/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/Q/b/BxHqY2StqbhYuntqUS1Q/066a5002.jpg)
Motta tenta se aproximar de Lula por sobrevivência
Augusto Tenório
Folha
A possibilidade de crescimento de uma ala do centrão nas eleições de outubro ameaça o poder do atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Hoje, o deputado tem sua recondução ao comando da Casa, em eleição interna em 2027, dada como incerta por líderes da Câmara.
Motta saiu fragilizado após enfrentar um motim que inviabilizou os trabalhos do plenário por 30 horas, no ano passado. O centrão coloca na conta do paraibano parte dos desgastes enfrentados pela Casa perante a opinião pública, como ocorreu com o projeto de aumento do número de deputados. A insatisfação culminou num atrito com seu antecessor, o deputado Arthur Lira (PP-AL).
REAPROXIMAÇÃO – Em paralelo, aliados apontam uma reaproximação entre o chefe da Câmara e o presidente Lula (PT) em 2026, diante da necessidade de preservar sua cadeira e expandir a influência eleitoral da família na Paraíba.
Motta esteve com Lula na última terça-feira (13) em uma cerimônia do governo para marcar a nova fase da regulamentação da reforma tributária. Ele viajou a Brasília para participar do evento, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu se ausentar.
Neste ano, partidos que anteriormente lançaram candidaturas de oposição a Motta, como o PSD e o União Brasil, possuem planos robustos para crescimento de bancadas na Câmara. A legenda comandada por Gilberto Kassab planeja fazer cem cadeiras, enquanto a sigla liderada por Antônio Rueda quer chegar a 120 assentos, considerando sua federação com o PP de Ciro Nogueira.
RISCO – Segundo aliados, a perspectiva de um desequilíbrio das bancadas do centrão pode aumentar o risco à recondução de Motta à presidência da Câmara em 2027. Se reeleito deputado, ele poderá permanecer mais dois anos no comando da Casa, mas precisaria negociar com legendas hipertrofiadas sua permanência após um turbulento primeiro ano de gestão.
Nesse sentido, aliados indicam que Motta deve se reaproximar de Lula em 2026, numa perspectiva de garantir o apoio da bancada governista à sua reeleição ao comando da Câmara. A federação PT-PC do B-PV, que forma o núcleo duro da base lulista, espera fazer 90 representantes no próximo pleito, impulsionada pelo controle da máquina. Além disso, a aproximação com Lula também pode ajudar Motta a expandir seu capital eleitoral na Paraíba. Além de se renovar o mandato, o presidente da Câmara quer eleger o pai, Nabor Wanderley, ao Senado.
O estado é tradicionalmente lulista, tendo dado 64,2% dos votos ao petista no primeiro turno da eleição de 2022. Conquistar o apoio ou uma neutralidade do PT, seguindo essa tendência, ajudaria a consolidar a candidatura de Nabor ao Senado. Seu principal adversário na corrida é o senador Veneziano Vital do Rego (MDB), que tenta a reeleição também com Lula em sua chapa.
SEM SURPRESAS – Já o governo quer evitar surpresas em ano eleitoral. O presidente da Câmara impôs derrotas a Lula em 2025 ao dar as relatorias da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública e do Projeto de Lei Antifacção a opositores. Também deixou a MP (Medida Provisória) do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) caducar e pautou a dosimetria das penas dos réus do 8 de Janeiro.
De acordo com interlocutores, os últimos movimentos de Motta visam abrir caminho para essa reaproximação. O primeiro passo foi “se livrar” da própria discussão da dosimetria. O segundo foi cassar, de ofício, os mandatos dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Lula, por sua vez, também tem interesse na reaproximação. O Planalto espera aprovar rapidamente matérias como a Medida Provisória do Gás do Povo, que tem até o dia 11 de fevereiro para ser votada, sob pena de perder a validade. A iniciativa, calcula o Planalto, tem forte apelo eleitoral.
PLANOS PARTIDÁRIOS – O PSD de Kassab perdeu quatro cadeiras nas eleições de 2022 diante do fim das coligações, elegendo 42 deputados. Para este ano, o partido filiou governadores e candidatos a eleições majoritárias em estados com baixa performance, visando expandir sua capilaridade.
É o exemplo do Rio Grande do Sul, onde a sigla tem apenas um deputado e agora terá o governador Eduardo Leite. Kassab também trouxe a governadora Raquel Lyra, de Pernambuco, onde a legenda não conseguiu uma vaga sequer na última eleição. Em Minas Gerais, o partido tem cinco representantes, e espera crescer com a filiação do vice-governador Mateus Simões, que concorrerá ao governo.
Outra aposta do partido é o chamado “voto de estrutura”, que vem da transferência de apoio da base de prefeitos aos seus parlamentares aliados. A legenda de Kassab foi a maior vencedora das eleições municipais de 2024, obtendo o comando de 887 municípios, sendo cinco capitais,
FEDERAÇÃO – Já o União Brasil e o PP formam uma federação, que os levará a funcionar como um só no pleito deste ano. Esse modelo de aliança ajuda na eleição de deputados porque há uma soma dos votos proporcionais, o que facilita a conquista de mais cadeiras na Câmara. Atualmente, os partidos somam 109 representantes na Casa e almejam chegar a 120 na próxima eleição.
A federação deve ter a maior parcela do fundo eleitoral deste ano. Por si só, a possibilidade de mais verba de campanha atrai candidatos. Contará também com o maior tempo de TV, calculado majoritariamente pelo número de deputados de cada partido.
Barba não chegou na reta final do Acordo Mercosul-UE
Estranhamente, Barba não participou da reunião histórica de assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia neste sábado (17), no Paraguay.
Como se fora o “cavalo paraguaio” da expressão pejorativa, o petista ‘empacou’ pelo caminho e não chegou à Assunção, reta final do histórico acordo de livre comércio fentre os dois blocos econômicos, ficando de fora da solenidade e da foto oficial do evento.
A assinatura do acordo estava marcada para o dia 20 de dezembro de 2025, ano em que o Brasil era presidente do Mercosul. O evento em dezembro seria, então, realizado no Brasil, e não no Paraguay, como foi, país que assumiu a presidência do bloco a partir de 1º de janeiro de 2026.
E por que mudaram a data da reunião de 2025 para 2026?
Os extrema-direita Milei (Argentina) e Meloni (Itália) mexeram os pauzinhos entre eles, Macron etc. e “tiraram o pão da boca” do Barba (que se achava ‘o pai do acordo’), mudando a data do evento de dezembro para janeiro e transferindo, dessa forma, para o Paraguay, a reunião que seria no Brasil.
O fato deixou o Barba ‘queimado, por não poder se aparecer, ‘na sua própria casa’, com seus insuportáveis discursos, filmagens, fotos etc., como sonhava fazer. Por isso, deve ter se sentido desprezado e não foi à reunião no Paraguay.
Como “consolo”, vamos dizer assim, Barba recebeu, na sexta-feira (16), a passagem pelo Rio de Janeiro da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leven, que estava indo ao Paraguay para a assinatura do histórico acordo econômico (e que tem interesse nos minérios raros do Brasil).
Meloni tira acordo de Lula e passa para Peña, do Paraguai
Primeira-ministra da Itália decidiu que era “prematuro” assinar o acordo de livre comércio UE-Mercosul, mas, 23 dias depois, mudou de ideia
As decisões de Meloni prejudicaram Lula e favoreceram presidentes de direita sul-americanos.
(…)
Poder360, Análise, 17.jan.2026 – 6h00 Por Paulo Silva Pinto de Brasília
https://www.poder360.com.br/analise/meloni-tira-acordo-de-lula-e-passa-para-pena-do-paraguai/