Tesouro de Gedel e prisão de Joesley consolidam a atuação de Rodrigo Janot

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Charge do Aroeira (portal O Dia/RJ)

Pedro do Coutto

O tesouro de Gedel Vieira Lima, ex-ministro dos governos Lula e Temer e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal ao longo do mandato de Dilma Rousseff, encontrado num apartamento em Salvador no montante de 51 milhões de reais, não pode ter sido remetido num dia só e sim através de meses seguidos, que resultaram no acúmulo revelado pela Polícia Federal e reproduzido em todos os jornais do país. Quanto à prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud, proposta pelo Procurador Geral da República ao Supremo Tribunal, é praticamente certo que será concretizada, como segunda etapa do processo detonado pela JBS.

Com isso, Rodrigo Janot se consolida sob o aspecto político na medida em que o Supremo aceitar prender novamente Joesley. Nas gravações que ele mesmo produziu, sem dúvida desacatou o STF.

O CASO DE MILLER – A prisão do ex-procurador Marcelo MIller é uma consequência lógica do comportamento que ele próprio adotou. Demitiu-se espontaneamente da PGR, mas seu projeto de advocacia frustrou-se. Depois das revelações dos irmãos Batista, ele deixou de interessar ao escritório onde deu os primeiros passos para articular a delação premiada da JBS. Sua presença na equipe passou a ser negativa. E assim, Rodrigo Janot acertou o alvo mais sensível de toda a trama no atual capítulo das delações e de suas premiações.

A reportagem de Carolina Brígido e de Jailton de Carvalho, em O Globo de sábado, antecipou a ação do Procurador Geral no caso de Joesley Batista e Marcelo Miller. O jornal saiu na frente da Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. Foi o primeiro a noticiar a representação de Rodrigo Janot. Mas esta é outra questão.

MALAS DE DINHEIRO – O caráter essencial do tesouro de Gedel Vieira Lima contém em si a evidência de que as malas e caixas de dinheiro foram se acumulando através do tempo, uma vez que não faria o menor sentido que fossem transferidas todas de uma só feita. O episódio remete a uma sequência prolongada de corrupções, as quais, mesmo assim,  não foram suficientes para impedir sua nomeação para a equipe ministerial de Michel Temer.

Esses 51 milhões de reais resultaram em qual volume de corrupção que antecederam sua passagem as mãos de Gedel, que inclusive, como a Polícia Federal constatou, não teve a preocupação de não deixar nas notas suas impressões digitais. O tesouro foi fotografado e ficará eternamente na memória do país e da opinião pública.

NOS CINEMAS – E por falar em Polícia Federal, excelente o filme “A Lei é Para Todos” que retrata o desencadeamento da Operação Lava Jato. Trata-se de um filme-reportagem porque intercala sequências que reproduzem situações e no final, intercala flashes da realidade com o decorrer da história. Entre esses flashes, há um que reproduz literalmente a nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil de Dilma Rousseff. Outros personagens aparecem na parte final, caso de Paulo Roberto Costa.

O filme, ao mesmo tempo uma reportagem, lembra o italiano A “Cidade Se Defende”, do diretor Pietro Germi, sobre a Camorra Napolitana, rival no crime da Máfia Siciliana.

No Brasil as correntes corruptas uniram-se num rio só. Com as ações do Ministério Público e da Polícia Federal, ao que tudo indica, a fonte secou.

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