, esta semana ,o mar sou eu
    Como é perversa a juventude do meu coração
    Que só entende o que cruel ,o que paixão

    E as paralelas dos pneus n’água das ruas
    são duas estradas nuas
    Em que foges do que é teu

    No apartamento, oitavo andar
    Abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa
    Teu infinito sou eu,sou eu,sou eu, sou eu

    • Ofelia, você me fez lembrar que vi Maysa pela última vez na sala do Adolfo Bloch, de manhã e ela morreria de madrugada, creio eu. Ela estava linda, num vestido de seda verde, estampado.

      Anos antes, com minha mulher, Jussara Martins, fui à primeira casa dela em Maricá, na belíssima Praia de Itaipuaçu, onde Maysa morava com o marido, o ator-galã Carlos Alberto. Era uma residência modesta, eles ainda estavam construindo a verdadeira casa deles, muito confortável, mais perto da Lagoa. Quando chegamos, Carlos Alberto estava escrevendo numa máquina portátil de datilografia, tinha formação universitária, era formado em Literatura (Letras).

      Depois da morte dela, Carlos Alberto continuou morando em Maricá e chegou até a ser candidato a prefeito, mas perdeu a eleição para um “minhoca” (candidato da terra). Foi uma pena, Carlos Alberto adora Maricá e o enteado Jayme Monjardim também ama a cidade, já chegou até a promover rodeios por lá.

      Abs.

      CN

      • Carlos Newton, nos conte uma passagem sua com Maysa. Não a conheci. Como era Maysa?. Era amável?, gostava de um bom papo?, era simples?, tinha muitos amigos?
        Era generosa? De que Maysa gostava? Maysa ganhou muito dinheiro com a música?
        Conte algo sobre Maysa?

        • Béja, Maysa foi uma das celebridades que se encantaram com Maricá e foram morar lá, um paraíso bem pertinho do Rio de Janeiro, a apenas 40 km do centro da cidade. O diretor teatral Gianni Ratto morava lá, o senador Darcy Ribeiro, também, o crítico Ricardo Cravo Albin, o cronista João Saldanha etc. e tal.

          Maysa vinha de São Paulo, casou muito nova com um membro do clã Matarazzo, ele não aceitava que ela fosse compositora e cantora, de talento extraordinário. Maysa desfez o casamento e veio para o Rio, que sediava as grandes gravadoras.

          Aqui conheceu o grande jornalista e compositor Ronaldo Boscoli e foi viver com ele. Por isso, foi a primeira cantora a lançar “O Barquinho”, clássico da Bossa Nova, de Menescal e Boscoli. Na época, Boscoli trabalhava na Manchete.

          Eu a conheci na Manchete, que ela frequentava e era uma espécie de ponto de encontro do que acontecia no Rio. Nunca tive intimidade com Maysa, que já era uma super-star. Só estive na casa dela esta vez, em Maricá, quando a entrevistamos. Conheci Boscoli na garage dos Castro Neves, na Rua Umari, em Laranjeiras, onde nasceu a Bossa Nova. Depois, trabalhei com ele na Ultima Hora, uma pessoa fascinante. Ficou aborrecido com Tom Jobim, que lhe pediu ajuda ao fazer a letra de “Luiza”. Com seu talento inigualável de poeta, Boscoli fechou a letra, mas Tom teve um desvio de caráter e não lhe deu a coautoria.

          Bem, vamos ficar por aqui, porque o Tom era um cara maravilhoso e também tinha o direito de errar.

      • Maysa era bela, tinha o que se chama de ‘presença’. Era impossível não ser notada. E os olhos:dela?

        Newton, o Carlos Alberto não era casado com a Yoná? Ou estou trocando de Carlos Alberto? Ou foi pós Yoná?

        A vida às vezes nada tem de bonita, O próprio Gonzaguinha morreu como Maysa. No carro e na estrada.

        E em lembrando, Maricá, não era a cidade ‘de pobre’ citada por Paes?

        O mundo dá muitas voltas, queria saber se destruíram o Rio por algum tipo de vingança. Não pergunte, Newton, não sei qual. Mas que parece vingança, parece.

        A mulher do Jayme Monjardim ‘lembra’ a mãe dele, fez até o papel de Maysa na série de mesmo nome. Quem sabe foi por isso que ele se apaixonou por ela?

        Maysa deve ter feito muita falta pro Jayme. Qual mãe não faz?

        Rsrs…. Eu não sabia que se dava o nome de ‘minhoca’ a candidatos da própria terra. Legal.
        Abs
        Ofelia

        • Prezada Ofelia, o ator Carlos Alberto tinha um caso com Yoná Magalhães, que o traiu com outro galã, Cyll Farney. Carlos Alberto ficou pê da vida e esvaziou os pneus do carro de Cyll, quando ele estava com Yoná. Depois, Carlos Alberto estabeleceu um relacionamento sólido com Maysa.

          Quanto à “cidade de pobre” citada por Eduardo Paes, foi mais uma mancada terrível dele, um menino criado na Barra/Recreio e que nem conhece direito o Rio de Janeiro, quanto mais os outros municípios. Maricá é uma local belíssimo, com quatro lagoas interligadas imensas, ideais para esportes a vela, muito maiores do que a Rodrigo de Freitas. Somente um débil mental como Eduardo Paes pode mencionar Maricá como uma “cidade de pobre”. O idiota citou também São Pedro d’Aldeia, que é outro lugar lindo, que ele não conhece.

          Abs.

          CN

          • Eu não sabia do caso deles, Newton. Não sabia. Mas não duvidei de você não, Você me pareceu eriçado. À toa. Ou fui eu que ‘senti’?

            Imaginei o Carlos Alberto esvaziando os pneus do carro do Cyll. Que história!

            Você deveria contar todas elas. Aqui, em livro, onde quiser. Eu nem imaginava.

            Quanto a Maricá, Iguaba, São Pedro da Aldeia e as demais cidades da Região dos Lagos, incluindo Cabo Frio e Arraial do Cabo, conheço TODAS. E gosto de TODAS. Tive uma tia que enfartou dentro da Lagoa de Araruama ou Iguaba.

            Aliás, não lembro mesmo se é Araruama, acho que sim, mas dizem que a cidade tem (ou tinha) um sistema de saúde muito bom, com visitas médicas em casa, o que atraiu muita gente pra lá. Meu ex-vizinho, aposentado da Aeronáutica, foi um deles.
            Outra vizinha da minha infância, hoje já falecida, também mudou-se pra Araruama.

            Pela estrada velha que levava a Cabo Frio, a gente ia passando e vendo todas essas cidades. Maricá era a primeira do caminho.

            Já que falamos em litoral do Rio, uma curiosidade: Em Parati, a cidade da Flip, ficamos na pousada da atriz Maria Della Costa (da pioneira novela Beto Rockfeller), chamada Coxixo. Paulo Autran, me parece, também tinha uma pousada lá. Tinha sim.

            O Estado do Rio de Janeiro é bonito como a nossa cidade.

            Só disse o que disse para provocar, porque o que Paes diz não se escreve.
            E todo mundo já sabe.

            Abs
            Ofelia

  2. Maísa

    Um dia pensei um poema para Maísa
    Maísa não é isso
    Maísa não é aquilo
    Como é então que Maísa me comove me sacode me buleversa me hipnotiza?

    Muito simplesmente
    Maísa não é isso mas Maísa tem aquilo
    Maísa não é aquilo mas Maísa tem isto
    Os olhos de Maísa são dois não sei quê dois não sei como diga dois Oceanos Não-Pacíficos

    A boca de Maísa é isso e aquilo
    Quem fala mais em Maísa a boca ou os olhos?
    Os olhos e a boca de Maísa se entendem os olhos dizem uma coisa e a boca de Maísa se condói se contrai se contorce como a ostra viva em que pingou uma gota de limão
    A boca de Maísa escanteia e os olhos de Maísa ficam sérios meu Deus como os olhos de Maísa podem ser sérios e como a boca de Maísa pode ser amarga!
    Boca da noite (mas de repente alvorece num sorriso infantil inefável)

    Cacei imagens delirantes
    Maísa podia não gostar
    Cassei o poema.

    Maísa reapareceu depois de longa ausência
    Maísa emagreceu
    Está melhor assim?

    Nem melhor nem pior
    Maísa não é um corpo
    Maísa são dois olhos e uma boca

    Essa é a Maísa da televisão
    A Maísa que canta
    A outra não conheço não
    Não conheço de todo
    Mas mando um beijo para ela

    Manuel Bandeira
    (1886-1968)

  3. Este poema de Manuel Bandeira, está na p. 342 de Estrela da Tade – Poesia e Prosa completa. Vem escrito Maisa – com i – não sei explicar o porquê; Compôs para Mai da televisão. A oura ele – Manuel Bandeira – diz que não conhecia.
    Quem sabe explicar a grafia com “i” na poesia do meu querido Manuel Bandeira?

    Maysa (tudo que tenho dela é com “y” , para mim era a deusa da dor de cotovelo. As músicas de Dolores Duran, Antonio Maria, Vinicius, caiam muito bem na voz e interpretação dela.

  4. Mulheres:
    Preciso falar aqui e DIVULGAR uma CARTINHA PICARETA do PCdoB, do Rio Grande do Sul. O PCdoB sempre, disfarçadamente, tentando dar uma de sabichões e de tabela ajudar o velho PT. Observe aqui:
    A MANUELA D’ÁVILA, do PCdoB/RS, está escrevendo UMA CARTINHA picareta para a MARCELA TEMER, hoje dia 07 de outubro de 2016, sexta-feira…
    Para a Manuela D’Ávida:
    Manuela cabe a você fazer o seguinte. Veja:
    Repare que coisa mais ELEGANTE. Visualize a IMAGEM: veja:
    EM SILÊNCIO:
    Não precisa falar NADA. Em silêncio, leve seu cartazinho ao açougue, quando for comprar carne. Levante seu CARTAZINHO na fila, vire-o para um lado e, depois, vire para o outro. Levante bem alto seu cartazinho de Fora Temer; para que todos o VÊEM!
    P.S.:
Manuela, escreva, também FRASINHAS no G+; no FACEBOOK ; no Twitter.
Mas saiba de uma coisa: não PRECISA TER INVEJA de Marcela Temer: a Marcela é muuuuuito mais bonita que você própria!

  5. Conheci brevemente o Ronaldo Bôscoli. Ele me disse: “Você é tímida”.

    Foi bonita a série Maysa. Quem fazia o papel de Bôscoli era o Mateus Solano. Deu um banho, como em tudo que fez e faz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *