Raquel Dodge rasga a fantasia e tenta enfraquecer a equipe que atua na Lava Jato

Resultado de imagem para raquel dodge chargesJailton de Carvalho
O Globo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu à força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba que devolva nove cargos de assessores que hoje estão atuando na capital paranaense. Se não quiser atender o pedido, a força-tarefa terá que justificar a necessidade de manter o reforço. Segundo um procurador que acompanha o caso de perto, a pressão para retirada dos assessores reduzirá a capacidade de trabalho da força-tarefa e deverá diminuir o ritmo de trabalho da operação.

A ordem para devolução dos cargos consta de um ofício enviado pelo secretário-geral da PGR, Alexandre Camanho, ao coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol. “Informo a vossa excelência que o empréstimo de nove cargos em comissão pertencentes à estrutura desta Secretaria-Geral será encerrado no dia 11 de dezembro de 2017”, diz o ofício.

JUSTIFICATIVA? – No documento, enviado na quinta-feira, Camanho afirma que, “caso se faça imprescindível a manutenção do referido empréstimo, poderá ser enviada justificativa no prazo de sete dias para análise e deliberação desta Secretaria”.

Deltan deve se reunir com a equipe para decidir o que fazer a partir de agora. Camanho ocupa o segundo cargo mais importante na estrutura de poder da equipe da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Acima dele está apenas o vice-procurador-geral, Luciano Maia.

O pedido de retirada dos assessores deve ampliar as desconfianças que surgiram sobre os rumos da Lava-Jato desde as recentes trocas de comando na PGR e na Polícia Federal. Uma reportagem da Reuters afirma que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot avalia que, desde a chegada de Dodge e do novo diretor-geral da PF, Fernando Segovia, a Lava-Jato está sendo gradativamente desacelerada.

JANOT NO ATAQUE – “Segovia veio para cumprir uma missão: desviar o foco dessa investigação. Ao que me parece, pelas declarações que deu, ele tem a missão de desacreditar as investigações ou as investigações que envolvem essas altas autoridades da República brasileira. E, nas investigações, ele pode ter o efeito de atrapalhar — disse Janot, segundo a Reuters.

O ex-procurador-geral não fez comentários sobre a sucessora Raquel Dodge, mas outros dois procuradores, não identificados na reportagem, teriam dito que Dodge chegou a pedir que evitassem mencionar a palavra “corrupção” em declarações públicas. A sugestão seria passar a falar sobre direitos humanos, meio ambiente e outros temas menos espinhosos para a classe política.

Dodge disse, por meio da assessoria de imprensa, que tem combatido “com vigor” a corrupção por meio de “uma atuação firme e efetiva perante o Supremo Tribunal Federal”. Ela disse ainda que não faria sentido pedir a redução do uso da palavra corrupção, porque procuradores têm independência funcional. Camanho disse, por meio da assessoria, que pediu os cargos para atender pedidos de outras investigações. Mas, se a Lava-Jato justificar, poderá permanecer com os assessores. No Rio, Segovia disse que não tinha visto as declarações de Janot e não quis comentá-las.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Camanho jamais daria esta ordem sem conhecimento de Raquel Dodge, que é centralizadora e não dá espaços. Foi uma tentativa que não vai dar certo, porque a corporação reagiu imediatamente, vazou a notícia para a imprensa, a dupla Camanho/Dodge terá de recuar. Instituições como a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal são mais importantes do que seus dirigentes. Não adianta querer manipular os procuradores e delegados, porque eles reagem e destroem quem pensa que manda neles. Esta é uma das principais características da democracia. Se não recuarem, Raquel Dodge e Fernando Segóvia serão implacavelmente desmoralizados. (C.N.)

Antes de votar, pense nos Dez Deveres do Governante, na visão budista

Resultado de imagem para frases de budaAntonio Rocha

Sidarta Gautama, depois conhecido como Buda, era um príncipe. Até os 29 anos foi criado para ocupar o trono. Portanto, desde a mais tenra infância conviveu com o exercício do Poder. Conhecia muito bem as artimanhas palacianas, os meandros para governar um povo.

O texto a seguir data do século VI antes de Cristo, está nas páginas 160 e 161 da ótima edição lusitana “O Ensinamento de Buda”, do monge Walpola Rahula (1907-1997), do Sri Lanka, professor visitante em várias universidades dos EUA e Europa (livro lançado pelo Editorial Estampa).

Alguém pode falar que é pura ilusão, utopia, mas eu sou otimista. Assim – quem sabe? – lá pelo século 25 tenhamos governantes nestas condições. Ou então, por favor, que nossos líderes políticos, candidatos e candidatas, pelo menos, se aproximem um pouco da proposta budista.

1) Altruísmo, generosidade, caridade. O dirigente não deve ter avidez nem apego pela riqueza e bens materiais. Deve dispensá-los para o bem estar do povo.

2) Elevado caráter moral. Não deve em caso algum destruir vida, enganar, roubar e explorar outros. Não deve cometer adultério, proferir falsidades ou tomar bebidas intoxicantes.

3) Bem-estar social. Sacrificando tudo pelo bem do povo, deve estar preparado para abandonar todo conforto pessoal, fama e até mesmo a vida.

4) Honestidade e integridade. Deve eliminar o medo e o favorecimento no exercício dos seus deveres. Deve ser sincero nas intenções.

5) Bondade e afabilidade. Deve ter um temperamento simpático e cordial.

6) Austeridade nos hábitos. Deve conduzir uma vida simples, não se envolvendo em luxúria; deve ter autodomínio.

7) Superação da aversão, da animosidade, da inimizade. Não deve alimentar rancor contra ninguém.

8) Não violência. Significa que não deve prejudicar ninguém; deve procurar promover a paz, evitar e prevenir a guerra. Evitar toda forma de violência.

9) Paciência, tolerância, compreensão. Deve ser capaz de enfrentar contrariedades, dificuldades e a injúria sem perder a compostura.

10) Não fazer oposição, nem obstrução. Isto é, não deve opor-se a vontade do povo, nem obstruir quaisquer medidas que possam conduzir ao bem-estar do povo. Deve governar em harmonia com o povo.

Revista Veja diz que, mesmo impopular, Temer ainda pensa em disputar a reeleição

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Padilha é um dos entusiastas da reeleição de Temer

Daniel Pereira
Veja

Em certas situações, há uma diferença abissal entre o que os políticos dizem em público e o que armam nos bastidores. Na quarta-feira, dia 29, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarou que o presidente Michel Temer não tem a pretensão de disputar a reeleição: “O presidente diz, desde sempre, que cumprirá sua missão se conseguir colocar o Brasil nos trilhos. E, graças a Deus, o Brasil está começando a andar nos trilhos”. Nos gabinetes de Brasília, no entanto, o mesmo Padilha aparece como entusiasta da candidatura de Temer à reeleição. Seu principal parceiro nesse projeto é o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

Para a dupla de ministros, Temer, o mandatário mais impopular desde a redemocratização do país, pode conquistar um novo mandato se reerguer a economia. O crescimento do PIB e do nível de emprego transformaria a rejeição recorde de hoje em votos em 2018.

Não é só a economia que alimenta esse sonho eleitoral. Acusados de cobrar propina, Padilha e Moreira, identificados como “Primo” e “Gato Angorá” nas planilhas da Odebrecht, apostam na reeleição para que eles mesmos, além de Temer, preservem o foro privilegiado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Embora não tenha ocorrido crescimento do PIB no terceiro trimestre, pois o avanço foi de apenas 0,1%, o Planalto está eufórico, porque a agricultura teve recuo sazonal e vai se recuperar no último trimestre, fazendo  o PIB registrar crescimento consistente em 2017.  Por isso, Temer é candidatíssimo à reeleição e a mídia enfim começou a desconfiar que as informações divulgadas há meses pela Tribuna da Internet, com absoluta exclusividade, eram mesmo verdadeiras. Como dizia Ibrahim Sued, “sorry, periferia”. (C.N.)

Especialistas comprovam vulnerabilidade da urna eletrônica durante teste no TSE

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Fotomontagem do blog Zenzacional

Renan Ramalho
G1, Brasília

Especialistas em informática participaram nesta sexta-feira (01/12) de teste público de segurança das urnas eletrônicas a serem usadas na eleição de 2018 e conseguiram decifrar arquivos internos do equipamento. Segundo o coordenador de sistemas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José de Melo Cruz, é “possível” que os técnicos tenham conseguido identificar como foi o último voto registrado numa urna.

A informação foi passada pela manhã, quando os testes ainda estavam sendo feitos. Os resultados só devem ser divulgados no dia 12 de dezembro.

CAIXA PRETA – “Eles não tiveram acesso a dados do eleitor, tiveram acesso ao ‘log’, que é aquele sistema que vai monitorando a urna e escrevendo tudo que acontece na urna eletrônica, como a caixa preta de um avião, que vai registrando todos os dados do voo. E conseguiram acesso ao RDV, que é o registro digital do voto, mas não de alterar o RDV, mas sim de observá-lo”, disse José de Melo Cruz.

“Eles conseguiram essa penetração, mas não tiveram acesso à ordem de votação e todos os votos dados naquela urna. Não conseguiram identificar os votos de todos os presentes. É possível do último voto”, completou depois, quando questionado por jornalistas.

Testes similares já foram feitos em anos anteriores. Em 2016, o TSE testou as urnas antes das eleições municipais.

Melo disse que as falhas – decorrentes de uma atualização no sistema realizada recentemente – serão corrigidas. O presidente do TSE, Gilmar Mendes, enalteceu o teste, como forma de colaboração de técnicos com a segurança da urna.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais uma vez, fica comprovada a vulnerabilidade da urna eletrônica, que não é adotada em nenhum país decente, digamos assim. Se esses especialistas “convidados” encontraram vulnerabilidades, imaginem o que os especialistas de verdade podem fazer nessa jabuticaba eleitoral. No governo brasileiro, há dinheiro para tudo, até para comprar a consciência de parlamentares, mas sempre falta verba para moralizar o sistema de votação. Por que será? (C.N.)

Para reerguer o PT, Lula manda ser preparada uma nova “Carta aos Brasileiros”

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Catia Seabra
Folha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute com seus colaboradores a redação de uma nova “Carta aos Brasileiros”, a exemplo da lançada em 2002 para mitigar tremores na economia provocados, à época, pela iminência de sua vitória. Diferentemente da mensagem de 2002 – endereçada ao mercado financeiro -, a versão 2018 será uma carta de “compromissos com o povo”, especialmente a classe média. Presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, diz que seu destinatário será o país. “Não o mercado”.

Segundo aliados, Lula está preocupado com o clima de tensão no país e pretende estabelecer um diálogo direto com o eleitor. O ex-presidente tem repetido que essa será uma carta ao povo brasileiro “mesmo”.

COMPROMISSOS – Na carta, diz Okamoto, o petista assumirá compromissos que incluem a revisão do limites de gastos públicos e a revogação de medidas aplicadas pelo governo Temer.”É preciso assumir compromissos com o povo. E, sim, revogar medidas adotadas pelo governo golpista para implementação de um projeto verdadeiramente democrático e popular”, afirma Okamoto.

Ainda segundo o presidente do Instituto Lula, o texto pode ser divulgado no primeiro semestre de 2018. Mas seus coautores ainda não foram escalados.

Nesta sexta-feira, durante reunião com dirigentes do PT de São Paulo, Lula manifestou preocupação com o que chamou de “guerra de classe” que, segundo ele, está sendo criada contra sua candidatura.

SEM RISCOS – Na reunião, Lula disse que os resultados de seus governos passados, inclusive para a Bolsa de Valores, são uma prova de que não há risco de instabilidade para o mercado no caso de ele ser eleito novamente.

Embora anteveja o que chamou de radicalização na disputa presidencial de 2018, Lula minimizou o impacto sobre sua candidatura. “Não tenho medo do mercado. O mercado não vota. Quem vota é o povo”, disse Lula, segundo relato de petistas.

Mais uma vez, Lula lembrou o desempenho da economia durante seu governo e afirmou que o mercado financeiro foi beneficiado durante sua gestão.

INCERTEZA – O petista lidera as pesquisas de intenção de voto e está em campanha aberta. Na semana que vem, ele inicia uma caravana pelos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Antes, já havia feito viagens semelhantes pelo Nordeste e por Minas Gerais.

Sua candidatura ainda é incerta, no entanto. Condenado pelo juiz Sergio Moro por corrupção, ele pode ficar inelegível se o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmar a sentença.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGLula vive num mundo da fantasia, em que escapará da Justiça e será reeleito presidente da República. Mas a realidade é bem outra. Ele terá sua condenação confirmada, não poderá ser candidato e o PT será destroçado nessas eleições. O Plano B seria lançar Fernando Haddad à Presidência, mas o o ex-prefeito de São Paulo não quer aceitar o sacrifício de uma derrota anunciada. Prefere ser candidato a senador, porque são duas vagas e terá mais chances. Lula e o PT têm um encontro marcado com o fracasso, podem apostar. (C.N.)

O intento de recolonizar o Brasil assumido pelo atual governo

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Charge do Duke (O Tempo)

Leonardo Boff
O Tempo

A colonização e, especialmente, a escravidão não constituem apenas etapas passadas da história. Suas consequências perduram até hoje. A prova clara é a dominação e a marginalização das populações um dia colonizadas e escravizadas com base na dialética da superioridade-inferioridade, nas discriminações por causa da cor da pele, no desprezo e até no ódio ao pobre.

Não basta a descolonização política. A recolonização ressurge na forma do capitalismo econômico, liderado por capitalistas neoliberais nacionais, articulados com os transnacionais. A lógica que rege a recolonização é tirar o máximo proveito do extrativismo dos bens e serviços naturais e da exploração da força de trabalho, malpaga e, quando possível, pela redução de seus direitos individuais e sociais.

DESCOLONIZAÇÃO – Os primeiros a verem claro a recolonização foram Frantz Fanon, da Argélia, e Aimé Césaire, do Haiti. Propuseram um corajoso processo de descolonização para liberar a “história que foi roubada” pelos dominadores e que agora pode ser recontada e reconstruída pelo próprio povo.

No entanto, trava-se um duro embate por parte daqueles que querem prolongar a colonização e a escravidão, criando obstáculos para aqueles que buscam fazer uma história soberana baseada em seus valores culturais e suas identidades étnicas.

Césaire cunhou a palavra “negritude” para expressar duas dimensões: uma, da continuada opressão contra os negros, e outra, da resistência persistente e da luta obstinada contra todo tipo de discriminação. A “negritude” é a palavra-força que inspira a luta pelo resgate da própria identidade e pelo direito às diferenças. Césaire criticou duramente a civilização europeia por sua cobiça, invadindo, ocupando e roubando as riquezas dos outros países, atitude espiritualmente indefensável por ter difundido a discriminação e o ódio raciais.

COLONIALIDADE – Paralelamente ao conceito de “negritude”, criou-se o de “colonialidade” pelo cientista social peruano Anibal Quitano (1992). Por ela quer-se expressar os padrões que os países centrais e o próprio capitalismo globalizado impõem aos países periféricos: o mesmo tipo de relação predatória da natureza, as formas de acumulação e de consumo, os estilos de vida e os mesmos imaginários produzidos pela máquina midiática. Dessa forma, continuam a lógica do encobrimento do outro, o roubo de sua história e a destruição das bases para a criação de um processo nacional soberano. O Norte global está impondo a colonialidade em todos os países.

O neoliberalismo radical que está imperando na América Latina e de forma cruel no Brasil é a concretização da colonialidade. O poder mundial, seja dos Estados hegemônicos, seja das grandes corporações, quer reconduzir a América Latina à situação de colônia. É a recolonização como projeto da nova geopolítica mundial.

ENTREGUISMO – O golpe que foi dado no Brasil em 2016 se situa exatamente nesse contexto: trata-se de solapar um caminho autônomo e entregar a riqueza social e natural às grandes corporações. Isso se faz pelas privatizações de nossos bens. Freia-se o processo de industrialização para dependermos das tecnologias vindas de fora. A função que nos é imposta é a de sermos grandes exportadores de commodities.

Nomes notáveis da ecologia nos alertam que o sistema Terra chegou a seu limite e não suporta um projeto com tal nível de agressão social e ecológica. Ora, esse modelo, para nossa desgraça, é assumido pelo atual governo, corrupto e totalmente descolado do povo, praticante de um neoliberalismo radical que implica o desmonte da nação. Daí o dever cívico e patriótico de derrotarmos as elites do atraso, antipovo e antinacionais. Tudo tem limites. Há de surgir uma consciência patriótica na forma de uma generalizada rejeição social.

 

Acusado de ser agente da propina, ex-diretor da Globo está sumido do mapa

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Marcelo Campos Pinto era eminência parda da CBF

Sérgio Rangel
Folha

Marcelo Campos Pinto foi um dos principais personagens dos bastidores do futebol brasileiro nas duas últimas décadas. Em 1999, o advogado criou e moldou dentro da TV Globo o setor responsável pela compra dos direitos de transmissão dos principais eventos esportivos no Brasil e no mundo. A divisão rendeu bilhões de reais para a emissora, com o sucesso comercial das transmissões. Como executivo, se transformou no principal pagador do esporte brasileiro e passou a ser reverenciado por cartolas e homens de negócios.

Em 2006, a emissora foi escolhida pela Fifa como a vencedora do leilão pelos direitos de transmissão para o Brasil das Copas do Mundo de 2010 e 2014, mesmo oferecendo US$ 100 milhões a menos que a Record.

APOIO DE TEIXEIRA – Para ter sucesso, Campos Pinto contou com a ajuda de Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, que integrava o Comitê Executivo da Fifa, órgão responsável pela decisão.

O advogado foi demitido pela Globo em 2015, seis meses após a prisão de uma série de cartolas, incluindo o brasileiro José Maria Marin, acusados de receberem propina na venda de direitos de torneios no Brasil e no exterior.

Na ocasião, comunicado assinado por Roberto Irineu Marinho, presidente do Grupo Globo, relatava que o executivo se aposentaria. “Ao Marcelo, meu agradecimento pelo importante trabalho realizado durante mais de 20 anos de atuação no Grupo Globo”, disse Marinho.

PAGANDO PROPINAS – Na Justiça de Nova York, a Globo foi acusada pelo empresário Alejandro Burzaco, dono da Torneos y Competencias, de pagar suborno aos cartolas. Em depoimento, o argentino admitiu ter pago milhões de dólares em propina junto com a Globo e a mexicana Televisa para dirigentes do continente em troca dos direitos de transmissão de competições, como a Copa do Mundo de 2026 e 2030.

Segundo o executivo, Campos Pinto participou de reuniões com Marin e Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF, e deu o aval para o pagamento da propina.

Ainda segundo Burzaco, que assinou acordo de cooperação com a Justiça americana, Del Nero receberia junto com Marin US$ 600 mil em propina a cada ano relativo aos contratos de transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. Os valores teriam aumentado para US$ 900 mil em 2013.

FORA DO AR… – O ex-executivo da Globo não se manifesta desde o depoimento. Em nota, a Globo “afirma veementemente que não pratica nem tolera pagamento de propina”.

Apesar de ter deixado o comando do braço esportivo da Globo, o advogado continuava trabalhando no setor. Ele abriu uma empresa de marketing esportivo e circulava o país negociando parcerias com cartolas. Seu projeto era aumentar a programação dos canais de TV dos clubes e ampliar a participação deles no ambiente digital, algo comum nos EUA.

Em agosto, ele foi uma das atrações de um seminário promovido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e pela Fifa no Rio. Falou por mais de uma hora sobre o tema “esporte nas mídias digitais”.

COM OS CARTOLAS – Campos Pinto permanecia próximo dos dirigentes da CBF. O ex-executivo da Globo era presença frequente na sede da Confederação brasileira. Na FGV, ele foi apresentado como um profissional que participa “ativamente das discussões sobre calendários e formatos de competições”.

O advogado trabalhou na Globo por 21 anos. Mestre em Direito Comparado pela Universidade de Illinois, nos EUA, foi contratado como diretor jurídico em 1994. Após cinco anos, passou a comandar o braço esportivo, que liderou até a sua saída da empresa.

O sucesso comercial da sua carreira lhe garantiu uma vida abastada. Ele mora no Jardim Pernambuco, uma das regiões mais nobres do Rio. Nos últimos dias, Campos Pinto não é visto pelos seus vizinhos. Mesmo assim, ele está no Brasil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Está ficando engraçado. O Jornal Nacional diz que procurou o ex-diretor da Globo, para fazer entrevista, mas não conseguiu encontrá-lo. A emissora está jogando a culpa nele, que estrategicamente sumiu do mapa. Outro parceiro da Globo, o empresário J. Hawilla, fez acordo com a Justiça dos EUA, pagou 155 milhões de dólares e conseguiu se livrar, por enquanto. Mas nada impede que volte a ser convocado para prestar depoimento. Vamos aguardar. (C.N.)

No Dia Nacional do Samba, o chefe de Polícia pelo telefone, mandou me avisar…

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Pixinguinha, João da Baiana e Donga foram pioneiros 

Paulo Peres
Poemas & Canções

Hoje é comemorado o Dia Nacional do Samba e, neste sentido, não poderíamos esquecer do músico e compositor carioca Ernesto Joaquim Maria dos Santos, conhecido como Donga (1890-1974), que é lembrado pela gravação de “Pelo Telefone”, em 1917, considerado o primeiro samba gravado na história e por ter sido composto na casa da Tia Ciata, na Praça Onze atual Cidade Nova no Centro do Rio de Janeiro, famosa na época por reunir os maiores e melhores músicos populares da época, onde frequentavam, além de Donga e Mauro de Almeida, também João da Baiana, Caninha, Sinhô e Pixinguinha, entre outros.

“Pelo Telefone” tem uma estrutura ingênua e desordenada: a introdução instrumental é repetida entre algumas de suas partes (um expediente muito usado na época) e cada uma delas tem melodias e refrões diferentes, dando a impressão de que a composição foi sendo feita aos pedaços, com a junção de melodias escolhidas ao acaso ou recolhidas de cantos folclóricos. Este samba sintetiza aspectos da vida e da boemia no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século passado.

PELO TELEFONE
Mauro de Almeida e Donga

O chefe de Polícia pelo telefone,
Mandou me avisar,
Que na Carioca tem uma roleta
Para se Jogar.

Ai, ai, ai, deixa as mágoas para traz, o rapaz,
Ai, ai, ai, fica triste se és capaz e verás.

Tomara que tu apanhes
Pra nunca mais fazer isso,
Roubar o amor dos outros
E depois fazer feitiço.

Olha a rolinha, sinhô, sinhô,
Se embaraçou, sinhô, sinhô,
Caiu no laço, sinhô, sinhô,
Do nosso amor, sinhô, sinhô,
Parte deste samba, sinhô, sinhô,
É de arrepiar, sinhô, sinhô,
Põe perna bamba, sinhô, sinhô,
Mas faz gozar.

O peru me disse,
Se você dormisse, não fazer tolice,
Que eu não saísse, dessa esquisitice,
Do disse me disse.

Queres ou não, sinhô, sinhô,
Ir pro cordão, sinhô, sinhô,
Ser folião, sinhô, sinhô,
De coração, sinhô, sinhô,
Porque este samba, sinhô, sinhô,
É de arrepiar, sinhô, sinhô,
Põe perna bamba, sinhô, sinhô,
Mas faz gozar.

André Vargas se humilha diante de Moro, quer devolver propinas e refazer a vida

Ao depor, Vargas tentou comover o juiz Moro

Cleide Carvalho
O Globo

Condenado duas vezes na Lava-Jato e alvo de uma terceira ação penal, o ex-deputado André Vargas disse ao juiz Sergio Moro, durante interrogatório nesta sexta-feira, que pretende devolver o dinheiro de propina e refazer sua vida. Ele foi condenado a 13 anos e 10 meses de prisão por ter recebido cerca de R$ 1 milhão em vantagem indevida pela contratação da agência de publicidade Borghi & Lowe em licitações federais. Também recebeu pena de 4 anos e seis meses por lavagem de R$ 480 mil na compra de uma casa. Ele também foi acusado pelo Ministério Público Federal de ter recebido valores também na contratação da empresa de informática IT7 pela Caixa Econômica Federal. Vargas nega ter influenciado a decisão da Caixa.

“Eu vou fazer a devolução, quero refazer minha vida” — disse Vargas ao juiz, acrescentando: “Só fiz politica, não fiz patrimônio. Não tenho evolução patrimonial a descoberto”.

NEGÓCIOS DO IRMÃO – O irmão de André Vargas, Léon Vargas, também foi condenado na Lava-Jato e foi acusado de servir como ponte para propinas repassadas pelo doleiro Alberto Youssef. No depoimento a Moro, Vargas disse que não sabia dos negócios do irmão com Youssef, a quem conhecia há mais de 20 anos.

Vargas e Youssef nasceram em Londrina, no Paraná. Segundo o ex-deputado, quando os dois se conheceram o doleiro ainda “vendia coxinhas no aeroclube” da cidade e ele trabalhava numa empresa de material de construção, cujo dono tinha um avião.

Vargas foi um dos primeiros políticos flagrados na Lava-Jato. Nas escutas, foi pego combinando uma viagem de férias num jatinho pago pelo doleiro. Em delação premiada, o Youssef disse ter entregado R$ 1,62 milhão em dinheiro no apartamento funcional de Vargas em Brasília. O recebedor teria sido o irmão dele, Léon Vargas, também réu na ação. A contadora do doleiro, Meire Pozza, confirmou ter emitido notas fiscais frias para pagar propina aos irmãos Vargas.

André Vargas negou as acusações e diz que Youssef mentiu. Alegou que não influenciou na contratação da empresa IT7, pois seu relacionamento com funcionários da Caixa e do Banco do Brasil era apenas de base política.

SEGUNDA INSTÂNCIA – O ex-deputado já teve a condenação de 13 anos confirmada em segunda instância. Ele está preso preventivamente desde abril de 2015 e, em breve, deve começar a cumprir a pena confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Em nenhum momento Vargas havia admitido que recebeu a propina ou que tenha usado dinheiro ilícito na compra de sua casa em Londrina.

Nesta semana, seus advogados chegaram a pedir a Moro que marcasse outra data para o interrogatório, já que Vargas recebe unicamente às sextas-feiras à tarde a visita da mulher e dos filhos. O juiz negou o pedido e disse que não caberia ao juízo ajustar-se às conveniências do acusado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Antes, a arrogância, a exibição e a desfaçatez, que levaram o então deputado André Vargas (PT-PR) a humilhar o ministro Joaquim Barbosa em plena sessão da Câmara. Agora, a covardia, o medo e a submissão, ao tentar comover o juiz Sérgio Moro. Como diz o velho ditado, nada como um dia atrás do outro. (C.N.)

Gilmar Mendes precisa sofrer impeachment e receber tratamento especializado

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Charge do Mário (Arquivo Google)

Carlos Newton

É evidente que os demais ministros do Supremo já perceberam que o comportamento do ministro Gilmar Mendes não é normal e suas decisões contribuem para desgastar cada vez mais a imagem do Poder Judiciário, exatamente num momento crucial em que a política e a administração pública estão submetidas a um rigoroso processo de moralização que jamais teve similar no país. Na forma da lei, já existem motivos suficientes para que se peça o impeachment do ministro, mas isso não vai acontecer, porque seu comportamento não representa um fato isolado e a grande maioria dos integrantes do tribunal tem concorrido para levar adiante o processo de desmoralização da Justiça.

A decisão de soltar novamente o corruptíssimo empresário Jacob Barata Filho demonstra que o ministro Gilmar Mendes perdeu a noção das coisas, pois tomou uma decisão sem sustentação jurídica, com base apenas no exercício da soberba, um dos mais conhecidos pecados capitais, definido no Eclesiastes pela expressão latina «Vanitas vanitatum omnia vanitas» (Vaidade das vaidades, tudo é vaidade»..

PELA TERCEIRA VEZ – Em agosto, o ministro do Supremo Tribunal Federal já tinha concedido outros dois habeas corpus ao empresário, com quem teve relações pessoais, por ser padrinho de casamento da filha de Barata e tio do noivo.

Já houve reação a esses procedimentos, mas não adiantou nada. Quando Gilmar Mendes mandou voltar Barata pela segunda vez, em agosto, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) enviou carta-aberta ao Supremo, pedindo aos magistrados para “conter a ação e o comportamento” do ministro Gilmar Mendes. O documento da Associação afirma que “o ministro se destaca e destoa por completo do comportamento dos demais integrantes da Corte”, criticando “a desenvoltura” com que Gilmar Mendes se envolve em assuntos “fora dos autos” e questionando a imparcialidade do ministro para aturar nos processos que envolvem o compadre Jacob Barata Filho.

