A arte e o artista

Tostão (O Tempo)

Escrevo, há mais de dez anos, que o futebol brasileiro não sabe marcar por pressão, deixa muitos espaços entre os setores, atua com zagueiros encostados à grande área, que há muita distância entre o jogador mais recuado e o mais adiantado e que depende demais das jogadas aéreas e de lances individuais e esporádicos. Não critico apenas quando a seleção não ganha.

Espanha e Alemanha são as duas melhores seleções. O Brasil não está entre as quatro melhores, mas, por jogar em casa, é a quarta com mais chances de ganhar a Copa. A Argentina é a terceira. Se a Copa não fosse em casa, as possibilidades do Brasil seriam mínimas.

A Espanha, mesmo sem um ótimo atacante, é a melhor de todas. Sobram craques no meio-campo, além de vários excelentes defensores. Contra a França, como na Copa de 2010, a Espanha, fora de casa, dominou a partida, ficou quase todo o tempo com a bola, fez um gol e segurou o placar.

Critiquei, várias vezes, Vicente Del Bosque por escalar dois volantes (Busquets e Xabi Alonso) e mais Xavi. O Barcelona atua com Xavi e um volante (Busquets). Agora, compreendo o técnico. Além de melhorar muito a marcação, Xabi Alonso é excepcional, mestre no passe rápido e para frente. Em algumas situações, o técnico troca um dos dois volantes por mais um meia ou um atacante.

ALEMANHA E ARGENTINA

A Alemanha possui um ótimo conjunto, como a Espanha, porém, tem menos craques. Nas duas últimas partidas, o técnico, por causa das contusões dos dois centroavantes, Mario Gómez e Klose, colocou, mais à frente, o jovem e brilhante meia de ligação Götze, reserva de Özil. O técnico deve ter gostado. Ele tem a chance de escalar mais um craque. Mario Gómez e Klose são apenas bons finalizadores, como Fred.

A Argentina possui o melhor quarteto ofensivo entre as seleções, formado por Messi, Higuaín, Agüero e Di Maria. Faltam reservas à altura. Em alguns jogos, o técnico Sabella, pode trocar Agüero ou Higuaín por mais um armador. A Argentina, após a chegada do treinador e a saída dos zagueiros veteranos, arrumou a defesa, que era o ponto fraco.

Messi sabe que precisa ser campeão e brilhar intensamente para ficar na história, acima de Maradona. Tecnicamente, já está, por ter uma média muito maior de gols e pela regularidade. Messi é humilde, discreto, mas é também ambicioso, como todo craque.

O maior compromisso de um grande talento, em qualquer atividade, é com sua arte, com sua paixão. Não é com o sucesso, a fama e o dinheiro. Por isso e para evoluir, o craque precisa se dedicar bastante à sua técnica, além de atuar ao lado e contra os melhores atletas e times. Imagine se Messi jogasse em uma grande equipe da Argentina. Seria excepcional, mas não seria Messi. Seria um Neymar.

DISCUSSÃO

Alguns leitores, repetindo o que já disse o presidente Kalil, argumentam que o Atlético terá mais lucro no Independência do que no Mineirão, já que, no estádio do Horto, o clube explora bares, restaurantes, camarotes e outras coisas. Isso é discutível. No Mineirão, nos grandes jogos, o Atlético poderia levar 60 mil torcedores. Essa conta precisa ser mais discutida.

O principal motivo de o Atlético jogar no Mineirão não é financeiro. Minas Gerais tem um estádio espetacular, no nível dos melhores do mundo, e é estranho, para todo mundo, que o Atlético não jogue lá suas principais partidas. O Mineirão dá muito prestígio para Cruzeiro, para Atlético e para o futebol mineiro. Está subutilizado.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *