A candidata perde tempo

Carlos Chagas

No ninho dos tucanos, vai prevalecendo a natureza das coisas: Aécio Neves já admite tornar-se companheiro de chapa de José Serra e, à medida em que a campanha se desenvolva,  mais clara ficará a força da dupla. Nada que faça antecipar resultados, é claro, porque eleições sempre revelam surpresas. Mas Minas e São Paulo unidos sempre geram consequências no quadro nacional.

Vale, hoje, voltar a atenção para o reverso da medalha. E a chapa  encabeçada por Dilma Rousseff, como se comporá? O PMDB já foi convidado pelo presidente Lula  a indicar o candidato a vice-presidente, mas com o crescimento da  agora ex-chefe da Casa Civil, algumas exigências emergiram. Primeiro, o Lula quis uma lista tríplice, isto é, não pretendia ficar engessado na imposição do nome de Michel Temer, de quem não é um fã ardoroso.

Depois, foi um chute  de proporções razoáveis no traseiro dos dirigentes  do maior partido nacional  quando  as pesquisas indicaram diferença mínima   entre os percentuais de Dilma e Serra. Entraram em campo a arrogância e a empáfia dos companheiros, que imaginaram não precisar depender mais do PMDB. Por que ficariam prisioneiros de um partido já considerado nem tão importante assim para a vitória da candidata oficial? Nomes variados surgiram para a vice-presidência,  no PMDB e fora dele. Henrique Meirelles,  Hélio Costa, Edison Lobão e até Ciro Gomes.

Com a gangorra sempre balançando, veio a pesquisa mais recente, onde a distância voltou a aumentar entre os dois pretendentes à presidência da República. Serra abriu diferença de nove pontos sobre Dilma, nem se falando  nas simulações para o segundo turno. Resultado: o presidente Lula e o PT de novo passaram a cortejar o PMDB e, como conseqüência, Michel Temer. Há quem dê como certa, hoje, a candidatura do presidente da Câmara e do partido.

E amanhã? Amanhã, tudo pode mudar outra vez. Em sã consciência, ninguém sabe ao certo quem será o companheiro de chapa de Dilma Rousseff. Há tempo, é lógico, até as convenções marcadas para junho, mas se a indecisão prevalecer, perde tempo a candidata. Perderá votos, também?

Imagens oportunas

Mil personagens da História do Brasil continuam merecendo estudos mais aprofundados, à medida em que o tempo passa. Uma delas foi o coronel da Força Pública de São Paulo, Miguel Costa, revolucionário de 1924, em São Paulo,  no ano seguinte  comandante maior da rebelião,  chegando a ostentar por algum tempo a chefia e o nome da mais célebre coluna militar revolucionária, afinal transformada em “Coluna Prestes”. Com a vitória da Revolução de 30, o velho coronel feito general ocupou a Chefia de Polícia do primeiro interventor em São Paulo, João Alberto.

É aqui que o personagem mais nos chama a atenção.  Tido como socialista,  execrado pelas elites paulistas, também possuía características fascistas, fundador da Legião de Outubro.   Dele se dizia manter  o marxismo no coração e os marxistas na cadeia.

Por que essa referência inusitada a episódios tão distantes? Porque do governo Lula pode-se fazer um paralelo: mantém o MST no coração, mas os sem-terra na cadeia…

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