SEM JUSTIFICATIVA – O pior é que esta terceira decisão nem teve justificativa jurídica. Não levou em conta o fato de Barata continuar dirigindo as empresas envolvidas em corrupção, mesmo estando sob prisão domiciliar. Gilmar Mendes alegou que os decretos de prisão concedidos pela 7ª Vara Federal Criminal e pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região foram uma maneira de contornar sua decisão anterior de libertar o empresário corruptor.

“Tenho que a decisão do Juízo de origem sugere o propósito de contornar a decisão do STF. Dado o contexto, é viável conceder ordem de ofício, suspendendo a execução de ambos os decretos de prisão em desfavor do paciente”, decretou o ministro do STF, desconhecendo toda a base jurídica que fundamentou os pedidos de prisão.

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P.S. 1
Como se sabe, não se trata de um criminoso comum. Barata é réu em duas ações penais no Rio, acusado de pagar R$ 500 milhões em propinas a políticos fluminenses.

P.S. 2Ao julgar réus com os quais se relaciona e tem amizade, como Barata Filho e Michel Temer, o ministro descumpre as leis e o próprio Regimento do Supremo. Mas a quem reclamar, se quase todos os ministros do Supremo também descumprem essas leis?

P.S. 3 –  Ao que parece, as instituições apodreceram, mas os magistrados ainda não conseguem sentir o cheio nauseabundo, putrefato e pestilento que eles mesmos exalam. (C.N.)

Publicidade comercial não muda opinião pública nem funciona no campo político

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Charge do Angeli (Folha)

Pedro do Coutto

A publicidade tradicional não muda opinião pública e nem é capaz de influir em nada no campo político e na esfera da administração pública. Ela funciona extraordinariamente no plano comercial, através de axiomas que utiliza, mas no plano político as mensagens de comunicação exigem teoremas. O axioma não necessita comprovação. O teorema, ao contrário baseia-se totalmente na força real de seu conteúdo. Nada como a prática para confirmar teorias. E agora mesmo o governo Michel Temer constatou que não conseguirá aprovar a reforma da Previdência Social este ano, embora tenha despendido um bilhão e seiscentos milhões de reais em contas publicitárias, 90% concentradas nas emissoras de televisão.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi quem alertou Michel Temer da impossibilidade, alerta que se estende também ao ministro Henrique Meirelles, autor da iniciativa, e que sai enfraquecido do episódio. Não conseguiu o governo sensibilizar a população.

REPERCUSSÃO – A decisão de retardar a reforma da Previdência foi manchete principal dos quatro jornais mais importantes do país: O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Valor. Destaque, a meu ver, para a reportagem de Geralda Doca, Martha Beck, Manoel Ventura e Gustavo Schmitt, em O Globo desta sexta-feira.

O desenrolar do episódio leva inevitavelmente a uma reflexão, através da qual se pode diferenciar concretamente os campos da publicidade e do jornalismo. A publicidade transmite um apelo direto ao consumo, mas ao consumo de produtos adquiridos nas lojas. Nada tem a ver com a realidade em que se baseia a opinião pública. Os dois quadros são complexos e guardam limites entre si. Lendo a obra principal de McLuhan, “Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem”, verifica-se que entre seus mil acertos, cometeu um equívoco: o meio é a mensagem, porém depende, na esfera política pública, do conteúdo que pode apresentar no rumo do interesse coletivo. Nada tem a ver também com a venda de aparelhos de TV, geladeiras ou smartphones.

MEIO E MENSAGEM – Por falar no meio e na mensagem, esse livro foi objeto de uma brilhante análise do jornalista José Lino Grunewald, separando as mensagens com base na sua direção. Ele incluiu um comentário à quase homofonia, em inglês, das palavras mensagem e massagem, no sentido de um estímulo para a vontade. Mas essa é outra questão.

A publicidade comercial é um fato importantíssimo para a vida humana, suas pretensões, seus apelos seus desejos. Ontem, por exemplo, o Banco Itaú desfechou uma publicidade maciça ocupando duas páginas das edições dos quatro principais jornais que citei há pouco. Investiu na imagem. Perfeito.

Mas no plano político e da opinião pública, é preciso que a mensagem leve consigo um conteúdo positivo, através de uma proposta também positiva.  Eu sempre digo, e repito agora, que o jornalismo é fortíssimo quando se projeta no sentido das ondas que chegam à praia. Mas não tem a mesma força, nem de longe, para inverter a rota, para citar Ari Barroso, das espumas que se desmancham na areia.

GOEBBELS MENTIU – Finalmente um ponto a acrescentar: Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, afirmou certa vez, falsamente, que uma mentira repetida por vezes transforma-se em verdade. Mentiu para o covil dos abutres que dominava a Alemanha e mentiu para o povo alemão.

A opinião pública sempre haverá de distinguir entre um conteúdo falso e um conteédo verdadeiro. Porque se alguém está comprando espaço na mídia , evidentemente não poderá usá-lo contra si mesmo.

Principio universal de direito: ninguém pode ser ao mesmo tempo juiz e parte.

Patrimonialismo, radicalização política e democracia em crise

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Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

O economista Eduardo Giannetti da Fonseca defendeu ontem, em palestra na Academia Brasileira de Letras (ABL), que o patrimonialismo que domina o Estado brasileiro é a principal causa da disfunção de nossa democracia, e por isso a Operação Lava Jato tem importância como a principal ação corretiva de uma situação que predomina desde que o Brasil foi descoberto pelos portugueses.

O painel de que ele participou, dentro do ciclo Brasil, brasis da ABL, tinha o título genérico de “Crise e metamorfose da democracia”, e foi coordenado pela escritora e acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira. Ao apresentar os participantes, Gianneti e o ex-presidente do Supremo Ayres Britto, Rosiska ressaltou a atualidade do tema do debate, já que a democracia está em xeque em várias partes do mundo, devido à falta de credibilidade dos políticos e à sensação de que eles não representam os cidadãos.

RADICALIZAÇÃO – Roziska lembrou que nas últimas eleições pelo mundo a radicalização política foi a tônica, levando à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e ao aumento de votação em partidos extremistas, à esquerda e à direita em diversos países da Europa. Outro aspecto ressaltado por Rosiska é o fenômeno, disseminado pelo mundo, do voto de protesto, que se reflete no aumento dos votos brancos e nulos e o não voto, com o aumento das abstenções.

São tendências já sentidas no Brasil com o aumento gradativo dos votos brancos e nulos nas últimas eleições, inclusive a mais recente, para governador do Amazonas, quando votos brancos, nulos e abstenções registraram quase 50%.

PATRIMONIALISMO – Para Giannetti da Fonseca, o patrimonialismo brasileiro tem sua origem na formação de nosso país.  Ao contrário dos Estados Unidos, país que foi organizado pelos e para os imigrantes que lá chegaram, o Brasil, segundo Giannetti, foi criado para abrigar a Coroa portuguesa, e até hoje o Estado serve aos governantes. Ele vê essa tensão entre o governo e a sociedade num ponto à beira de uma ruptura, e disse que não se espantará se chegarmos num momento revolucionário desencadeado por uma fagulha qualquer, como em 2013 quando uma campanha contra o aumento do preço dos ônibus desencadeou um movimento popular que encurralou o governo Dilma.

Outro ponto de quase ruptura, na sua análise, foi a campanha de 2014 quando Marina Silva, a quem apoiava, tornou-se candidata devido à tragédia que matou o ex-governador Eduardo Campos, e quase teve condições de desbancar a polarização entre PT e PSDB, cujos candidatos afinal foram para o segundo turno.

