China suspende produção do trem-bala que os EUA desprezam, mas o governo insiste em querer implantar no Brasil

 Carlos Newton

Exatamente quando o governo brasileiro se prepara para lançar novo edital do trem-bala, a fabricante chinesa CNR informou que suspendeu a produção do seu modelo mais avançado, após a descoberta de problemas na proteção automática. Ao mesmo tempo, o Ministério das Ferrovias anunciou a diminuição da velocidade em todo o sistema.

Em nota na Bolsa de Shenzhen, a CNR afirmou que os problemas foram detectados na recém-inaugurada linha de trem-bala entre Pequim e Xangai, a maior do mundo, com 1.318 km. Desde a sua inauguração, no início de julho, houve diversos casos de atrasos e pane no modelo CRH 380. Portanto, não é sem justificativa o desprezo que o Estados Unidos demonstram pelo trem-bala, pois nem admitem a possibilidade de adotá-lo.

A revisão do programa de trem-bala chinês, o maior do mundo, ocorre poucas semanas depois do choque entre dois trens que matou ao menos 40 pessoas. A tragédia do último dia 23 de julho provocou uma inédita onda de críticas nos microblogs chineses e na imprensa.

O governo é acusado de sacrificar a segurança para acelerar a construção do sistema, iniciada em 2007 e com previsão para 16 mil km até 2020. Diante dessa reação, o Ministério das Ferrovias vai reduzir a velocidade de todos os trens-bala. Além da diminuição de 350 km/h para 300 km/h, anunciada no primeiro semestre e ratificada ontem, os trens que viajam a 250 km/h passarão a andar a 200 km/h.

O governo brasileiro tenta atrair a China para participar do projeto de trem-bala entre Campinas e Rio de Janeiro, mas até agora sem resultado.

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VEM AÍ UM NOVO EDITAL

Já está pronto o novo modelo para implantar o trem-bala. O governo federal espera fazer já em setembro a primeira audiência pública com o edital da chamada fase 1. Chegaram agora à perfeição, pois o investimento privado não mais terá risco e será financiado pelo BNDES. Se ainda assim não aparecerem interessados, há algo e podre na proposta.

A nova modelagem prevê duas PPPs (Parceria Público-Privada): uma para infraestrutura e desenvolvimento imobiliário, e outra para operação e tecnologia. Antes era uma só.

O ganhador da PPP de infraestrutura e desenvolvimento imobiliário será o responsável por toda a obra e terá direito a explorar empreendimentos e receitas imobiliárias ligadas à concessão. Poderá ser um consórcio com empreiteiras que fariam obras e serviços, bem como investidores que aportariam capital. Será o que se chama de PPP administrativa, em que o capital privado não corre risco, uma vez que tem a garantia de retorno do Estado em prestações previamente definidas. Traduzindo: o governo acaba de inventar o capitalismo sem risco.

A contrapartida do investimento privado, que contará com financiamento de bancos, principalmente do BNDES, vem mediante a prestação de serviço e adiantamento de capital para a obra. O governo federal ressarce com dinheiro o capital privado, ao longo dos anos estipulados (geralmente entre 25 e 30 anos), a uma determinada taxa de retorno,

Já o ganhador da PPP de operação e tecnologia irá comprar os sistemas de controle dos trens, os próprios trens, tecnicamente conhecidos como TAV (Trem de Alta Velocidade), e operá-los.

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