Na CPI, Cunha acusa Janot de ser leviano e favorecer o governo

Cunha diz que Janot protegeu o senador Delcídio Amaral, do PT

Eduardo Militão e Jacqueline Saraiva
Correio Braziliense

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depõs, nesta quinta-feira (12/3), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. “Não estou aqui em busca de aplausos, mas para esclarecer”, disse, no começo da sessão. O nome do parlamentar, que se ofereceu para comparecer à comissão espontaneamente, está na lista de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), divulgada na última sexta-feira (6/3).

Eduardo Cunha, afirmou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o incluiu na lista de investigados da Operação Lava-Jato de forma “leviana”. Classificou os pedidos de abertura de inquérito de “piada” e tentativa de transferir a “crise” de um poder para o outro. Ele negou qualquer envolvimento nos fatos apurados pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal e reclamou dos critérios que foram utilizados para elaboração da denúncia entregue por Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Na sessão, ele voltou a atacar o arquivamento de inquérito contra o senador Delcídio Amaral (PT-MS), alegando que Janot sequer considerou que o petista recebeu doações de Julio Camargo e outras empresas suspeitas de participação no esquema. “Eu explicitei as divergências com o senador Delcício Amaral porque o Janot não fez o mesmo tratamento de pesquisar as doações”.

Segundo depoimento do doleiro Alberto Yousseff, Cunha teria pedido um requerimento com informações sobre a empresa Mitsui para pressionar Julio Camargo a pagar propina ao deputado por meio de Fernando Baiano. Cunha negou novamente que Baiano fosse operador do PMDB no esquema criminoso. Também rejeitou a ligação que Janot fez sobre as doações que ele recebeu da Camargo Corrêa. Consta na declaração de Yousseff que Cunha recebia propina da Mitsui e da Samsung. As duas empresas teriam feito a suspensão dos pagamentos ilegais a Julio Camargo, que sem dinheiro, não pagaram mais propina a Baiano e Cunha.

PATROCÍNIOS A MINISTROS

Em uma crítica ao PT, Eduardo Cunha relacionou vários ministros parlamentares da base aliada da presidente Dilma Rousseff que receberam dinheiro da Camargo Corrêa oficialmente. Mencionou os ministros da Defesa, Jaques Wagner; da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo; da Casa Civil, Aloizio Mercadante; do ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro; dos deputados Odair Cunha (MG) e Newton Lima (SP); dos senadores José Pimentel e Humberto Costa; além das ex-ministras Gleisi Hoffmann e Marta Suplicy.

Questionado se somente mencionaria políticos do PT, o presidente da Câmara também listou os nomes de Guilherme Campos (PSD), José Otávio Germano(PP), Vitor Penido (DEM) e Jutahy Magalhães (PSDB). O deputado ressaltou que as doações oficiais não são indícios de crimes, mas que mostram que Rodrigo Janot escolheu investigar apenas ele.

DEPUTADOS DEFENDEM

Passados mais de 45 minutos de depoimento, os parlamentares usaram o tempo para defender Eduardo Cunha, como os membros do DEM, do PSB, do PSDB e do PTB, que prestaram apoio ao presidente da Câmara. “Houve quem questionasse se a sua antecipação seria positiva ou não. Mas eu considero positiva porque vossa excelência representa o Parlamento, ocupa o terceiro cargo em importância na República”, afirmou o líder do DEM, Mendonça Filho. Bruno Araújo (PSDB-PE) afirmou que Cunha “é hoje mais presidente do que antes de entrar nessa lista”.

O deputado Julio Delgado (PSB-MG) também saiu em defesa de Cunha, afirmando que é “preciso ter paciência para separar o joio do trigo”. “Tem muito joio que vamos ter que explanar”. Ele ressaltou que o PMDB faz parte do governo e o governo é quem indica diretores da Petrobras, afirmando que “o PMDB se apossa até da parte de oposição para ter o controle sobre a CPI”.

