A apologia ao uso da maconha com a logomarca da Prefeitura do Rio de Janeiro

Milton Corrêa da Costa

Como se não bastassem os tumultos causados com a realização das chamadas ‘Marchas da Maconha’, um blog da Coordenação de Saúde Mental, programa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio, recomenda – é inacreditável a tamanha desfaçatez – e orienta usuários de maconha ao plantio da erva para consumo próprio, além de orientar também a frequência ao culto da seita do Santo Daime, como formas de redução de danos à saúde, tudo isso com a logomarca da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, conforme matéria de destaque do Jornal ‘O Dia/RJ, de sábado, 12/05/12.

Ou seja, apologia explícita e oficializada ao uso de droga ilícita, crime previsto no artigo 33, parágrafo segundo, da Lei Antidrogas, em pleno vigor em território nacional(“constitui crime induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de drogas”), lembrando que o uso e o plantio da cannabis também é proibido pela citada lei.

Inacreditável e inadmissível tal prática permissa, via internet, arquitetada através de um órgão oficial da prefeitura, num total desrespeito à lei e à ordem. Uma grave e perigosa ameaça à  juventude, pois o combate às drogas é a estratégia recomendável, não a permissividade e o incentivo ao uso.

Será que a Secretaria Municipal de Educação também segue tais orientações oficiais  e faz a mesma recomendação a alunos da rede de ensino, envolvendo crianças e adolescentes. É preciso apurar. O que realmente estará por trás disso?

É por demais sabido, inclusive, que a maconha, tal e qual o álcool, são comprovadamente portas abertas ao consumo de drogas mais pesadas. O incrível é que a orientação e o incentivo para a prática criminosa parte de um órgão que trata de saúde mental.

Um importante estudo, coordenado pelo médico Killian A, Welch, da Universidade de Edimburgo, observou os efeitos do uso da maconha e sua relação com a esquizofrenia, mediante  mudanças estruturais no tálamo e na amígdala-hipocampo ao longo do tempo. Foram analisadas 57 jovens, com idade entre 16 e 25 anos, que estavam bem e passaram por uma avaliação completa, incluindo exame de ressonância magnética.

Dois anos mais tarde, todos eles retornaram para outra ressonância magnética e responderam a perguntas sobre o uso de drogas ilícitas, inclusive maconha,  álcool e tabaco no período entre os exames. Dos 57 participantes, 25 tinham usado maconha entre as duas avaliações.

Os pesquisadores descobriram que os participantes que tinham usado maconha mostraram redução do seu volume talâmico que foi significativo no lado esquerdo do tálamo (F = 4,47, P = 0,04), e altamente significativos à direita (F = 7,66; P = 0,008). No entanto não se observou nenhuma perda de volume do tálamo naqueles que não fizeram uso de maconha durante o período de 2 anos.”

Em entrevista ao site Medscape Medical News, afirmou o autor da pesquisa , dr. Kilian Welch: “Já é aceito pela maioria dos psiquiatras que fumar maconha aumenta a psicose no indivíduo, mais especificamente a esquizofrenia . Este é o primeiro estudo longitudinal a mostrar que o consumo de cannabis por indivíduos com risco aumentado de esquizofrenia resulta em desenvolvimento cerebral de maneira diferente daquela como se desenvolveria se não usasse a droga,” observou o Dr.Welch.

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O ASSASSINATO DE GLAUCO, O CARTUNISTA

Nesse contexto de apologia oficializada ao uso de drogas, questiona-se ainda a recomendação para frequência aos cultos da seita Santo Daime, lembrando que um dos frequentadores, o jovem Kadu, com 24 anos à época, sob o efeito de maconha, conforme comprovado em exame toxicológico, matou, em São Paulo, no ano de 2010, o criador da citada seita, o cartunista Glauco Vilas Boas e o filho deste.
Kadu fumava maconha desde os 15 anos de idade, tendo o uso contínuo da droga acelerado seu processo de esquizofrenia, segundo relato do próprio pai.

Aqui vale ressaltar o importante depoimento do presidente da Associação dos Dependentes Químicos em Recuperação, ao jornal ‘O Dia’, não poupando críticas ao conteúdo do blog: “O que está por trás disso é uma política nefasta de legalização das drogas. Defendemos ajuda para quem, por algum motivo, acreditou que seria bom usar drogas, e teve suas vidas e de suas famílias destruídas, mas agora quer recomeçar tudo sem usar drogas”, afirmou.

Depois dos questionamentos feitos por ‘O Dia’, o blog da Prefeitura, já com 105 mil visitações, tirou o conteúdo do livro que ensinava a plantar maconha, no qual um trecho (pasmem) afirma: “Permitindo ao usuário produzir a droga que consome, estaria contribuindo com sua saúde”.

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