A burríssima votação do salário mínimo. Nem vitória nem derrota. Numericamente, retumbaram como a consagração do governo. A oposição (?) fingiu que estava em campanha, “pediu” 600 reais. Governo de base sindicalista,não teve os votos dessas forças, que fundaram o PT.

Helio Fernandes

Apesar da vantagem “arrasadora”, no dizer de membros do governo, não houve nada disso. Tumulto que vem desde a eleição e a posse de Dona Dilma. E chegaram quase à meia-noite de ontem, quarta-feira (praticamente já hoje, quinta) numa incerteza, insatisfação e informação (desinformação) completa, total e absoluta.

“Foi o grande teste do governo de Dona Dilma”. Ela deve ficar preocupada com os elogios contidos nas manchetes de hoje dos jornalões: “Dilma vence a primeira batalha e aprova mínimo de 545 reais”. Todo o cuidado é pouco, presidente, não houve VITÓRIA alguma. Queriam os holofotes, se mostraram para seus públicos, que foram até identificados EQUIVOCADAMENTE. Não havia a menor possibilidade de derrota NUMÉRICA para o governo, todos sabiam disso.

Súmula dos trabalhos, perdão, dos números. O PSDB (e mais os penduricalhos) queria “honrar”, Ha!Ha!Ha!, os 600 reais garantidos na campanha. E como sabiam que não venceriam, destacaram deputados para usar a tribuna da Câmara, e falarem todo o tempo. Tiveram 104 votos e 2 em branco.

O DEM (estabanadamente apoiado pelas centrais sindicais) pretendia 560 reais. Tiveram 120 votos, mais do que o PSDB. Motivo: as centrais sindicais precisavam mostrar, “não somos adversários e sim interlocutores, queremos conversar”. Dona Dilma recebeu o recado? Vai entendê-lo? Como dissidentes?

Acredito que vai contemporizar, que palavra. Mas muito melhor do que a do Ministro da Fazenda, que indo à Câmara, afirmou: “Isso é INCONGRUENTE”. De onde tirou essa palavra?

Dona Dilma enquadrará os sindicalistas como dissidentes? Se o fizer, terá que cumprir a própria determinação: “Dissidente será tratado como dissidente”. Precisará reformular a afirmação anterior, não tem força (por enquanto) para duelar com as chamadas lideranças sindicais.

Na verdade, essas forças foram as únicas que, no plenário e na atuação, agiram objetiva e abertamente. Fariam acordo com qualquer um, de esquerda, centro ou direita. (Embora isso não exista mais hoje, o que importa é sobreviver. Os trabalhadores foram muito bem defendidos e representados).

Não sei com quem Dona Dilma pode ser reunir para a análise do que aconteceu. Se ficar apenas na superfície e envaidecida pelas “manchetes” e pelas “primeiras”, terá que concluir que não PERDEU, era impossível, mas também não GANHOU.

Se examinarmos em profundidade o que aconteceu, terá que concluir, mas não o fará em público: “Diminuiu o Poder de compra de 47 milhões de pessoas, o CONSUMO cairá tremendamente”. Mas só a partir de abril/maio.

*** 

PS – Decepção, frustração, contradição, palavras que circulavam ontem e hoje. E ainda terá que haver a votação no Senado. O governo ganhará, não há dúvida. Mas é preciso ficar atento, as lideranças sindicais têm mais tempo para comporem.

PS2 – A confusão era tão grande que aplaudiram de pé o deputado Ronaldo Caiado e sua liderança conservadora.

PS3 – E vaiaram antes dele acabar de falar o deputado Vicentinho, bravo lutador, ex-presidente da CUT, que no auge de tudo, se afastou da política sindical, foi estudar e se formou em DIREITO. Não reconheceram o mérito.

PS4 – Dia 16 de fevereiro será uma data para Dona Dilma ESQUECER ou deixar de LEMBRAR. Tanto faz, a ordem dos fatores não altera o produto. Mas a presidente saiu com cacife menor e um Poder de compra (o famoso CONSUMO) bastante desgastado. Só que acho que não vai entender nada.

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