25 anos depois da ditadura militar, o aumento dos juros mostra quem realmente manda no País. É o “Sistema”, lembram-se dele? Só que desta vez os militares estão de fora.

Carlos Newton

“A História se repete como farsa”, escreveu o notável pensador Karl Marx, no texto do “18 Brumário de Luis Bonaparte”. Marx estava errado, aqui no Brasil as frases mais geniais podem ser desmoralizadas de uma hora para outra. Basta analisar o que acontece com a economia deste País, que deveria ser respeitado como potência, já que é o quinto mais extenso, o sexto mais populoso e o oitavo em expressão econômica.   

Lembram-se de Lula, ao assumir o governo em 2003? Sua medida mais estratégica foi nomear o tucano Henrique Meirelles para presidir o Banco Central. Ele tinha sido eleito deputado federal em Goiás pelo PSDB, com votação recorde, quase 183 mil votos. Ninguém o conhecia, mas foi a mais rica campanha da História de Goiás. Aos 56 anos, Meirelles se elegia para a Câmara Federal, mas já sonhava com o Planalto, admitia que era sua meta final.

Ex-presidente mundial do BankBoston, dinheiro não representava problema para Meirelles, que só visava o poder. Como era preciso colocar alguém no Banco Central que defendesse os interesses do sistema financeiro, para “acalmar o mercado”, Meirelles foi indicado a Lula por Aloizio Mercadante, que tinha sido seu assessor econômico no BankBoston e acabara de se eleger senador pelo PT de São Paulo.

Bem, já que o esquema era para preservar os interesses do “mercado”, o tucano Meirelles aceitou o “sacrifício”, renunciou ao seu mandato de deputado federal (era obrigatório fazê-lo), nem se preocupou com a fábula de dinheiro gasta na campanha eleitoral, e assumiu o BC. Com isso, Lula conseguiu “acalmar o mercado”, porque a primeira decisão de Meirelles logo no início do governo Lula, foi aumentar os juros, é claro. Na época eram de 25%, foram para 25,5%. No mês seguinte (fevereiro de 2003), mais uma cacetada, elevando a Selic para 26,5%.

Assim se passaram oito anos, até que a presidente eleita Dilma Rousseff decidiu defenestrar Meirelles e substituí-lo por um dos pupilos dele, o economista Alexandre Tombini. Seria mera coincidência o fato de Tombini ter trabalhado quatro anos no Fundo Monetário Internacional, antes de ser diretor do Banco Central na gestão de Meirelles.  

E o que aconteceu? Pois Tombini, logo em sua primeira sessão do Comitê de Política Monetária (Copom), fez como Meirelles e aumentou os juros da Taxa Selic em 0,5%. De novo, era mera coincidência? Claro que não. Trata-se apenas do “Sistema Financeiro” (integrado por banqueiros, seguradores e mega empresários) dizendo ao povo que fico, ou melhor, dizendo ao povo quem realmente manda neste País.

Nos anos de chumbo da ditadura militar, as pessoas mais esclarecidas (que formam realmente o que se chama de opinião pública, já que a grande massa da população nem tem opinião, é apenas conduzida) sabiam que éramos governados pelo “Sistema”.

Falava-se abertamente no “Sistema”, a expressão era comum, Culpávamos o “Sistema” pela inexistência de democracia e por qualquer outro problema nacional, porque – repita-se – quem mandava no País era o “Sistema”.

Agora, 25 anos depois, sob esse aspecto, pouco mudou. Continuamos governador por um “Sistema”, com a única diferença de que não é integrado pelos militares. E sempre surge alguém a nos dizer que a História só se repete como farsa.

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