O Grande Príncipe

PARIS – O anúncio, em português, foi publicado no Rio: – “A Linha Rápida e Segura – Correio Aéreo – Passageiros – Europa –  Brasil – Uruguay – Argentina – Paraguay – Chile  – Rio de Janeiro, Avenida Rio Branco. 50”.

Depois, novo anúncio: um aviãozinho voando sobre o mar no céu azul com brancas nuvens esparsas e uma lua amarela boiando no céu. Embaixo: – “A Mais Rápida – Aeropostale – Europa – África – Sul America” .

Terceiro anúncio: um barco sobre o mar e um aviãozinho voando em ciima dele e de montanhas de pedra à beira mar. E embaixo: – “A Mais Rapida – A Mais Econômica – Aeropostale”.

Nos jornais franceses, mais um anúncio: um mapa da Europa, África, America do Norte e do Sul, riscado em finas linhas azuis: – “Aeropostale – Amerique Du Sud – Maroc – Algérie – Afrique Ocidentale Française”.

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AVIAÇÃO

Era quase no inicio da década de 20. Nascia a aviação comercial mundial. Começava  um dos mais importantes passos da historia da humanidade. Menos de dez homens comandavam a grandiosa aventura: Latécoère, Mermoz, Guillaumet, Prevot, Reine, Deley, Antoine.

– “Fundada em setembro de 1918 e baseada em Tolouse, a Companhia Aérea Latécoère é a mais antiga do mundo. Seu fundador Pierre Latécoère tinha feito a aposta de fazer surgir o Correio mais rápido possível. Costumava dizer: – O serviço não tem sentido se não for diário.

Por isso a primeira mensagem da nova empresa foi: – “Lignes Aeriennes G. Latécoère. – France – Espanhe – Maroc”

Em 30 de abril de 1933, a Latécoère e outras reuniram-se em uma só empresa,  em que o Estado tinha 25% e logo se torna a Air France.

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ANTOINE

O Antoine ai de cima nasceu em 29 de junho de 1900 (morreu em 31 de junho de 44) e tinha um nome muito comprido: Jean Baptiste Marie Roger de Saint-Exupéry. É o Saint-Exupéry universalizado por um  livro universal, “O Pequeno Príncipe”, o mais editado e lido no mundo, depois da Bíblia e de “O Capital” de Karl Marx.

Mas foi o avião que criou o herói. Como os companheiros, enfrentava infinitas horas de distâncias, silêncio e solidão sobre as areias dos desertos da África, na travessia do oceano Atlântico entre Casablanca, Dakar, Natal, Buenos Aires, Patagônia, Chile, sobre a neve eterna dos Andes.

Enquanto o “Bréguet” voava a 120 kms  por hora, e mais parecia um brinquedo de papel com as asas em cima e as nadadeiras embaixo para poder descer também nos rios e mares,  ele pegava o caderno e escrevia.

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LIVROS

Daqueles dias e noites sem fim nasceram alguns dos mais belos livros de jornalismo mundial: “O Aviador” (de 1926), “Correio Sul”, “Vôo da Noite”, “Terra dos Homens”, “Piloto de Guerra”. E “O Pequeno Príncipe”. São um fantástico testemunho, quase sempre cruel, de até onde pode ir o desafio do homem ao risco, ao perigo, aos desertos, aos mares.        

A travessia França/Chile durava 18 dias. Sair de Buenos Aires, passar em Comodoro, Rivadavia, Punta Arenas (ponto mais meridional da Cordilheira dos Andes) e chegar à Terra do Fogo era uma expedição.

Um dia Guillaumet  se perdeu nos Andes. Saint-Exupéry e Deley, durante 5 dias, sem pararem um instante, vasculharam as montanhas cobertas de neve. Quando o encontraram ele tinha caminhado 5 dias na neve para não se deixar morrer de frio. E Saint-Exupéry resumiu a epopéia: -“Nenhum animal aguentaria tanto. Só um homem.”

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DESASTRES

Os desastres eram inevitáveis. Às 2,45 da manhã, no Egito, Saint-Exupéry e Prevot, voando a uma baixa altura, caem no deserto. Supunham que tinham passado o Cairo e estavam ao sul de Alexandria. Na verdade, estavam no deserto da Líbia com suas reservas de água derramadas sobre a areia. Saem desesperados à procura de ajuda que lhes permita sobreviver. Durante três dias marcharam para o norte, morrendo de sede. Quase haviam desistido, aparece uma caravana de beduínos.

Na Guatemala, o avião dele e Prevot explode no fim da pista. Saíram das ferragens arrebentados. Gravemente ferido, depois de um coma de diversos dias, sofre várias operações e não deixa cortar o braço gangrenado.

Chega a guerra, os nazistas invadem a França, ele tenta ir para os Estados Unidos através da Espanha, Franco lhe nega o visto, vai para a Argélia e Lisboa, chega a Nova Iorque e lá escreve “O Pequeno Príncipe”. Volta para a África para brigar contra Hitler. Na manhã de 31 de junho de 44, aguerra acabando, sai para a última missão e desaparece para sempre.

Antes na pequena rua Nesle, ao lado do Boulevard Saint Germain, em Paris, o “Museu de Cartas e Manuscritos” acaba de ser transferido para o número 222 de Saint Germain. Tudo do “Grande Príncipe” está lá.

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