A ausência de negros nos estádios de futebol exibe a inaceitável desigualdade racial no país

Carlos Newton

Tenho sofrido grande desconforto e revolta ao assistir futebol pela TV. Quando os cinegrafistas fazem imagens das torcidas, nos transmitem uma ideia de que o jogo é realizado em algum país europeu.

É impressionante como a população negra desapareceu dos estádios. São raríssimos os afrodescendentes que conseguem pagar os preços dos ingressos no padrão Fifa. É um fato, uma realidade indesmentível, inquestionável, inaceitável;

Esta situação, constatada em todos os estádios reformados para a Copa de 2014, é o mais forte indicador de um fato que sempre foi contestado e envolto em polêmica – a desigualdade social e racial no país.

Embora o Brasil possa se orgulhar de ser o país mais miscigenado do mundo, as câmaras da TV exibem, às escâncaras, como as oportunidades continuam sendo desiguais e como os negros estão condenados à servidão no mercado de trabalho.

Sempre fui contra as cotas raciais e tenho defendido a predominância do critério do mérito, sobre todos os demais. Eu estava errado. Essas cotas raciais na universidade e no mercado de trabalho são o mínimo que se pode fazer pelos negros. Desculpem minha avaliação equivocada.

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16 thoughts on “A ausência de negros nos estádios de futebol exibe a inaceitável desigualdade racial no país

  1. Caro Jornalista,

    Os negros não ficaram de fora dos estádios por terem mais melanina por milímetro quadrado de pele. Ficaram por não terem dinheiro para pagar as entradas!

    Assim como ficaram os brancos, amarelos, mulatos, cafusos, pardos, vermelhos e verdes NA MESMA SITUAÇÃO FINANCEIRA!

    Abraços.

    E que se RASGUE A CONSTITUIÇÃO!

  2. Carlos Newton,

    Realmente o padrão Fifa (preços altíssimos dos ingressos) afastou os Negros dos estádios. A educação infantil – pré-escola, o ensino fundamental e o ensino médio deviam ser de responsabilidade exclusiva do governo federal (proibindo escolas particulares), a escola técnica ser pública ou privada e o ensino superior privado e não necessariamente público. Daí todos teriam a igualdade para acessar a escola técnica ou superior. Dessa maneira irá democratizar o acesso nas escolas técnicas e superiores. O sistema de cota é uma maneira de fugir do plano para programar uma política educacional no país. Imagina o fechamento das escolas privada (pré-escola, fundamental e médio) para fazer a verdadeira igualdade de acesso aos níveis de profissionalização – o governante terá que ter respaldo popular, político para enfrentar o grande “lobby” da educação privada existente no país, caso contrário será sempre remendo esta política de segregação (sistema de cotas) que não mexe na raiz dos problemas. Carlos Newton, você equivocado? Não. O equivoco existente é do governo que não tem a coragem de implantar uma verdadeira reforma no ensino no país, na verdade, o governo federal, não tem coragem para nada, age mais como um bando assaltando o contribuinte, o estado para o enriquecimento ilícitos da grande maioria dos governantes.

  3. Fácil de resolver! Bolsa-futebol para os “afro-descendentes” (que nome estúpido!) e as arquibancads vão ficar cheinhas da silva! Hehehehehehehe!

  4. Daqui a pouco, esse tipo de discurso vai criminalizar a cor branca. É de um reducionismo simplista insuportável querer falar do problema econômico no futebol a partir da cor dos que frequentam e dos que não frequentam as novas arenas.

    Os administradores estão buscando um novo perfil de público que faça com que seu negócio seja rentável. Estão adequando. E, claro, o povão não será chamado pra essa festa. Os super-salários do futebol e as estruturas modernas vão cobrar seu preço.

    Dizer que é um problema de racismo é ridículo. O branco pobre, da periferia, também não vai. No entanto, nenhum “intelequitual” toma as dores dele. Por quê? Porque para essa nojeira do politicamente correto, o branco é a cor do mal.

    Mas, não se preocupem: além da gratuidade por lei, dos preços especiais pra sócio-torcedor e da meia-entrada controlada pela UNE, daqui a pouco virá o sistema de cotas para os estádios. No final, o cidadão que não se enquadrar em nenhum dessas “categorias excluídas” vai ter que pagar 500 reais pra ver um jogo de futebol nas novas arenas. É o que vai acontecer.

  5. Prezado jornalista,

    A questão, definitivamente, não se resume à cor da pele. É fato que a maioria dos negros se encontra, por razões históricas sobejamente conhecidas, em uma péssima situação sócioeconômica, mas não são os únicos. Quem visitar uma favela da cidade de São Paulo encontrará crianças loirinhas, de olhos verdes, vindas do interior dos estados da região sul. Trata-se, de fato, de um reducionismo simplista, burro e demagógico, como demagógico é o seu pedido de desculpas. Que tal de uma vez por todas, adotarmos critérios que contemplem o nicho social em que essas pessoas sem encontram? Em tempo, a despeito de meu sobrenome e da cor da minha pele, sou afrodescendente.