21 thoughts on “Na CPI, Cunha acusa Janot de ser leviano e favorecer o governo

  1. EM TERRA DE CEGO QUEM TEM UM OLHO É REI! Eduardo Cunha mais preparado (escolarizado) que a maiorias dos “zé manés” e diabolicamente preparado para a corrupção, aproveita todas as brechas para antecipadamente inculpar-se dizendo que está sendo “escolhido” pelo procurador Janot para ser investigado. De tabela “alcagoeta ” Delcídio do Amaral, e cita outros, com cínica despreocupação. Se Eduardo Cunha fosse pagar todos os crime que praticou, ficaria no mínimo 200 anos na cadeia. Só sairia se um tusiname invadisse Brasília e arrebentasse os muros da Papuda. Busquem seu histórico político e ficarão assombrados.

  2. Acredito um milhão de vezes, a mais no Eduardo Cunha, do que neste engomadinho, que fala demais, e bobagens, como investigaria a si mesmo. Alem do mais os encontros fortuitos e agendados com o ministro da justiça, falam por si mesmo.

  3. OS PETRALHAS SE ACOVARDARAM!
    SE ESTIVESSEM PELO MENOS AGINDO COORDENADAMENTE TERIA PELO MENOS UNS 10 DEPUTADOS DO PT CAINDO DE PAU EM CIMA DO CUNHA HOJE!
    A ESTRATÉGIA DOS PETRALHAS LIDERADOS PELA PRESIDANTA COM A AJUDA SABUJA DO PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA ESTÁ DANDO COM OS BURROS NA ÁGUA!
    CULPADO OU INOCENTE, CUNHA NADOU DE BRAÇADA HOJE NA SUA DEFESA! NÃO FOI QUESTIONADO UMA UNICA VEZ! AO PASSO QUE O MINISTRO VALENTÃO DA DILMA, O CID GOMES, ARRUMOU UMA DESCULPA MÉDICA PARA FUGIR DA CONVOCAÇÃO PARA DETALHAR QUEM SÃO OS 400 DEPUTADOS ACHACADORES!
    DONA DILMANTA SE FOSSE MACHONA MESMO, FARIA QUESTÃO DE COMPARECER AO CONGRESSO PARA SE DEFENDER E DAR EXPLICAÇÕES!
    MAS TAL COMO O CHEFINHO 9 DEDOS NÃO PASSA MESMO É DE UMA GRANDE CAGONA, ESTÁ MAIS É SE BORRANDO NAS CALÇAS! DIA 15 TE ESPERA PRESIDANTA!

  4. Nesta tarde de céu nublado em Sampa
    peço permissão ao CN e leitores da TI
    para cantar um pouco:

    Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
    Se gritar pega ladrão, não fica um
    Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
    Se gritar pega ladrão, não fica um

  5. Malandro velho!
    Pior de tudo é tentar defender político ladrão.
    Enquanto fazemos o papel do “antigo PT”, os petistas fazem o papel do lixeiro de aterro sanitário. bandeiras rasgadas, lideranças passando por período na cadeia, uns dando tiro nos pés do outros – todos do mesmo lado, fartinhas do mesmo saco.
    A oposição, fraquinha e ruinzinha só ri e espera a guilhotina ficar pronta para cortar cabeças.

  6. Lobão: ‘O pai disso tudo é o Lula’

    Músico explica por que só participará de manifestações a pé e diz que os grupos anti-Dilma formam um balaio de gatos que está se digladiando

    Por: Mariana Barros12/03/2015 às 09:02 – Atualizado em 12/03/2015 às 10:16
    Veja on line

    O músico Lobão: ‘Brasil é um país de gatunos'(Lailson Santos/VEJA.com)
    Por que você diz que não vai subir em carro de som no dia 15? Em novembro passado, eu fui a uma manifestação na Avenida Paulista. Alguém me viu na multidão e me pegou para subir em um carro de som. Depois vi que tinham me fotografado ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ), filho do Jair Bolsonaro (PP-RJ), que estava com uma arma presa à cintura, por baixo da camisa. Um horror. Em seguida, encontramos outro carro de som ocupado por um pessoal que defendia a intervenção militar. No começo, todos que estavam próximos de nós ficaram indignados, mas logo depois já trocavam figurinhas. Aí eu fui embora. Ficou essa pecha de que eu era o militarista. Dessa vez, chamei todos esses líderes de grupos que apoiam os militares e organizamos um manifesto nos comprometendo a deixar esse papo de lado – seria um tiro no pé, tudo o que o PT queria. Eles juraram de pés juntos que não trariam mais o assunto nas próximas passeatas. Só que, na manifestação seguinte, na hora em que cheguei, já vi várias faixas a favor da intervenção militar. Percebi que há muito interesse político em jogo dos dois lados. Então, para mim, passeata tem de ser no chão. O resultado é que agora esse pessoal da intervenção militar me odeia tanto quanto o PT. Melhor assim.
    O que o PT diz a seu respeito? Que eu sou um músico falido, um ex-músico. Que engraçado, há pessoas que eu detesto ou de quem discordo, mas sei separar uma coisa da outra. Oscar Niemeyer era uma anta política, mas tinha o seu talento. Era ex-arquiteto só porque era comunista? Não. Mas é o que o PT faz.
    Pensa em ser político? Eu não tenho o menor gabarito para isso! Se eu pudesse, faria uma legislação estabelecendo que, para ser político, é preciso ter mais de 50 anos, muito dinheiro, falar seis idiomas, ter curso de política internacional, economia e direito. Tem que ser gabaritado, alguém da elite. Um cara pobre tem mais chances de se lambuzar. Você vê o Michael Bloomberg (empresário bilionário e ex-prefeito de Nova York) doa 50 milhões de dólares para a municipalidade. O Brasil é um país de gatunos, de pessoas que vão para a política para resolver sua situação financeira, quando deveria ser o contrário. Apartamento funcional deveria ser pequenininho, para o cara ficar lá, labutando, não para ser um parasita. Política não ê para ganhar dinheiro.
    O que você vai defender no dia 15? Que a Dilma saia, que o PT saia e todos os culpados sejam punidos. A presidente não tem competência. É bruta, estourada, azeda, não tem traquejo. Mas tem de lembrar que ela é uma espécie de bode expiatório. As pessoas pensam: panelaço contra a Dilma tudo bem, mas com o Lula nem pensar. Tem gente que quer que a Dilma seja expulsa, mas votaria no Lula. Bom, então você não entendeu nada do que está acontecendo. O pai disso tudo é o Lula.
    Você compôs uma música chamada Marcha dos Infames (ouça a seguir). É uma espécie de hino para o momento atual? Um tempo atrás, um cara tinha me encomendado uma trilha para uma peça de teatro do Samuel Beckett. Peguei uma viola caipira e comecei a fazer quatro variações de um tema, como a Heróica, de Beethoven. Acabei brigando com o cara e a música ficou ali. Eu não sabia o que fazer com ela. Quando veio a Copa do Mundo e entramos na lista negra do futebol, pensei em criar uma cenografia grandiloquente, fazer uma coisa orquestrada, beirando a ópera bufa. Pensei na queda da Bastilha, quase uma Marselhesa. Fiz uma coisa marcial. Infelizmente ela continua atual, mais do que nunca. Antes as pessoas não entendiam do que eu estava reclamando, agora estão sentindo na pele. A música beira o cômico e se fosse 100% levada a sério, seria ridícula. Vou regravá-la para meu próximo disco, que deve se chamar O Rigor e a Misericórdia.

