Uma parceria vencedora de Chico Buarque e Tom Jobim

O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, deixou a sua genialidade invocar inspiração para fazer a letra de “Sabiá”, fala sobre o exílio e dialoga com a “Canção do Exílio” (Gonçalves Dias), tanto que ambas apresentam palavras como “sabiá”, “palmeiras”, “noite”, “flor” etc.
Quanto à ideia principal, mostra o carisma e a compaixão que temos pela nossa terra e a vontade de voltar para ela, mesmo que já não seja mais como antes (o que é mostrado nos trechos: Vou deitar à sombra/ De um palmeira/ Que já não há/ Colher a flor/ Que já não dá).
Chico Buarque e Tom Jobim receberam uma vaia ao ganharem o III Festival da Canção com essa música. 1968. Isso porque a população, em plena ditadura, queria que a música “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores” de Geraldo Vandré, (na qual é explícita a aversão à ditadura) fosse a vencedora. 
A música “Sabiá” foi gravada pelo MPB 4 no LP III Festival Internacional da Canção Popular – Vol. III, em 1968, pela Philips.
SABIÁ
Tom Jobim e Chico Buarque

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De um palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor Talvez possa espantar
As noites que eu não queira
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Não sou mais triste
E a nova vida já vai chegar
E a solidão vai se acabar
E a solidão vai se acabar

 (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)
Quinta-feira, 12 de setembro de 2013
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3 thoughts on “Uma parceria vencedora de Chico Buarque e Tom Jobim

  1. Uma obra-prima cheia de sutileza, com versos e melodia pungentes como os acordes de um bandoneon, além do vocal perfeito do MPB 4. E o “povão” ainda teve o desplante de vaiar.

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