A CPI em marcha lenta

Carlos Chagas

Senão devagar, quase parando, a CPI do Cachoeira começa em marcha lenta. Só vai trabalhar depois do feriado do Dia do Trabalho, anunciando seus dirigentes não pretender tomar depoimentos, por enquanto. Vão requisitar do Supremo Tribunal Federal cópias do inquérito da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, analisando-o primeiro, coisa capaz de levar tempo.

Só depois se preocuparão em preparar a lista de depoentes. Serão criadas sub-comissões para dedicar-se a cada tema sob investigação, das atividades de Carlinhos Cachoeira à Delta Engenharia, das ligações do bicheiro com os governos de Goiás, Distrito Federal e Tocantins e também com o governo federal, além da sua atuação no exterior.

Seria mais oportuno que já na próxima semana convocassem o próprio Cachoeira, pois boa parte das acusações contra ele são do domínio público, divulgadas pelos jornais através de vazamentos variados. Ainda que ele pudesse ser convocado outras vezes, essa imediata oitiva definiria a disposição da CPI de mergulhar nas diversas facetas do escândalo.

É cedo para apreciações, os trabalhos não começaram, mas a primeira crítica torna-se pertinente: já deveriam ter começado.

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ENQUANTO ISSO…

Enquanto a CPI não dá a partida, importa olhar para o Conselho de Ética do Senado, que ontem deve ter recebido a defesa do senador Demóstenes Torres. O representante de Goiás sustenta sua inocência nas diversas conversas telefônicas mantidas com Carlinhos Cachoeira, gravadas pela Polícia Federal.

Mas volta a contestar a utilização dessas gravações como prova contra ele, já que não haviam sido autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal. Admite-se que depois de examinar o texto produzido por Demóstenes a Comissão de Ética queira ouvi-lo para esclarecimentos.

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EMPACOU

Esperava-se para este mês de abril, que já termina, a nomeação pela presidente Dilma dos sete membros da Comissão da Verdade. Como faltam apenas dois dias úteis, a suposição é de que continua difícil encontrar cidadãos dispostos à tarefa de ficar investigando ações de agentes do estado envolvidos em práticas de tortura e coisas piores, durante os anos da ditadura. Será que entre 195 milhões de brasileiros não se encontram pelo menos sete?

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VEIO FAZER O QUE?

Havia dúvidas, ontem, no Congresso, a respeito do que teria vindo fazer no Brasil o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta. Visita de cortesia ao ministro da Defesa brasileiro? Troca de gentilezas? Ou aviso prévio de alguma ação militar para a qual Washington gostaria do apoio de Brasília?

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