  6. CN
    O Brasil está se transformando é um país moreno. Acredito que daqui umas dez gerações, seremos um país de feições morenas,olhos cabelos castanhos, restarão apenas pequenos núcleos de brancos, negros e poucos asiáticos.Veja um jogo em Porto Alegre e outro em Salvador que você vai notar diferenças.

  7. A perseguição é ainda maior dentro de campo quando barram um goleiro espetacular e em alta há mais de 3 anos como o Jefferson pra colocar esta bucha velha do Julio César (goleiro do cretino Queens Park Rangers, laternaça da última Premier League). Perseguição também o que se fez com o Ramires naquele episódio do jogo do time da CBF contra a Russia em Londres. Aos poucos, sutilmente, vão banindo também os jogadores negros sob alegações mais canalhas como “índice técnico” ou “indisciplina”. Esperar o que? Nestes últimos 10 anos foram militarizando a seleção brasileira pouco a pouco, criando a idéia de que o jogo é uma guerra, de que – como perguntava o pateta Julio Cesar naquele famigerado comercial “a gente é o que?!” – jogadores são ‘guerreiros’, elevando um simples jogo a um patamar de ame-o ou deixe-o. A cereja neste bolo (fecal) foi a nomeação do Marin como presidente da CBF. Mas isto nunca vai mudar, pois os clubes brasileiros são prostitutas da globo e cordeirinhos da própria CBF, além de muitos deles terem nomes vinculados à política. Jamais terão coragem de estabelecerem um campeonato próprio, e a maioria dos ditos ‘grandes’ continuam na cara de pau de jogarem em estádios (superfaturados) erguidos com dinheiro público como se fosse a coisa mais normal do mundo.

  8. Parabéns pela sua indignação e conclusão,…mas você só chegou a essa conclusão por causa dos ultimos jogos que voce viu? Então não se preocupe; vai passar.

  9. Falta então reconhecer que estava no mínimo equivocado em umas outras…hhuhhn…digamos…infinidade de coisas…a começar pela candidatura de Dilma contra Lula.

  10. Tá na hora de parar o chororo dos descendentes da raça negra.Assim como existe negros sem emprego,estudo e renda existem muitos brasileiros na mesma situação.
    A maioria dos frequentadores dos estádios,no preço atual, estão fazendo sacrifício e até devendo ou será que ali todo o mundo é abastado?

  11. Tá vendo só Newton! Os fascistas(racistas) que te apoiam em outros embates de idéias, como aquele do Capilé(que é negro), agora chegam até a te ironizar neste mea-culpa. Claro, a senzala nunca foi extinta do Brasil, só mudou de nome. Quem é, ou se acha, branco sempre verá o negro sob um ponto de vista enviesado.

  12. O tempo e o senhor da razão, o Brasil pratica um racismo altamente moderno, que somente pode ser cconstatado com teste do pescoço :
    ” – EI garoto por que voce estuda aqui ?
    — UE porque estudo !
    – Mas meu pai me matriculou aqui para que eu não tenha que estudar com um preto ! ”

    http://www.youtube.com/watch?v=r-frpJ2Lczc

    ” SÓ OS LIVROS LEVAM O SER HUMANO AO PROGRESSO. TAÍ JOAQUIM BARBOSA COMO EXEMPLO! ”

    ” o ministro afirmou que “… é uma das instituições mais discriminatórias do Brasil” –Barbosa fez concurso para a carreira diplomática, mas não foi aprovado. “Passei nas provas escritas, fui eliminado numa entrevista, algo que existia para eliminar indesejados. Sim, fui discriminado, ”

    http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2013/07/30/noticiasjornalpolitica,3101154/itamaraty-rebate-presidente-do-stf-joaquim-barbosa.shtml

  13. Não havia nas roletas do Maracanã, nem nos postos de venda de ingressos pela internet, um sistema de identificação do percentual melânico da pele dos torcedores; havia, sim, um preço muito caro.
    Um número elevadíssimo de brancos, mulatos, cafuzos, mamelucos, índios, japoneses e negros não tiveram dinheiro para pagar os ingressos.
    Estranho seria se no Brasil, um país que sempre foi pobre, os descendentes de ex-escravos tivessem mais dinheiro do que os descendentes de seus antigos donos, ou proprietários, o termo que seja mais politicamente correto – isso sim seria surpreendente. Isso não acontece nem nos EUA, país que fez mais pelos seus ex-escravos do que qualquer outro no mundo. No Haiti, os escravos se rebelaram e expulsaram ou mataram seus algozes europeus. Não resolveu o problema, o Haiti é o país mais pobre das Américas.

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