A culpa não é só do dólar

Murilo Rocha

A alta contínua do dólar em relação ao real, decorrente do reaquecimento da economia norte-americana, tem provocado uma série de estragos no Brasil, como no setor de aviação comercial, por exemplo. Parte desses problemas está realmente ligada a fatores conjunturais internacionais, outros, porém, são resultado de anos de crescimento econômico desorganizado e sem planejamento.

Durante o tempo de vacas gordas, na década da passada, o Brasil chegou a acreditar no “despertar do gigante”, com fortalecimento do mercado interno, aumento de exportações e atração de investimentos. O país realmente deu um salto quantitativo e qualitativo, mas, infelizmente, não fez o dever de casa. Não aproveitou o bom momento para resolver problemas cruciais de infraestrutura, além de ter jogado dinheiro fora com obras e projetos nunca executados ou deteriorados por paralisações constantes – como o trem-bala e a transposição do São Francisco. Esta última, questionada desde o começo, hoje tem canteiros de obras abandonados e construções danificadas pela ação do tempo.

Mas é o setor aéreo, atualmente, que dá a melhor ilustração dos erros cometidos em um passado recente e da encruzilhada na qual se encontram governo federal e as empresas privadas. Com prejuízos consecutivos, as companhias já reduziram seus quadros, diminuíram as operações e os voos e, consequentemente, repassaram para os preços das passagens uma fatia dessas dificuldades econômicas.

LIVRE CONCORRÊNCIA?

Antes adeptas da livre concorrência e da prevalência das leis de mercados, as aéreas agora batem à porta do governo pleiteando a intervenção do Estado. E têm razão para isso, mesmo soando estranho esse pedido de socorro só quando a corda está no pescoço. As companhias querem, entre outras coisas, uma nova fórmula do cálculo do querosene da aviação, a isonomia entre Estados na cobrança do ICMS sobre o combustível e mais subsídios para o pagamento de tarifas aeroportuárias. Tudo isso é justo e deveria ter sido discutido muito antes, assim como uma política permanente por parte das empresas de tarifas com preços acessíveis e da não demissão em massa de funcionários.
Agora, com todas as contas no vermelho, ninguém quer ceder. O governo federal até prometeu estudar uma forma de atender as demandas do setor aéreo, mas dificilmente conseguirá. A Petrobras, ao contrário das demandas por redução de preço, já anunciou a intenção de aumentar o preço do combustível em razão das perdas com importação da gasolina. Os Estados também descartam alteração no ICMS, uma das principais fontes de arrecadação.

E as empresas vão continuar a repassar para o consumidor suas perdas, além da redução de quadros. Todos se dizem imobilizados. Tudo indica que andar de avião vai voltar a ser programa de rico. Os mortais retornarão aos ônibus.

 

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2 thoughts on “A culpa não é só do dólar

  1. . Nada a ver! o autor parece estar direcionado. Ha pouco tempo tivemos as grandes aereas, comprando tudo que eram pequenas, tipo web jet, oceanair, trip, e a paarte tudo em nome de matar a concorrencia, fato que antes tambem ocorreu À velha varig, quando comprou tudo que era pequena, como: votec, nordeste linhas areas, cruzeiro, rio sul, ate a parte lucrativa da velha Varig foi comprada, etc. Pouco tempo depois, desativava as linhas que estas pequenas faziam(linhas regionais), hoje temos mais de 200 cidades que ja tiveram. linhas aereas nas decadas de 60, 70 e que hoje nao tem nenhuml voo. Um verdadeiro crime. as grandes nao se interessam por lucros pequenos. Nenhuma empresa é estatal, portanto, nao tem que dar ajuda coisa nenhuma. O que precisa ser feito é abrir o mercado e proibir que as grandes fiquem a abocanhar qualquer pequena que ameaçe crescer e passar a competir nos nichos das gigantes. O resto é conversa fiada, querendo tirar proveito e aumentar ainda mais seus lucros.

  2. O Grande problema começou quando a Varig fechou, alguém já se preocupou em contar o numero de aviões de empresas estrangeiras em Guarulhos ou galeão , salvador , brasilia ? \
    Muitos achavam que as grandes eram paquidermes pararam no tempo e agora ?
    Enquanto nãos deixarmos de sermos colônia … Quem viu coração valente vai entender bem, aqui e a mesma coisa, sem o wallace, pois o nosso para o outro lado.

    http://www.youtube.com/watch?v=tnfga7tbMYI

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