A ABI precisa de democracia e de bom humor

Milton Coelho da Graça

Depois de 15 anos de Estado novo, 30 anos de ditadura militar explícita e mais 20 da dita cuja implícita (mas apelidada de “abertura lenta, gradual e segura”), o ingrediente mais importante da minha sobrevivência tem sido o bom humor.

Milton quer renovar a ABI

Consegui mantê-lo até mesmo no ano e meio em que estive preso (meus companheiros em celas diversas podem atestar). Minha receita favorita sempre era recordar Heráclito e a lição básica de que nada continua como é, mesmo sem deixar de ser. E, naturalmente, sempre recordar a resposta de um companheiro comunista português, quando lhe pediram uma previsão de como seria o fim do salazarismo: “Por morte natural, é claro”.

Qualquer poder é sedutor – para Luís XIV ou João Havelange, Joseph Stalin ou Getulio Vargas, Mao Tse Tung ou Eurico Miranda. A necessidade de ordem para o progresso é uma justificativa eterna para quem se escolhe como o melhor defensor da ordem.

Os dois mais poderosos países do mundo – com sistemas de poder muito diversos – têm um denominador comum: seus dirigentes máximos só podem exercer dois mandatos. Depois, continuam bem-vindos. Porém, no máximo, consultores.

O Brasil, talvez por conta do bom humor nacional, adotou o sistema dos dois mandatos – mas de cada vez. Nos intervalos, os presidente podem viajar pelo mundo ganhando dinheiro de empreiteiras.

A ABI nasceu para defender as liberdades, principalmente a de imprensa, e cumpriu esse papel, mesmo enfrentando brutal ditadura. Nossos presidentes tinham longos mandatos porque os tempos assim o exigiam. Hoje, ela precisa retomar seu papel – um centro de debate político e cultural. Com o máximo de democracia e de bom humor.

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