ROMPIMENTO – Esse rompimento só não se deu, segundo Eduardo Giannetti, devido a uma campanha de violência inaudita contra Marina, cuja presença na disputa teria uma característica disruptiva, interrompendo uma situação política tradicional que dominava a disputa eleitoral brasileira há 23 anos.

Segundo Giannetti, a Operação Lava Jato, por si só, não tem condições de alterar essa cultura patrimonialista, mas as eleições de 2018 têm condições para isso, caso a sociedade as utilize para forçar uma mudança de paradigma, que seria consolidada com uma reforma política.

BRITO, OTIMISTA – O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Brito, outro palestrante do Painel, mostrou-se mais otimista na manutenção de nossa democracia, que segundo ele está em crise, mas em metamorfose, parafraseando o título geral do debater, que era “Crise e metamorfose da democracia”.

Para Ayres Brito, o ponto de inflexão foi o julgamento do mensalão, que ele presidiu no Supremo. A partir dali teria sido aberto um caminho para concretizar a máxima de que todos são iguais perante a lei. O ex-presidente do Supremo utilizou-se da Constituição de 1988 para defender uma visão otimista do futuro do país, garantindo que é possível encontrar-se no texto constitucional a solução para todos os problemas que afligem nossa democracia.

Em Minas, mais da metade dos juízes receberam acima do teto de R$ 33 mil

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Deu em O Globo

Quase quatro meses após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinar a todos os tribunais do país que divulgassem os salários de seus magistrados, apenas três cortes enviaram a lista no modelo exigido: Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES) e Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Entre os que se adaptaram à planilha estabelecida pelo CNJ, em novo padrão com valores discriminados em rendimento líquido estabelecido em 20 de outubro, é possível verificar que mais da metade dos juízes e desembargadores do TJ-MG recebeu acima do teto constitucional, fixado em R$ 33.763.

De um total de 1.548 magistrados naquela corte, 877 receberam mais do que o limite estabelecido na Constituição. O número corresponde a 56,65% do total de juízes e desembargadores. Do grupo de 877 que ganharam acima do teto, 79 (9%) receberam mais de R$ 50 mil. O maior rendimento foi de R$ 67.552,95.

OUTROS ESTADOS – Enquanto a divulgação do TJ-MG refere-se a outubro, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES) e o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) divulgaram os valores atualizados até novembro. Apenas o TRE-SP não ultrapassou o teto.

No TJ-ES, de um total de 459 magistrados, 42 receberam mais que o limite constitucional, o que equivale a 9,1% deles. Houve nove juízes ou desembargadores que receberam acima de R$ 50 mil, sendo R$ 94.976,79 o maior. Logo atrás, houve ma remuneração que chegou a R$ 85.310,48.

A divulgação dos salários de juízes e desembargadores é uma determinação da ministra Cármen Lúcia, que preside o Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio CNJ. Por meio de uma Portaria (nº 63) publicada no dia 17 de agosto, ela definiu que todos os tribunais brasileiros deveriam enviar cópias das folhas de pagamentos dos magistrados. A partir de então, as cortes teriam 10 dias úteis para encaminhar dados desde janeiro deste ano.

DIREITOS LEGAIS – Questionado, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) afirmou que “os magistrados não recebem acima do teto”. Em nota, o TJ-MG disse que “o vencimento básico (subsídio mensal) no Tribunal de Justiça de Minas Gerais não extrapola o teto legal. A aplicação do limite constitucional (teto) no âmbito do Poder Judiciário é regulamentada pelas Resoluções 13 e 14 do Conselho Nacional de Justiça. Os valores pagos pelo TJMG atendem às disposições legais e a esse limite.”

“Os valores questionados se referem a direitos legais, como o pagamento de férias vencidas e não gozadas referentes a períodos anteriores. Tais valores são pagos para assegurar a eficiência e a continuidade do serviço público.”

Também em nota, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo respondeu: “O Poder Judiciário Espírito Santo paga o 13º salário aos magistrados e servidores no mês do aniversário, por força de Lei Estadual.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os tribunais fazem o que bem entendem, esta é a realidade brasileira. Mas não tem jeito. Os penduricalhos da nomenclatura brasileira são todos legais, reconhecidos pela generosidade do Supremo Tribunal Federal. São direitos adquiridos, e isso é verdade. Só que foram adquiridos à custa do povo brasileiro, que lhes paga os salários. (C.N.)

Pela terceira vez, Gilmar Mendes manda soltar o empresário Jacob Barata Filho

Gilmar Mendes

Gilmar está dedicado a desmoralizar a Justiça

Deu no Estadão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar outra vez o empresário Jacob Barata Filho, o “Rei do ônibus”. Gilmar acolheu pedido de habeas corpus da defesa de Barata e revogou decretos de prisão preventiva que pesavam contra ele. Em outra decisão, o ministro também revogou a ordem de prisão do ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor) Lelis Marcos Teixeira.

É a terceira vez que Gilmar manda soltar Barata. Em agosto, o ministro deu habeas para o “Rei do Ônibus” em duas oportunidades seguidas, derrubando decisões do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio.

DOIS DECRETOS – Em novembro, dois novos decretos de prisão foram expedidos contra Barata, um pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o outro pela 7ª Vara. Os investigadores alegaram que o empresário não teria se desligado de suas empresas e continuava sendo seu administrador.

“No ponto em que determinou a prisão preventiva do ora paciente (Barata), a decisão do Tribunal Regional Federal sugere o propósito de contornar a decisão do STF”, assinalou Gilmar em sua nova decisão.

“Por todas essas razões, tenho que a decisão do Juízo de origem sugere o propósito de contornar a decisão do STF. Dado o contexto, é viável conceder ordem de ofício, suspendendo a execução de ambos os decretos de prisão em desfavor do paciente. Tenho que o contexto impõe a desconstituição da decisão que decretou a nova prisão preventiva, sem prejuízo de nova avaliação, após o contraditório. Ante o exposto, revogo a prisão preventiva decretada no Processo 2017.7402.000018-7, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, e a prisão preventiva decretada pela 7.ª Vara Federal do Rio de Janeiro nos Autos 0504942-53 2017.4.02.5101. Publique-se. Brasília, 30 de novembro de 2017. Ministro Gilmar Mendes.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, Gilmar Mendes continua dedicado à sua tarefa de desmoralizar a Justiça brasileira. É preciso reconhecer que ele é muito bom nisso, um verdadeiro especialista. E está conseguindo resultados surpreendentes, nesta tenebrosa missão. Seu estado de saúde mental exige cuidados, mas quem se importa? (C.N.)

Batalha final na política não é atribuição do Ministério Público

Nós, representantes de diversos movimentos da sociedade civil organizada, estamos reunidos na Câmara dos Deputados, neste dia 29 de novembro de 2017, para registrar total repúdio ao que aconteceu nesta casa no fatídico 29 de novembro de 2016.

Chequer (centro) e Ferreira (esq.) em campanha

Bernardo Mello Franco
Folha

Na segunda-feira, Deltan Dallagnol declarou que a eleição de 2018 será a “batalha final” da Lava Jato. Ele descreveu o Congresso como a “maior ameaça” à operação. Em seguida, defendeu a escolha de parlamentares “identificados com a agenda anticorrupção”.

