A bacia de social


Sebastião Nery     

No começo de 1945, a guerra acabava, a União Soviética avançava sobre Berlim, a ditadura Vargas se desmanchava, a oposição criava a UDN em torno de Eduardo Gomes e os comunistas saíam da toca e exigiam legalidade e anistia para Luís Carlos Prestes e todos os presos.

Os interventores Benedito Valadares de Minas, Fernando Costa de São Paulo,  Agamenon Magalhães de Pernambuco, Amaral Peixoto do Estado do Rio, o prefeito de Belo Horizonte Juscelino Kubitschek e o prefeito do Rio Henrique Dodsworth começaram a reunir-se no apartamento de Benedito, no Rio, para criarem o partido do governo.

Qual o nome?

– Partido Democrático.

Benedito, que só era burro para a UDN mineira, propôs:

– Olhem para a Europa. Os tempos são outros. Vamos botar uma pitada de social nisso aí. Vamos chamar o partido de Social Democrático.

E um pernambucano ilustre, Barbosa Lima Sobrinho, amigo de Agamenon Magalhães, redigiu o primeiro programa do PSD (que nasceu em 17 de julho de 45) com “uma pitada de social”. Jogaram a UDN para a direita, de onde nunca conseguiu sair e onde morreu e se enterrou.

O NOVO

Mais de meio século depois, o governador de Pernambuco Eduardo Campos,, presidente do PSB (Partido Socialista Brasileiro), e a ex-senadora e -ministra Marina Silva, fundadora da REDE Sustentabilidade, deram ao pais uma lição magistral da verdadeira política. Jogaram na campanha de 2014  não “uma pitada”, mas “uma bacia” de social, de democracia, seriedade, honestidade, não-corrupção, não-mensalão, não-Chavez, não-Lula, não-PT.

A juventude que foi às ruas cantando esperanças, a Nação que foi às praças sangrando desesperanças, têm em quem votar. Tenho em quem votar.

Esperamos que Campos e Marina compreendam a responsabilidade  que o pais pôs em suas mãos. Duda Mendonça, metade baiano metade gênio,  avisou há um mês: – “Quem vai ganhar a eleição de 2014 é o novo”.

O novo chegou. Tem nomes: Eduardo Campos e Marina Silva.

O VELHO

1.-A ação política deixou de ser ideológica e passou a ser financeira. Os rumos mercantilistas e pragmáticos tornaram-se fato normalíssimo na vida política . Os partidos tradicionais se descaracterizaram e o balcão de negócios partidários se multiplicou com a criação de partidos de aluguel. Fez-se atividade de alto rendimento financeiro, alimentando o apetite pantagruélico dos oportunistas e estelionatários da política. Entre São Paulo e Brasília  um advogado gaba-se de já ter criado sete partidos.

2.- Em 2013, 32 partidos receberão R$ 332 milhões do Fundo Partidário (financiado com dinheiro do contribuinte). Nos últimos dez anos (2003 a 2012), os partidos receberam R$ 2,3 bilhões do Fundo Partidário.  Transformou-se em negócio seguro e de rentabilidade garantida. Além desses recursos, incorporam ao seu patrimônio o mercado supervalorizado do tempo de TV, a que têm direito desde que criados, e transacionados na escala de milhões nos momentos eleitorais. Nas eleições municipais de 2012, os partidos movimentaram, em arrecadação, oficialmente, R$ 1 bilhão. O “filet-mignon” ocorre nas eleições para governadores e presidente, quando atinge cifras estratosféricas.

BASE ALIADA

3.-Nos últimos 20 anos, os governos Fernando Henrique, Lula e Dilma, usaram essa parafernália partidária para formar a chamada “base aliada”. Sem doutrinas nem princípios, abjurando valores, apoiam qualquer governo de plantão, ocupando posições destacadas no Executivo. Daí a multiplicação de ministérios de fachada e negócios. Atualmente são 39.

A chamada “base aliada” frequenta o cotidiano da imprensa nacional, com denúncias diárias de escândalos e desvios dos recursos públicos. Atônita e perplexa a sociedade não se sente representada pela grande maioria dos parlamentares. As vozes resistentes são marginalizadas. O quase desencanto frequenta o cotidiano dos parlamentares éticos e sérios.

4.-Começando em 1946, quando cobriu a Constituinte no Palácio Tiradentes, no Rio, e testemunhou o nascer de Brasília, o brilhante jornalista Rubem Azevedo Lima, nosso venerando e incomparável decano, lamenta:

– “Oposição era oposição e governo governo. A briga agora é por cargos e verbas. O plenário perdeu a graça. A inteligência entrou em colapso. A cúpula dos partidos faz hoje acertos que eram impensáveis no passado”.

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4 thoughts on “A bacia de social

  1. Cadeia já para todos os ladrões do PT – vão faltar algemas e presídios. Lulla vai fugir do Brasil junto com o Genoíno, mas Zé Dirceu vai ficar porque conta com a notória boa vontade de meia dúzia de colunistas e bloqueiros e bloqueiras sociais (mais do Rio do que de SP). Todos são remunerados pelo PT.

  2. Dona Marina, representa o novo que ninguém sabe o que é. excetuando-se o meio ambiente
    e a sustentabilidade, que não se sabe como funciona, qual a política dela para os graves
    problemas do pais, como: As ONGs estrangeiras, o problema indígena, que não querem mais colar
    nem apito, querem muita terra, as empresas estratégica nas mão de multinacionais, e a espionagem. Tudo isso, é um atentado a soberania nacional. Que solução ela apresenta para resolver a situação da saúde, do transporte, da educação da corrução, da segurança interna e da renda concentrada nas mãos de poucos. São tantos os problemas a resolver e não vejo a Dona Marina e Eduardo Campos, apresentar um programa para resolvê-los e ainda assim não têm história que lhes confira credibilidade.
    Analisando friamente: todos os candidatos que estão se apresentando, são farinha do mesmo saco. Não devemos nos iludir.

  3. O brasileiro está com emprego e grana no bolso. Mudar para que? A copa vem aí, mudar para que? Comprei carro/apartamento novo, mudar para que? Meu filho está na faculdade, mudar para que? Estou viajando nas férias, mudar para que? Em todo lugar que passo tem obra, mudar para que?

  4. (ÊTA CACHAÇA BOA). Quê novo essa gente representa?uma não larga a bandeira desbotada do “verde”,o outro oportunista das pesquisas fabricadas,não tem projeto de governo ,não estão nem aí para o BRASIL e para o povo ,interessa-lhes o poder e a caneta .O povo até gosta da causa verde ,mais não come capim,não vai cair nessa REDE de arrogância e falsidade,porque o país precisa crescer e se desenvolver.(e essa não é a causa de nenhum desses dois)

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