A cigana, o médico e conversa de governo

Sebastião Nery

Magalhães Pinto passeava por Conceição do Mato Dentro com José Aparecido, que levava pela mão o filho, depois prefeito e deputado federal, José Fernando. Uma velha cigana viu Magalhães na praça, pegou suas mãos, arregalou os olhos:

– Eu vejo aqui que o senhor vai viver 100 anos.

– Minha filha, não tente subestimar os desígnios de Deus.

A cigana não sabia quais eram os desígnios de Deus, ganhou umas miúdas moedas de banqueiro e foi embora. Magalhães também não sabia.

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O MINEIRO

Outra da sabedoria mineira. Dalton Canabrava, médico e bravo deputado do MDB de Minas nos turvos tempos da ditadura, de terça a sexta era deputado em Belo Horizonte, de sábado a segunda era médico em Curvelo.

Uma mulher chegou com o marido para fazer uma consulta. Convidado por Dalton, o marido também entrou na sala.

Enquanto Dalton auscultava a mulher, o mineiro, sentado, observava, atentamente. Quando Dalton começou a apalpar a mulher e perguntar “dói aqui”?, “Dói cá”? – o mineiro levantou-se:

– Dr. Dalton, vamos fazer um trato? O senhor pergunta e eu apalpo.

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UM BURRO A MAIS

Luiz Carlos Prestes, Juarez Távora e Cordeiro de Farias, com a Coluna Prestes, na década de 20, chegaram até o interior do Maranhão. O governador Magalhães de Almeida mandou, por um portador, um bilhete para o coronel Jefferson Nunes, avô do depois governador Nunes Freire:

– Coronel, compre dez burros para perseguir os revoltosos. Depois, o governo do Estado paga.

O coronel Nunes despachou o portador de volta, com a resposta escrita:

– Governador, não vou comprar não. Seriam onze burros comigo, se eu acreditasse em conversa de governo.

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