Marina Silva e Heloisa Helena, unidas no ostracismo político, sonham com um novo partido

Carlos Newton

A política é implacável. Duas ex-senadoras de prestígio estão vendo suas carreiras em declínio. Heloisa  Helena hoje é vereadora em Maceió, enquanto Marina Silva está sem mandato, sem partido, sem lenço e sem documento. Elas até tentaram se unir no ano passado, quando Heloísa quis ser vice-presidente na chapa de Marina, mas os dirigentes do PSOL vetaram a ideia para lançar a candidatura simbólica de Plínio de Arruda Sampaio.

Heloisa Helena renunciou à presidência do PSOL depois da eleição e agora decidiu embarcar no projeto de Marina Silva, que deixou o PV em julho e estuda criar um partido para se candidatar à Presidência de novo em 2014. Sem espaço no PSOL, Heloisa Helena já autorizou a amiga a usar seu nome no movimento suprapartidário que deve dar origem a uma sigla sob sua liderança.

Marina sonha em montar uma nova legenda – batizada temporariamente de Partido da Causa Ecológica. É um sonho dificil de concretizar. Estima-se que seja necessário um investimento de aproximadamente R$ 3 milhões para arranjar as assinaturas nos estados e montar um  novo partido. E isso demora à beça. 

Marina teve de sair do PV, porque bateu de frente com o comando partidário, altamente corrupto e fisiológico. No início, Marina achava que o deputado federal José Luiz Penna (SP) iria abandonar a presidência do PV, mas estava muito enganada. Trata-se de um músico fracassado, que virou vereador e sempre explorou o PV, que pagava até as contas de luz, telefone e água da residência dele. Mas conseguiu se eleger deputado e não vai largar o osso.

Com apoio de outros dirigentes, Penna fraudou sucessivas vezes a contabilidade do partido, aplicando os mais diversos golpes, que não passaram despercebidos à Justiça Eleitoral. Apesar disso, estranhamente ele continuou a desfrutar da confiança dos grandes líderes da legenda, como Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, por exemplo.

Há alguns anos, quando foram descobertas pelos auditores da Justiça Eleitoral as múltiplas fraudes na contabilidade, vários dirigentes do partido se revoltaram contra José Luiz Penna. Todos foram expulsos, sem direito de defesa. Se não sabia disso, Marina Silva é ingênua demais. Será que só recentemente descobriu que o PV não é um partido político? Na verdade, é apenas uma quadrilha, que vive às custas do Fundo Partidário, abastecido pelos impostos dos cidadãos.

O Partido Verde, que deveria entender de agricultura e paisagismo, está colhendo o que plantou. Fundado por um grupo de visionários, entusiasmados com a importância da preservação do meio ambiente, pouco a pouco o PV foi se transformando numa legenda podre, colhida fora do tempo, já madura demais em termos de corrupção.

Afinal, quem é José Luiz Penna, que desde 1999 preside o PV e vivia às  custas do partido? Sua biografia revela que se trata de um músico e compositor, embora ninguém nunca o tenha visto fazer um show nem conheça qualquer composição dele.

Na direção do PV, Penna vem compondo uma impressionante obra de corrupção e cooptação de dirigentes. Formou uma sólida quadrilha, da qual faz parte o deputado maranhense Zequinha Sarney (que família, hein?), autor da recente proposta que manteve Penna na presidência por mais um ano.

Penna age confiante na impunidade. E tem boas razões. Os auditores do Tribunal Superior Eleitoral detectaram nas contas do PV as mais absurdas irregularidades, mas Penna contratou o escritório de advocacia de Nelson Jobim (hoje comandado pelo filho Alexandre) e conseguiu que o TSE aceitasse as contas, desde que o PV repusesse o dinheiro desviado, o que foi feito usando recursos públicos do Fundo Partidário. Uma manobra realmente inacreditável.

Assim, o TSE inventou a figura jurídica do “ladrão arrependido”, aquele que roubou, foi apanhado, mas disse estar arrependido quando ia ser julgado, repôs o dinheiro e não foi condenado. Se a Justiça Criminal funcionasse assim, nenhum ladrão estaria preso, é claro.

Na certeza da impunidade, José Luiz Penna chegou a se divertir postando vídeos na internet, em que aparecia junto a outros “dirigentes” do PV, e aproveitava para fazer gozações com Marina Silva e outras figuras do partido. Num dos vídeos, o presidente do diretório do PV em Osasco (SP), Carlos Marx Alves, diz a Penna que verdes recém-chegados pensavam que iam levar a sigla “de bandeja”.

“Entrou no ônibus e já quer ir para a janela, né?”, responde Penna, rindo.

Em 2007, quando surgiu o escândalo no PV, com irrefutáveis provas de corrupção, Penna conseguiu o apoio de Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e Zequinha Sarney para expulsar (sem direito de defesa) os dissidentes, que exigiam o afastamento da quadrilha que domina o PV.

Portanto, Gabeira, Sirkis e Zequinha foram cúmplices de Penna. Agora, só ficou Zequinha na quadrilha de Penna. Gabeira e Sirkis trocaram de lado e estão apoiando Marina Silva. Mas parece que se arrependeram tarde demais. E estão condenados a permanecerem no PV, por falta de opção partidária.

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