    Suas posições políticas interferem nas suas relações de amizade? Minha mulher estava se lembrando que, no primeiro aniversário dela que comemoramos em São Paulo, logo que nos mudamos do Rio de Janeiro para cá, veio muita gente. De lá para cá, um monte desapareceu, cortou relações. O Brasil tem essa esquerda burra. Escrevi o livro Manifesto do Nada pensando nisso: no orgulho que temos de coisas que em qualquer outro país gerariam crise. Ser malandro, por exemplo. Só no Brasil é que ser honesto pega mal. Isso tudo ficou muito evidente no governo do PT. Não quero isso pra mim. A gente chegou ao paroxismo no PT. O Brasil inspira pouca esperança hoje.
    A manifestação pode criar uma nova frente contra essa situação? Não, pode apenas ajudar a destituir o governo que está aí, mas isso não significa que vá resolver nossos problemas. Pelo contrário, significa que talvez tenhamos de enfrentar um caos maior. Sei lá quem vai entrar, estamos numa nave desgovernada. Mas acho que temos de ir em frente, é uma questão de redenção do povo brasileiro.
    Quem é a oposição ao governo hoje? É um balaio de gatos que reúne todo mundo que não gosta do PT: evangélicos, militares, radicais, “bolssonaristas” ferrenhos etc. Eu não consigo me situar. E esses grupos atrapalham, porque estão se digladiando. E tem um pessoal muito grosso, essa turma que grita “vaca” no panelaço. Os artistas, que poderiam dar um tônus mais coerente, não aparecem. Fico eu ali sozinho. Vejo atrocidades dos dois lados.
    A quem cabe o papel de protagonista neste momento, a manifestantes ou partidos políticos? Sempre fui a favor dos políticos, desde as Diretas Já. O PSDB ficou com a pecha de estar patrocinando a manifestação do próximo domingo, mas não vejo nenhum mal em a oposição patrocinar uma passeata de oposição. Parece que o PPS tomou a frente e claro que também são bem-vindos. Se não for pedir intervenção militar e estiver dentro da legalidade, perfeito. A gente precisa dos políticos até para que ativem um eventual processo de impeachment ou para que conduzam o que for necessário caso ela renuncie, o que seria melhor.

    • Lobão mostra consciência e independência.
      Coisa que músicos metidos a intelectuais, que já estão na lata do lixo da história e que diziam que é proibido proibir, mas depois proibiram ou aquele que apoia a ditadura de Fidel, mas que mora em Paris, não tiveram a coragem e a cultura de Lobão para se posicionarem como verdadeiro democratas, a favor de um povo livre.

      • Lobão mostra que é um oportunista. Estava com a carreira no ostracismo e agora vislumbrou uma maneira de aparecer. Só que sem conteúdo ninguém dura muito tempo, ta aí a Dilma para provar. O Lobão ganhou uma coluna da VEJA que era para ser mensal e acho que tem um ano que não escreve.
        Além disso ele se mesmo se mostra autoritário ” Quem é a oposição ao governo hoje? É um balaio de gatos que reúne todo mundo que não gosta do PT: evangélicos, militares, radicais, “bolssonaristas” ferrenhos etc. Eu não consigo me situar. E esses grupos atrapalham, porque estão se digladiando ” . Liberdade de expressão Lobão, cada um tem o DIREITO de odiar a Dilma pelo motivo particular e não pelo motivo que você acha que devem
        E a vaidade dele então… ” Os artistas, que poderiam dar um tônus mais coerente, não aparecem. Fico eu ali sozinho. ” O Lobão se acha o Nelson Rodrigues do golpe de 64, que ficou sozinho contra os comunistas, a diferença é que o Nelson Rodrigues foi o maior gênio do século XX no Brasil e o Lobão é só aquele cara que pagou mico no twitter pois, muito vaidoso, acha que não existe outro Lobão no Brasil:
        http://info.abril.com.br/noticias/internet/2014/07/cantor-lobao-paga-mico-no-twitter-ao-insultar-usuario.shtml

  7. Cunha: FHC abriu a porta da corrupção na Petrobras

    Em entrevista ao jornal espanhol El País, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos 34 congressistas investigados pelo Supremo Tribunal Federal por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, disse que a “porteira da corrupção” na estatal foi aberta pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB); “Desde que alteraram o regulamento de licitações da Petrobras. Ela deixou de obedecer a Lei 8666 [das licitações públicas] e passou a ter um regulamento próprio, por carta convite. A partir disso se formaram os carteis e foi a porteira da corrupção”, disse Cunha, referindo-se ao Decreto Nº 2.745, assinado por Fernando Henrique em 1998; “Ninguém está imune a investigação. Todos podem e devem ser investigados”, disse ainda o presidente da Câmara; apesar do expressivo número de parlamentares investigados, Cunha disse que “a corrupção está no Governo, não está no Parlamento”

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