A dengue na Copa

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Tostão (O Tempo)

Tudo o que fiz e faço poderia e deveria ter feito melhor. Minha consciência crítica me marca de perto. Não consigo driblá-la. Quando acho que está tudo bem, ela mostra minha limitação e incompetência.

 Apesar das facilidades e amplas possibilidades que a tecnologia e o mundo atual nos proporcionam, tenho a impressão, e posso estar enganado, que existe uma epidemia de incompetência, para as pequenas e grandes coisas, no futebol e em todos os lugares. Felizmente, há muitas exceções.

As pessoas realizam muito, trabalham muito, criam muitas novidades, mas poucas têm preocupação, prazer e responsabilidade em fazer benfeito.

O trânsito é caótico, os serviços de saúde, educação e transporte não funcionam, a pizza que peço pelo telefone chega fria, restaurantes caríssimos costumam atender mal, as pessoas compram ingressos para o jogo, pela internet, e ainda têm de enfrentar longa fila para pegá-los, o gramado do estádio novo de Brasília, de mais de R$ 1 bilhão, está péssimo, e milhares de outras incompetências diárias.

O secretário de Saúde de Minas Gerais, Antônio Jorge de Souza, disse ao jornaL O Tempo que Minas terá nova epidemia de dengue às vésperas da Copa. Já imaginou dezenas de turistas com dengue? Ou um grande craque fora da final? Antes, a epidemia era só em alguns meses. Agora, em todo o ano. Em 2013, já foram 255 mil casos só no Estado, 12 vezes mais que em todo ano passado. Uma calamidade. Todos sabem as causas (negligência do Estado e dos cidadãos, interrupção de prevenção, chegada do vírus 4, falta de verbas, de agentes, e outras), mas nada se resolve. Tudo piora. É muita incompetência.

Seria um novo vírus a causa de tanta incompetência? Ou seria algo maior, que tenha a ver com o declínio do ser humano, cada dia mais vaidoso, contraditório, ambicioso, inseguro e violento?

 COMPETÊNCIA

A falta de competência surge também em surtos. O competente técnico Mano Menezes, depois de cometer um erro contra o São Paulo, reconhecido por ele, errou novamente contra o Cruzeiro, ao escalar o jovem Samir de “lateral-zagueiro”. Ele ficou perdido. Não fez uma coisa nem outra. Fechava para o meio e deixava o corredor aberto para alguém do Cruzeiro entrar livre e cruzar. Assim saiu um gol e poderia ter acontecido outros.

Espero que o técnico Tata Martino e o Barcelona tenham competência para escalar Neymar desde o início – ele é mil vezes melhor que Pedro e Alexis Sánches –, tratar bem as seguidas e preocupantes contusões de Messi, contratar um ótimo zagueiro, fazer o time sofrer menos gols de jogadas aéreas e, de vez em quando, marcar também gols feios. Se corrigir tudo isso, o time voltará a reinar no mundo.

Tiraram o salário e a casa (Engenhão) dos jogadores do Botafogo, mas não tiraram a dignidade e a competência do time, mesmo sem Seedorf.

MAIS UM SUFOCO

Com o passe espetacular de Ronaldinho, no último minuto, para Guilherme fazer o segundo gol, renasceram as esperanças de o Atlético eliminar o Botafogo. Ronaldinho teve uma excepcional atuação. Se fosse 4 a 1, seria quase impossível. Novamente, o Atlético terá de fazer dois gols e não levar nenhum. Será mais difícil, pois o Botafogo é melhor que Olimpia e Newell’s Old Boys, e o Atlético não vive o mesmo momento de antes.

A derrota teve o lado positivo, para mostrar que Fernandinho, veloz e driblador, pode ser um bom reforço, apesar de finalizar mal, desde quando jogava no São Paulo. Guilherme, mais uma vez, foi preciso na finalização. Ele é um jogador de poucos lances, mas de passes e gols decisivos.

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