A Canção do Exílio, que inspirou Tom Jobim e Chico Buarque em “Sabiá”

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O poeta Casimiro de Abreu (1839-1860) nasceu em São João da Barra (RJ) e foi um intelectual brasileiro da segunda geração romântica.  Sua poesia tornou-se muito popular  durante décadas, devido à linguagem simples, delicada e cativante, e aos temas comuns do lirismo romântico: o amor impossível e platônico, o conflito entre o desejo e a pureza, a depressão e a morte. Também está presente em sua obra a exaltação às glórias da independência e o sentimento patriótico, tema deste poema “Canção do Exílio”, que inspirou a premiada composição “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque.

CANÇÃO DO EXÍLIO
Casimiro de Abreu

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro
Respirando este ar;
Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo
Os gozos do meu lar!

O país estrangeiro mais belezas
Do que a pátria, não tem;
E este mundo não vale um só dos beijos
Tão doces duma mãe!

Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Lá na quadra infantil;
Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
O céu do meu Brasil!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! não seja já!
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Quero ver esse céu da minha terra
Tão lindo e tão azul!
E a nuvem cor de rosa que passava
Correndo lá do sul!

Quero dormir à sombra dos coqueiros,
As folhas por dossel;
E ver se apanho a borboleta branca,
Que voa no vergel!

Quero sentar-me à beira do riacho
Das tardes ao cair,
E sozinho cismando no crepúsculo
Os sonhos do porvir!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
A voz do sabiá!

Quero morrer cercado dos perfumes
Dum clima tropical,
E sentir, expirando, as harmonias
Do meu berço natal!

Minha campa será entre as mangueiras
Banhada do luar,
E eu contente dormirei tranquilo
À sombra do meu lar!

As cachoeiras chorarão sentidas
Porque cedo morri,
E eu sonho no sepulcro os meus amores
Na terra onde nasci!

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! não seja já
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

13 thoughts on “A Canção do Exílio, que inspirou Tom Jobim e Chico Buarque em “Sabiá”

  1. Canção do exílio

    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá;
    As aves, que aqui gorjeiam,
    Não gorjeiam como lá.

    Nosso céu tem mais estrelas,
    Nossas várzeas têm mais flores,
    Nossos bosques têm mais vida,
    Nossa vida mais amores.

    Em cismar, sozinho, à noite,
    Mais prazer eu encontro lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.

    Minha terra tem primores,
    Que tais não encontro eu cá;
    Em cismar �sozinho, à noite�
    Mais prazer eu encontro lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.

    Não permita Deus que eu morra,
    Sem que eu volte para lá;
    Sem que disfrute os primores
    Que não encontro por cá;
    Sem qu’inda aviste as palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.

    Gonçalves Dias

  2. NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO (Carlos Drummond de Andrade)
    Um sabiá
    na palmeira, longe.
    Estas aves cantam
    um outro canto.

    O céu cintila
    sobre flores úmidas.
    Vozes na mata,
    e o maior amor.

    Só, na noite,
    seria feliz:
    um sabiá,
    na palmeira, longe.

    Onde é tudo belo
    e fantástico,
    só, na noite,
    seria feliz.
    (Um sabiá,
    na palmeira, longe.)

    Ainda um grito de vida e
    voltar
    para onde é tudo belo
    e fantástico:
    a palmeira, o sabiá,
    o longe.

    (Carlos Drummond de Andrade. In: A Rosa do Povo – Poesia completa e prosa, p. 157 1973)

  3. NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO – Ferreira Gullar
    Minha amada tem palmeiras
    Onde cantam passarinhos
    e as aves que ali gorjeiam
    em seus seios fazem ninhos

    Ao brincarmos sós à noite
    nem me dou conta de mim:
    seu corpo branco na noite
    luze mais do que o jasmim

    Minha amada tem palmeiras
    tem regatos tem cascata
    e as aves que ali gorjeiam
    são como flautas de prata

    Não permita Deus que eu viva
    perdido noutros caminhos
    sem gozar das alegrias

    que se escondem em seus carinhos
    sem me perder nas palmeiras
    onde cantam os passarinhos

    FERREIRA GULLAR

  4. Canção do exílio
    Murilo Mendes

    Minha terra tem macieiras da Califórnia
    onde cantam gaturamos de Veneza.
    Os poetas da minha terra
    são pretos que vivem em torres de ametista,
    os sargentos do exército são monistas, cubistas,
    os filósofos são polacos vendendo a prestações.
    A gente não pode dormir
    com os oradores e os pernilongos.
    Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
    Eu morro sufocado
    em terra estrangeira.
    Nossas flores são mais bonitas
    nossas frutas mais gostosas
    mas custam cem mil réis a dúzia.

    Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
    e ouvir um sabiá com certidão de idade!

    • Canção do exílio – Poema de Casimiro de Abreu
      Se eu tenho de morrer na flor dos anos
      Meu Deus! não seja já;
      Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
      Cantar o sabiá!

      Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro
      Respirando este ar;
      Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo
      Os gozos do meu lar!

      O país estrangeiro mais belezas
      Do que a pátria não tem;
      E este mundo não vale um só dos beijos
      Tão doces duma mãe!

      Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
      Lá na quadra infantil;
      Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
      O céu do meu Brasil!

      Se eu tenho de morrer na flor dos anos
      Meu Deus! não seja já!
      Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
      Cantar o sabiá!

      Quero ver esse céu da minha terra
      Tão lindo e tão azul!
      E a nuvem cor-de-rosa que passava
      Correndo lá do sul!

      Quero dormir à sombra dos coqueiros,
      As folhas por dossel;
      E ver se apanho a borboleta branca,
      Que voa no vergel!

      Quero sentar-me à beira do riacho
      Das tardes ao cair,
      E sozinho cismando no crepúsculo
      Os sonhos do porvir!

      Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
      Meu Deus! não seja já;
      Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
      A voz do sabiá!

      Quero morrer cercado dos perfumes
      Dum clima tropical,
      E sentir, expirando, as harmonias
      Do meu berço natal!

      Minha campa será entre as mangueiras,
      Banhada do luar,
      E eu contente dormirei tranqüilo
      À sombra do meu lar!

      As cachoeiras chorarão sentidas
      Porque cedo morri,
      E eu sonho no sepulcro os meus amores
      Na terra onde nasci!

      Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
      Meu Deus! não seja já;
      Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
      Cantar o sabiá!

  5. Canção Verde e Branca

    Antonio Rocha

    Minha Terra tem Palmeiras
    onde torço pelo gol
    também torço por qualquer
    futebol show.

    Só verde e branco
    Qualquer divisão
    Estado ou País
    Torcida coração.

    Não importa
    Ganhar ou Perder
    Faz parte da Vida
    Arte é Torcer.

    Com desapego
    Prefiro ganhar
    Não sendo possível
    Mais vale amar.

    Verde e Branco
    Qualquer Esporte
    Eis minha sina
    Bela mina de Sorte !

  6. Como se vê muitos autores parodiaram ou pararafrasearam a famosa canção ufanista de Casimiro de Abreu, incluindo a que conheci agora do Prof. Antonio Rocha.
    Há uma versão em francês (v. blog de Antonio Miranda:
    “CHANSON DE L’ EXIL

    Il est des palmiers en mon pays
    Où chante le sabiá;
    Les oiseaux ne chantent pas ici
    Comme ils chantent chez moi.

    Notre ciel a plus d’ étoiles
    Plus de fleurs ont nos vals
    Nos bois ont plus de vie
    Notre vie plus d’amour aussi.

  7. Paulo, não sei se Casemiro de Abreu inspirou-se em Gonçalves Dias ou Gonçalves Dias inspirou-se em Casemiro de Abreu. Confesso que não gostei de Sabiá de Chico Buarque e Ton Jobim que venceu o festival no Maracanazinho em 1968. Foi muito bem interpretada pelo Quarteto em Cy. Mas, muito distante da beleza e mensagem de Geraldo Vandré com”Para não Dizer que Não falei de Flores”. Foi de arrebatar e o Maracanazinho em peso, vaiou a não mais querer, Sabia. Também, pudera: Tinha dois americanos no juri. Estavamos em plena ditadura.

  8. A música do Vandré falava abertamente sobre o regime militar . O próprio Vandré pedia calma e dizia “A vida não se resume a festivais”. A do Chico também falava, mas veladamente, e os militares não entenderam o recado:
    “Vou voltar
    Sei que ainda vou voltar
    Para o meu lugar
    Foi lá e é ainda lá
    Que eu hei de ouvir cantar
    Uma sabiá”

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