A crise global

Roberto Nascimento

Desde a eclosão, em setembro de 2008, das primeiras labaredas que explodiram o setor imobiliário dos Estados Unidos levando de roldão o sistema bancário, as duas catástrofes tiveram como consequência a forte recessão na maior nação capitalista, que persiste até hoje. O resultado do efeito dominó mais evidente ocorre na zona do euro. O velho mundo, a Europa está em chamas literalmente, arrastada pelo vendaval americano. Grécia, Portugal Espanha e Itália acumulam dívidas impagáveis, apesar do socorro do FMI.

Os articulistas e comentaristas do Blog da Tribuna  alertaram, em diversos artigos, que a crise seria longa e que poderia durar uma década. Entretanto, economistas do governo, da oposição e do mercado, acreditavam que a recessão americana chegaria aqui nos trópicos sob o efeito de uma leve brisa da primavera setembrina e que já no verão as coisas se acertariam por osmose. Ledo engano.

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RECESSÃO EM MARCHA

Pois bem, passaram-se quatro anos, muitas estações e a crise econômica só faz aumentar de tamanho, causando desespero e desemprego nas sociedades americanas e europeias.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o ex- ministro da Fazenda, economista Pedro Malan, prevê que a recessão mundial irá durar vários anos até que o mercado mundial volte ao ritmo experimentado em 2008.

Os economistas caíram na real, à ficha se abriu repentinamente e os fatos econômicos demonstram um cenário sombrio, principalmente para os trabalhadores, que começam a perder seus empregos, agora também nos países emergentes como o Brasil. Nem mesmo medidas como a renúncia fiscal, a desoneração da folha de pagamentos, o corte sazonal dos impostos federais, a redução dos benefícios sociais, a queda da taxa de juros, o congelamento dos salários do setor público, o incentivo ao consumo interno têm sido suficientes para turbinar a economia e aumentar o PIB, além dos 1,5% previstos nesse ano de 2012.

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CRESCIMENTO MENOR DA CHINA

Para completar o quadro dramático da economia mundial, a China começa a sentir os efeitos danosos da crise recessiva nas economias americanas e europeias, que juntas formam o conjunto dos maiores consumidores de alimentos e produtos manufaturados em escala mundial. As exportações chinesas recuaram e em sentido oposto diminuíram as importações de commodities agrícolas e minerais.

O crescimento menor da economia da China já causa consequências políticas no núcleo do poder, expondo a luta entre os partidários da economia planificada e estatal e os adeptos da economia de mercado concebida por Deng Xiau Ping. Podemos afirmar, sem medo de errar, que a China não é mais um país essencialmente comunista, tendo se rendido docemente constrangida às delícias do modo de produção capitalista.

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DESEMPREGO E ELEIÇÃO NOS EUA

Voltando ao tema inicial, nossos olhos estão voltados para a eleição americana. Obama ou Romney, qual deles será capaz de tirar os Estados Unidos da recessão brutal em que se encontram e que arrastou quase todas as  nações  para o mesmo buraco negro?

Acredito que o nó da questão está na competição internacional. Os empregos dos americanos foram carreados para a China (o capital não tem pátria) por incompetência dos governos, logo precisam retornar para alavancar a economia. Mas, se retornarem, quem passará por sérios problemas serão os chineses. Para complicar a vida dos americanos, os efeitos climáticos derivados da seca reduziram a safra de grãos e dos alimentos produzidos pelos EUA. Logo, terão que importar de outros países para o consumo interno.

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REFLEXOS DA CRISE NO BRASIL

Quanto a nós aqui no Brasil, o quadro mudou de cor, pois o negro começa a ser ressaltado nas medidas neoliberais destinadas a atrair capital privado para investimento na infraestrutura, visto que europeus e americanos estão mais preocupados em resolver a situação caótica dos seus países. O momento não é adequado e propício para o investimento externo, por mais atrativas que sejam as condições oferecidas aos empreendedores animais.

Visando manter o nível de emprego, economistas pregam o aumento do investimento estatal em empreendimentos privados na infraestrutura, principalmente nas estradas em péssimas condições, nas ferrovias deixadas de lado por diferentes governos que preferiram investir nas fábricas de automóveis e nos portos e aeroportos públicos que serão privatizados e entregues para operadores externos e grandes construtoras nacionais.

Alea jacta est.

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