A angústia de Paul Verlaine

Rubem Braga ensinava que a poesia é necessária. Vamos então visitar um poema do francês Paul Verlaine (1844-1896).

Paul Verlaine

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A ANGÚSTIA

Nada em ti me comove, Natureza,
nem faustos das madrugadas, nem campos fecundos,
Nem pastorais do Sul, com o seu eco tão rubro,
A solene dolência dos poentes, além.

Eu rio-me da Arte, do Homem,
Das canções, da poesia, dos templos e das espirais
Lançadas para o céu vazio pelas catedrais.
Vejo com os mesmos olhos os maus e os bons.

Não creio em Deus, abjuro e renego qualquer
Pensamento, e nem posso ouvir sequer falar
Dessa velha ironia a que chamam Amor.

Já farta de existir, com medo de morrer,
Como um brigue perdido entre as ondas do mar,
A minha alma persegue um naufrágio maior.

Paul Verlaine, in “Melancolia”
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

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