A atitude marginal e covarde de quatro policiais militares traidores da sociedade

Milton Corrêa da Costa

Mais dois lamentáveis e gravíssimos desvios de conduta envolvem quatro policiais militares da PM do Rio – já estão presos, na forma da lei – em dois episódios distintos ocorridos nesta semana, semelhantes na falsa crença de que a polícia, que tem a missão de servir e proteger, pode tudo: até extorquir, matar e ocultar cadáveres.

As acusações são de crimes de sequestro e homicídio. Os dois lamentáveis fatos causam, mais uma vez, numa preocupante rotina, repulsa à sociedade que quer acreditar na sua polícia além de envergonhar os dignos integrantes da instituição, que com o risco da própria vida, numa função de natureza estressante, doam o seu sangue em defesa da sociedade, como protagonistas de uma violenta, preocupante e permanente guerra urbana.

Na Cidade de Deus, bairro da zona oeste do Rio, dois policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) ali existente – vejam o perigo da contaminação e descrédito do importante projeto de governo na área de segurança – são acusados do desaparecimento do dono de um ferro-velho, de quem, ao ser abordado por suspeita de embriaguez ao volante e sem documentação pessoal e do veículo, exigiram – e o levaram em sua própria residência – mil reais para que não fosse conduzido à Delegacia Policial.

Gilmar não chegou à delegacia desde terça-feira e está desaparecido até o momento em que redijo este texto. Familiares que testemunharam o gravíssimo fato e reconheceram um dos policiais já foram retirados da comunidade onde moravam para a proteção de suas próprias vidas. Medo de que a própria polícia cometa o conhecido crime de “queima de arquivo”. Absurdo e indignação com todas as letras

No outro caso, ocorrido na madrugada da última quarta-feira, na Baixada Fluminense, dois policiais militares assassinaram um eletricista com três tiros de fuzil, cujo corpo carbonizado foi encontrado dentro de um carro incendiado, no município de Belford Roxo. A patrulha da PM havia parado onde estavam a vítima e outras pessoas. Um cabo seria o autor dos disparos após ter dito; “Ah, você é o Márcio?”. Em seguida o executou friamente. O depoimento foi passado por um dos amigos da vítima. Impressionante a insensibilidade e a insensatez, ainda nos dias de hoje, onde um agente do Estado – não era caso de legítima defesa de sua vida – possa imaginar que possui o direito de exterminar seres humanos.

Tais fatos constituem, pois, um preocupante e grande desafio ao comando da corporação para fazer a necessária ‘faxina’ e arrumar a casa. Mais dois golpes baixos e sujos desferidos por quem deveria servir e proteger, no momento em que a polícia do Rio caminha para um novo referencial do qual não se pode mais se afastar. O referencial de uma polícia democrática, cidadã, parceira e sobretudo confiável, com o projeto UPPs.

Mas o que leva policiais militares, dois deles recém-formados, servindo numa Unidade de Polícia Pacificadora, a se desviarem de forma inaceitável do dever funcional e optar pelo caminho do crime? Por que os quatro pseudos policias militares traíram de forma de tão grave a sociedade a quem um dia juraram defender com o sacrifício da própria vida? E o processo de formação do do policial militar? Tem falhado na abordagem nos campos da ética e da moral? Há necessidade de especialistas do tema repensarem a abordagem de questões que conduzem o homem-policial a ser dominado pela fraqueza moral e pelo desvio de conduta?

O que precisa ser feito para que fatos como estes não se tornem corriqueiros? Por que muitos candidatos ao ingresso na instituição policial vislumbram a possibilidade do lucro fácil, da vantagem pecuniária, na utilização de uma arma, de uma carteira funcional e mesmo de uma patente superior para se locupletar? Com que intuito muitos dos que se submetem ao processo de seleção para ingresso nas instituições policiais se inscrevem? A possibilidade do ganho fácil? E um oficial, com curso de formação de três anos, doutrinado para as funções de comando e liderança, que resolve comportar-se muitas vezes como autêntico bandido?

Tais lamentáveis fatos demonstram que quem tinha o dever da conduta reta acaba cometendo uma tríplice traição. Contra o Estado que nele investiu durante sua formação para ser um fiscal da lei. Contra a sociedade que jurou defender e aos concidadãos. E, finalmente, contra a própria família, desamparada agora pela provável perda da função pública de seu chefe. Um péssimo exemplo para os familiares e amigos. O pai-herói de repente torna-se um bandido de farda. Vergonhoso. Inaceitável sob todos os aspectos condutas desviantes de suma gravidade como estas em que a lei, em se tratando de policiais, deveria punir com pena em dobro.

Aos pseudos policiais, inimigos da sociedade, o rigor da lei e o nosso veemente repúdio.

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