A indicação de candidatos a deputado ainda não faz parte das atribuições do Ministério Público. O procurador informou que não se tratava disso. “Não há tentativa de politizar um trabalho que é técnico, imparcial e apartidário”, afirmou. Dois dias depois, um ato em Brasília sugeriu que a coisa pode não ser bem assim.

CAMPANHA – Grupos de apoio à força-tarefa foram ao Congresso lançar uma campanha para influenciar as eleições parlamentares. A iniciativa foi batizada de “Tchau, queridos”, uma referência ao slogan usado nas passeatas a favor do impeachment.

Um dos líderes do ato, o ativista Marcos Paulo Ferreira prometeu divulgar um índex de políticos que não mereceriam ser reeleitos. “Vamos publicar em todos os cantos do país quem são esses que não podem voltar a essa Casa no ano que vem. Tchau, queridos”, disse.

Ferreira se apresentou como presidente do Instituto Mude, mas também é pastor da igreja frequentada por Dallagnol em Curitiba. Ele organizou viagens e entrevistas do procurador durante a campanha das Dez Medidas contra a Corrupção.

RANKING DOS POLÍTICOS – Na quarta-feira, o pastor posou ao lado de Rogerio Chequer, líder do movimento antipetista Vem Pra Rua. Eles apresentaram a ferramenta Ranking dos Políticos, que classifica os parlamentares “do melhor para o pior”. Dos dez primeiros colocados, quatro são filiados ao PSDB. Os outros seis também pertencem a siglas que apoiam o governo de Michel Temer.

Não parece bom para a Lava Jato que procuradores deem declarações genéricas contra o Congresso ou expressem o desejo de influenciar as eleições. A “batalha final” da operação deve ser travada nos tribunais. Nas urnas, a palavra cabe ao eleitor.

Ibope: 41% estão otimistas com 2018, mas 86% acham que o governo é corrupto

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Daniel Bramatti
Estadão

A expectativa no governo federal é de que a melhora lenta da atividade econômica – incluindo os indicadores de crescimento, renda e emprego – se transforme em um ativo eleitoral para impulsionar um candidato governista na disputa presidencial do próximo ano.  Porém, a mais recente pesquisa do Ibope traz más notícias para Temer: mais de 80% da população considera que o governo brasileiro é corrupto, está no rumo errado e não respeita a vontade dos cidadãos. A pergunta específica sobre a economia em 2018 revela que 28% dos brasileiros preveem mais dificuldades em 2018, e que quase metade (48%) prevê que nada mudará em relação a este ano.

“Apesar de a economia dar sinais de melhora, ela ainda não está sendo percebida pela população, por isso a expectativa em relação ao próximo ano é a pior da série histórica medida desde 2010”, disse Márcia Cavallari, diretora executiva do Ibope.

MEIRELLES CITADO – O futuro de Temer está atrelado ao bom desempenho da economia principalmente porque o nome mais citado entre os possíveis candidatos da coalizão governista é justamente o de seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do PSD. A avaliação do Palácio do Planalto é a de que os indicadores de emprego e renda estarão mais favoráveis no próximo ano, o que dará aos governistas capital político para disputar a Presidência.

No final de setembro, levantamento do Ibope revelou que apenas 3% da população consideram a gestão de Temer ótima ou boa. Agora, o instituto fez um questionamento menos específico, sobre como será o ano que vem “de maneira geral”. Para 41%, será melhor (queda de 27 pontos porcentuais em relação à pesquisa de 2016). Para 29%, será pior (os pessimistas eram 17% há 12 meses).

O Ibope fez a pesquisa como parte de um estudo internacional sobre as expectativas em relação a 2018 e a percepção das populações de diferentes países sobre diversos governos e líderes mundiais.

CORRUPÇÃO – No caso do Brasil, 86% concordam com a afirmação de que o governo é corrupto. Para 81%, a vontade da população não é respeitada. Apenas 12% consideram que o País está sendo conduzido pelo caminho certo, e 85% opinam o contrário.

Segundo a pesquisa, há diferenças significativas nos níveis de otimismo em relação à economia nas distintas regiões do País. No Sul, por exemplo, apenas 14% dos moradores esperam prosperidade no ano que vem – sete pontos porcentuais a menos do que na média nacional. No outro extremo, o Norte/Centro-Oeste, 29% estão otimistas.

O levantamento do Ibope foi realizado entre os dias 20 e 27 de novembro, com 2.002 entrevistados em 142 municípios de todas as regiões do Brasil. A margem de erro estimada é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95% – ou seja, se 100 pesquisas fossem feitas com a mesma metodologia, 95 teriam resultado dentro da margem de erro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao contrário do que se pensa, a pesquisa é favorável a Temer, que vai considerar o resultado como um incentivo à sua candidatura. Afinal, 41% acham que 2018 será melhor do que 2017. Isto é tudo o que Temer queria ouvir para ficar animado com a possibilidade de reeleição. Para ele, não importa que 86% achem que o governo é corrupto. Temer não está nem aí e só pensa “naquilo”... (C.N.)

“Provas” que o doleiro Tacla Duran enviou à CPI foram grotescamente fraudadas

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Duran mentiu descaradamente ao depor na CPI

Carlos Newton

O advogado doleiro espanhol Rodrigo Tacla Duran, que trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016 e conseguiu fugir para a Espanha, transformou-se em agente de uma campanha de desmoralização contra o juiz federal Sérgio Moro e a própria Lava Jato. O criminoso foragido tem se oferecido para dar sucessivas entrevistas à imprensa brasileira e suas bombásticas declarações viralizam na internet, repercutidas por sites e blogs ligados a partidos e políticos envolvidos nos esquemas de corrupção, é um verdadeiro festival.

Aqui na “Tribuna da Internet” temos mantido distância desse tipo de “informante”, porque estamos apoiando com entusiasmo a luta contra a corrupção desfechada pela força-tarefa da Lava Jato, formada pela Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e Receita Federal. E nossas suspeitas sobre Tacla Duran vem agora a ser confirmadas, em seu depoimento à CPI da JBS, pois as provas apresentadas (fotos de mensagens em celular) foram claramente falsificadas.

FOTOS E PERÍCIA – Como se sabe, o doleiro espanhol apresentou nesta quinta-feira (dia 30) à CPI da JBS uma perícia para mostrar que são verdadeiras as mensagens que ele teria trocado com o advogado Carlos Zucolotto, amigo e padrinho de casamento do juiz Sergio Moro. O foragido Duran apresentou fotos de mensagens de Zucolotto pelo Wickr, um aplicativo que deleta correspondência automaticamente depois de um curto espaço de tempo. E com essas “provas” ele reforçou as acusações de que o amigo de Moro teria intermediado negociações paralelas dele com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Uma das definições mais perfeitas de Estatística serve também para Perícia, ao assinalar que é “a arte de torturar os fatos até que eles confessem o objetivo que se pretende”. No caso de Duran, a perícia arranjada por ele é de fancaria, uma armação mal feita e que não comprova nada, muito pelo contrário, aliás.

Imagens de mensagens que Tacla Duran afirma ter trocado com Zucolotto

Primeira, terceira e quarta respostas de Tacla Duran não têm horário da transmissão

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JOGO DOS NOVE ERROS

1 – Duran era usuário do aplicativo Wickr, que deleta correspondência automaticamente depois de um curto espaço de tempo. A simples utilização desse recurso já demonstra que Duran é um pilantra envolvido em ilegalidades, porque pessoas decentes não usam programas que apagam suas mensagens.  

