A autocondenação do poeta Carlos Nejar

Nejar é membro da Academia Brasileira de Letras

O crítico literário, tradutor, ficcionista e poeta gaúcho Luís Carlos Verzoni Neja, no poema “No Tribunal”, sentencia a sua própria condenação.

NO TRIBUNAL
Carlos Nejar

Eu e o tribunal
e sua fria mudez.
O juiz no centro e no fim,
o rosto girando em mim,
farândola.

Vim, com a escura coragem,
de um réu antigo e selvagem.
O que me prendeu,
lutou comigo e venceu.
Vacilava em me reter,
mas eu que entregava,
por saber que minha chaga
estava exposta na lei.

Giram as mãos
e os pés atados.
O juiz é um vulto
que eu mesmo fiz
com meus esboços.

O juiz no centro, no fim,
no tribunal onde vou,
no tribunal donde vim.
E assim me condenei
a permanecer aqui.

               (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

One thought on “A autocondenação do poeta Carlos Nejar

  1. meus parabéns para o meu grande amigo e poeta Dr. Luis Carlos Verzoni Nejar.
    Tenho Muita Saudade das nossas conversas fundamentada na palavra do grande e todo poderoso Deus, no café da manha com pão de queijo e limonada suíça em Brasilia.
    Att. Ubiraci Oliveira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *