Muçulmanos pedem que os egípcios protestem nas ruas, apesar do banho de sangue

Egípcios choram sobre os corpos envoltos em mortalhas em uma mesquita no Cairo 15 de agosto de 2013 (Foto: AFP / Khaled Mahmoud)

Da Agência Lusa

Uma coligação islamita no Egito exigiu o fim dos confrontos no país, tendo, contudo, instado os apoiantes do presidente deposto Mohamed Mursi a manifestarem-se diariamente e de forma “pacífica”, a partir deste sábado.

“As manifestações de hoje devem acabar com a última oração da noite, a que se seguirão as orações pelos mortos”, afirmou à agência noticiosa francesa AFP Gehad Al Haddad, um porta-voz da Aliança contra o Golpe de Estado e para a Democracia.

O mesmo responsável da coligação pró-Morsi alertou contudo que “haverá manifestações contra o golpe todos os dias” a partir de sábado, repetindo o apelo que fizera aos seus apoiantes durante o dia de hoje, e que teve por objetivo defender a “legitimidade das eleições” de 2011, e denunciar o “massacre de mais de 600 pessoas”, vítimas dos confrontos com a polícia nos últimos três dias.

O Egito está envolvido numa espiral de violência desde quarta-feira, depois de a polícia ter dispersado violentamente os apoiantes de Morsi concentrados em praças da capital egípcia. O Egito está sob estado de emergência e o governo interino deliberou um recolher obrigatório em metade das províncias do país.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGReligião e política, numa mistura explosiva, estão arrasando o Egito e destruindo sua economia, que tinha no turismo um de seus maiores fontes de renda. Sob a ditadura branda do coronel Hosny Mubarak, o Egito  se tornou um país árabe ocidentalizado, semelhante ao Líbano. Mas os muçulmanos querem governar o país e transformá-lo numa imensa mesquita. O resultado é a nova ditadura militar, com risco de uma guerra civil que ninguém sabe que fim terá. É mais um país árabe que dá um passo atrás, com um encontro marcado com o fracasso. (C.N.)

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7 thoughts on “Muçulmanos pedem que os egípcios protestem nas ruas, apesar do banho de sangue

  1. Religião não é apenas “o ópio do povo”, como declarou Hegel. Trata-se de uma verdadeira praga, veneno que precisa ser eliminado, como estamos vendo no mundo islâmico.

  2. Ditadura branda de Mubarak? Li documentos há mais de 10 anos sobre torturas lá que superam facilmente o martírio do Bacuri aqui durante a militar. Pesquise que vai encontrar os horrores do Mubarak acobertado durante anos pela midia ocidental. As torturas sob Mubarak eram tão intensas e eficientes, que os EUA transferiam para o Egito os casos merecedores de castigos severos e mais complicados para ele resolver. Esqueceu-se do xeique naturalizado italiano sequestrado pela CIA em Milão? Foi levado para ser torturado durante meses no Egito do Mubarak, senhor da tecnologia das dores insuportáveis. Nunca foi igual ao Líbano, que respeita mais diversidades, dinheiro das pessoas e direitos humanos que aqui. Lá houve uma guerra civil provocada por tropas estrangeiras que invadiram o país e foram expulsas a ferro e fogo, como foram Israel, França e Estados Unidos, sendo que este último perdeu numa base foi pelos ares em Beirute mais de 400 fuzileiros em um só dia. Qual o problema dos muçulmanos estarem no poder num país em que são majoritários? Comem agora crianças, como se inventava dos comunistas aqui no passado? No Líbano os muçulmanos governam também, inclusive com ministros do Hisbolá xiita, de partidos sunitas, cristãos e até comunistas e ninguém reprime ou ridiculariza quem queira tomar uma cachacinha, fumar um narguilé, comprar e vender moedas de ouro ou andar de turbante em Beirute. Quem tem o controle do aeroporto internacional de Beirute é o Hisbolá, para monitorar os espiões fantasiados de turistas que ingressam no país. E a imprensa é mais livre que aqui, de várias tendências, com jornais, rádios e TV em árabe, inglês e francês. Os muçulmanos não criam problemas, os que criam são os velhos colonialistas e os norte americanos atrelados aos interesses sionistas com suas intrigas e intervenções. No tocante ao Egito, todos os altos oficiais militares desde o tempo do Sadat são corrompidos com divisas que vem diretamente do EUA e com aprovação pública do lobby da AIPAC nos EUA. Ganham em dólares, nada de libras egípcias. O povão na miséria se cansou de viver na M, ver o canalha do Mubarak e sua casta cheia de dinheiro e se rebelou.

  3. Caro Jornalista,

    O Egito fez valer o ditado popular:

    “QUANDO DOIS IDIOTAS BRIGAM, LUCRA UM TERCEIRO MAIS ESPERTO!”.

    Nesse caso, o papel de idiota foi representado pelo povo egípcio que, manipulado pelos interesses dos mais espertos, foi às ruas fazer protesto contra Mubarak. Ingenuamente não perceberam que os INIMIGOS DO PAÍS, posicionados além das fronteiras, a tudo assistiam, TORCENDO PARA QUE, nesse “abraço de afogado”, AMBOS SE DESTRUÍSSEM…

    Ontem o papel de idiota coube à população da “oposição” do Iraque e da Líbia que, ao invés de se juntarem contra o inimigo externo, PREFERIRAM SE DIVIDIR.
    Hoje é representado pela Aliança do Norte, no Afeganistão, e pelos “rebeldes” da Síria, comprados a dólar, e pela oposição iraniana.
    Ou alguém acha que os líderes guerrilheiros sírios, uma vez no poder, serão mais democráticos do que Assad?

    “Dividir é enfraquecer.” Se as populações desses países estivessem unidas, jamais teriam sido vencidas. Mas preferiram ouvir o canto das sereias…
    Em todos os casos, OS PAÍSES FORAM DESTRUÍDOS COM A AJUDA DOS INGÊNUOS INTERNOS DOS PRÓPRIOS PAÍSES…

    Abraços.

  4. Todo ideal termina em religião. Logo a natureza deve ser depredada para todos cumpram seu papel nesta divina instituição.

    Quem nela for esperto
    vira mentor ou sacerdote e,
    quem não,
    que vá para a linha de frente
    servir de bucha de canhão.

    Amém.

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