2 – Como o aplicativo Wickr desfaz as conversas, isso significa que Duran fez questão de fotografá-las naquela época, há quase dois anos. E somente agora, na CPI da JBS, subitamente se lembrou de apresentá-las. Quem é que pode acreditar numa bobagem dessas?

3 – E de repente Duran surgiu com essas fotos, depois tê-las submetido na Espanha a um exame pericial, que deve ser do mesmo tipo da “perícia” que foi encomendada pelo advogado de Temer na gravação de Joesley Batista, como todos se lembram.   

4 – É duro ver esta armação ser acolhida pela imprensa, para caluniar o advogado Carlos Zucolotto, que representou o escritório de Duran apenas em ações trabalhistas, antes da Lava Jato, e que afirma jamais ter trocado mensagens com Duran, até mesmo porque nunca baixou em seu telefone o aplicativo Wickr.

5 – Não é necessário ser “perito” em Campinas ou em Madri para identificar a fraude urdida pelo doleiro Tacla Duran. E fica claro que a conversa foi montada para atingir diretamente o juiz Moro, ao qual nas falsas mensagens Zucolotto se referiria como “DD”, que significa Digníssimo, uma forma de denominar magistrados.

6 – A conversa não tem a menor verossimilhança, porque Duran teria de pagar uma multa de R$ 15 milhões e isso não existe. O valor da multa só é fixado na sentença ou na homologação do acordo de delação premiada.

7 – Além disso, nenhum cliente aceitaria pagar a um advogado R$ 5 milhões por ter reduzido uma dívida de R$ 15 milhões para R$ 5 milhões. Ou será que alguém  pode acreditar nisso? Perguntem a qualquer advogado.

8 – O pior mesmo foi a falta de cuidado ao montar as “mensagens” no aplicativo. O autor da fraude simplesmente esqueceu de inserir o horário de transmissão na segunda resposta de Duran, assim como na terceira e na quarta respostas. E o famoso “perito” espanhol nem percebeu este importante detalhe…

9 – Para culminar, inexplicavelmente as fotos foram feitas por outro celular. Ora, por que Duran se daria ao trabalho de usar um celular adicional, se poderia ter simplesmente  gravado/fotografado as mensagem em seu próprio celular. É um amadorismo gritante e revelador.

MORO DEFENDE – Duran não faz acusações diretas ao juiz Sergio Moro. O magistrado, no entanto, saiu em defesa do advogado quando a Folha revelou as acusações. Na época, afirmou ser lamentável que a palavra de um acusado foragido da Justiça brasileira seja utilizada para levantar suspeitas infundadas sobre a atuação do Poder Judiciário.

Mas a Folha de S. Paulo insistiu em prestigiar o doleiro, que diz estar escrevendo um livro para destruir a Lava Jato, vejam que pretensão. E agora esta deplorável figura é entrevistada pela CPI mista da JBS via teleconferência, para seguir denegrindo um juiz notável quanto Sérgio Moro, que já se tornou uma das personalidades mais admiradas do mundo.

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P.S. –
O mais ridículo é que sites e blogs estejam a noticiar que a mulher de Moro desistiu de manter sua página nas redes sociais por causa dessas novas acusações de Tacla Duran. Como dizia o mestre Ataulfo Alves, a maldade nessa gente é uma arte… (C.N.)

Janot diz que a Lava Jato será freada por Segovia, que ainda não deu resposta

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Segóvia disse que ainda não leu as críticas de Janot

Gabriel Barreira
G1 Rio

O novo diretor geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, não quis falar sobre as críticas feitas pelo ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot. Mais cedo, à agência Reuters, Janot disse que Segóvia foi escolhido para o cargo para frear as investigações dos políticos na Lava Jato. “Não sei quais foram as declarações, ainda vou ler. Não posso prejulgar. Quando eu as ler e souber, posso falar alguma coisa”, desconversou. Antes, em seminário no Centro do Rio, Segóvia elogiou a operação. Disse que o “governo organizado” estava agindo contra a corrupção.

“O país está mudando. Algumas pessoas não estão se apercebendo disso, outros estão acordando para o problema. Acredito que o país inteiro espera e já vem vendo as mudanças que estão sendo engendradas na parceria da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal”, afirmou.

À agência de notícias, Janot – que também criticou a sua sucessora Raquel Dodge – afirmou: “Segóvia veio para cumprir uma missão: de desviar o foco dessa investigação. Ao que me parece, pelas declarações que deu, ele tem a missão de desacreditar as investigações ou as investigações que envolvem essas altas autoridades da República brasileira. E nas investigações ele pode ter o efeito de atrapalhar sim”.]

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É difícil acreditar que Janot tenha dito essa bobagem. Como ex-procurador-geral, Janot está cansado de saber que Segóvia não tem como frear a Lava Jato. Se tentar fazê-lo, a corporação o denunciará e sua carreira estará liquidada. A mesma situação vive Raquel Dodge na Procuradoria. A Lava Jato é irrefreável, indomável e irrepresável. Janot para que está ficando abestado, como diz o deputado Titirica. (C.N.)

Participação de Eike Batista na CPI do BNDES foi simplesmente um passeio…

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Senadores foram compreensivos, Eike deitou e rolou

Bernardo Mello Franco
Folha

Eike Batista perdeu a peruca, mas não perdeu a pose. Em depoimento à CPI do BNDES, ele se apresentou como visionário, patriota e perseguido pela Lava Jato. Os senadores facilitaram o passeio com perguntas dóceis e inofensivas.

Preso em janeiro sob acusação de pagar propina a políticos, o ex-bilionário foi recebido como um convidado VIP. Ficou tão à vontade que parou a conversa para exibir um filme promocional. O vídeo exaltava o Porto do Açu, um dos empreendimentos que o império X deixou pela metade.

SOLDADO DO BRASIL – “Ele foi desenhado para ser eficiente ao extremo”, enalteceu Eike, no mesmo tom em que vendia seus projetos megalômanos. “Eu sou um brasileiro, sempre fui um soldado do Brasil”, continuou.

Na maior parte do tempo, só dois senadores ouviram a autopropaganda. O tucano Roberto Rocha, relator da CPI, mostrou despreparo ao perguntar se o empresário era parente do dono da JBS. Eike é filho de Eliezer Batista, ex-ministro e ex-presidente da Vale. Joesley é filho de Zé Mineiro, que começou como açougueiro no interior de Goiás.

CAMARADAGEM – O depoimento prosseguiu em clima de camaradagem. O petista Jorge Viana pediu a “visão do empresário” sobre a crise do Rio. Eike recitou frases de efeito e disse que o Brasil precisa ser pensado “de uma maneira holística”. Depois sugeriu a criação de uma “Embraer dos mares”.

Ninguém citou o nome de Sérgio Cabral, acusado de receber US$ 16,5 milhões do ex-bilionário em troca de favores do governo. O habeas corpus de Gilmar Mendes, cuja mulher é sócia do advogado de Eike, também não entrou em questão.

No fim da sessão, o pessedista Lasier Martins ensaiou apertar o empresário. “Dois bi [bilhões] e meio de dólares para a campanha do PT é muito dinheiro!”, disse. Eike o corrigiu aos risos: “Não é dois bi não, é dois mi [milhões]. Pelo amor de Deus”. “Ah, bom”, respondeu o senador. Poucos minutos depois, Eike foi liberado para pegar seu avião.