A desigualdade social e a dor da mulher abandonada, na visão de Fátima Guedes

Roberto Azevedo conta como foi o show histórico de Fátima Guedes e Cristóvão Bastos, na quinta, 09/05, no Teatro Rival – PortalB!Paulo Peres
Poemas & Canções

A cantora e compositora carioca Fátima Guedes, captou e traduziu com sensibilidade profunda uma triste realidade de nosso país, visto que a letra nos leva a uma triste reflexão sobre a dor, o desamparo e as injustiças sociais praticadas contra milhões de brasileiros. A canção “Mais uma Boca” faz parte do LP Fátima Guedes, lançado em 1980, pela EMI.

MAIS UMA BOCA
Fátima Guedes


Quem de vocês se chama João?
Eu vim avisar, a mulher dele deu a luz
sozinha no barracão.
E bem antes que a dona adormecesse
o cansaço do seu menino
pediu que avisasse a um João
que bebe nesse bar,
me disse que aqui toda noite
é que ele se embriaga.

Quem de vocês se chama esse pai
que faz que não me escuta?
É o pai de mais uma boca,
o pai de mais uma boca.
Vai correndo ver como ela está feia,
vai ver como está cansada
e teve o seu filho sozinha sem chorar, porque
a dor maior o futuro é quem vai dar.
A dor maior o futuro é quem vai dar.

E pode tratar de ir subindo o morro
que se ela não teve socorro
quem sabe a sua presença
devolve a dona uma ponta de esperança.
Reze a Deus pelo bem dessa criança
pra que ela não acabe como os outros
pra que ela não acabe como todos
pra que ela não acabe como os meus.

3 thoughts on “A desigualdade social e a dor da mulher abandonada, na visão de Fátima Guedes

  1. Esse poema retrata bem a realidade das famílias miseráveis. Mesmo em condições precaríssimas, as pessoas tem filhos, por instinto. E isso se repete nas várias partes do mundo, em países nos quais grassa a fome.

    É fácil criticar esse tipo de comportamento, onde só o instinto sobrevive. O difícil é a gente se colocar no lugar dessas pessoas para compreendermos as suas escolhas (nessa e em outras situações).

  2. Se eu tivesse oportunidade de dialogar com uma liderança da causa feminina, aproveitaria para sugerr-lhe:
    1- Deflagrar uma campanha, valendo-se de todos os recursos disponíveis, para por fim a essas músicas chulas que vilipendiam as mulheres. Mais notadamente funk e forró.
    2- Que fosse criado um observatório permanente, com o objetivo de proceder ações proativas sobre esposas ou amásias de policiais e drogados. Proporcionalmente, são elas as campeãs de torturas físicas psicológicas e feminicidios. O caso das companheiras de policiais tem mais o agravante de elas não poderem falar e, muitas vezes, nem ter a quem se queixarem.
    3- Que a mulherada desse uma desacelerada na parição. Ora, a Superpopulação é a pior desgraça que paira sobre a humanidade.
    Eu sei que é um prazer seu, mãezona, contemplar um SER emanado das suas entranhas, pode majorar sua cota de Bolsa Família e até servir para extorquir o papai na justiça. Oh, mas cede um pouco do seu egoísmo! Esse diabinho é fofinho pra você, mas, pro bem-estar coletivo, é mais um inseto que vem gerar transtornos. Cada arroto ou peido que ele expele, libera sulfeto de hidrogênio, dióxido de carbono, metano…..tudo para degradar ainda mais o nosso ecossistema. Apenas o conjunto de fraldas que esse capetinha vai gastar, quantas árvores não serão derrubadas! E o tempo para esse desfalque vegetal se repor? Transportes nas grandes cidades, escolas, hospitais, violências, desemprego, sua cria como vítima e vetor na propagação de doenças…. Já pensou? Prolifere esta nova mentalidade!

  3. Quero uma mulher que seja feminina, escolada, granfina. Que tenha ouvido ou conheça Voltaire e que ache graça de Moliére. Gostar de música clássica é um must (Chopin, Liszt, Beethoven),de preferência deve tocar piano e gostar de temas com conteúdo humano. Não precisa ser perfeita, mas que saiba o que é bom apreciar e conheça muitas receitas para preparar meu jantar!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *