A desincompatibilização, que pode servir à opção da prorrogação. Podem não gostar, mas de boa vontade aceitarão

Há mais de 1 ano se dizia sem constrangimento: “Nenhum partido tem candidato à sucessão de 2010”. Depois, interpretavam: “O PSDB é que tem dois, mas chegarão a um acordo, muito antes do PT e do PMDB”. Erraram profundamente.

Sobre o PT, no Poder, garantiam: “Lula não tem candidato e as possibilidades de ser candidato ele mesmo, completamente nulas e nem podem ser analisadas”. Erraram profundamente.

Sobre o maior partido do país, o PMDB, faziam a observação: “O PMDB não tem vocação de governo, vai para onde o presidente Lula apontar. E no momento o máximo que pode sobrar para eles será uma vice para Michel Temer”. Erraram profundamente.

Por que tanto desacerto em relação aos 3 únicos partidos que têm importância no Brasil? (O DEM, que era apenas “parceiro”, e sem nenhuma prioridade ou credibilidade, mergulhou de vez no ostracismo por causa do seu governador único, Roberto Arruda. Seria respeitado se expulsasse o governador, mas ficar sem nenhum?).

Não há nada desvendado. E triplamente equivocado, pelo fato das verificações terem levado em consideração apenas a ambição pessoal. Verifiquemos sumariamente pela ordem em que coloquei os desacertos.

PSDB – Nunca teve dois candidatos, apenas dois personagens que apregoavam a própria supremacia. A ambição era e é a mesma. A prioridade do projeto pessoal, antes do coletivo, dando mais ênfase ao interesse da carreira do que as necessidades da comunidade, igualam Serra e Aécio.

A diferença entre eles está na importância e na obrigação da desincompatibilização. (Esta será a data chave para tudo e para todos). Aécio terá que sair, haja o que houver, já foi reeeleito. Presidente, vice ou senador, tem que ser fora do governo. Aí não cabe dúvida, interpretação, caminho próprio ou exclusivo.

Para Serra, a desincompatibilização não é definitiva e obrigatória. Tem opção, que não é propriamente o ostracismo. Governar mais 4 anos o estado de São Paulo com todo o seu Poder, não é para chorar ou lamentar. Por causa disso, Serra diz que não se definirá agora. Como o fato não é desconhecido, Aécio EXIGE a definição, imediata.

Só que, como todo carreirista nato e intransferível, o governador de São Paulo não é um gênio, mas também não é nenhum FHC. Sabe o que pretendem dele, mas não agirá sob pressão a não ser a das pesquisas, autênticas, ou não.

PT – Constrangido, dividido, submetido a Lula, não tem luz própria (nesta era do apagão diário, quem tem?) nem irradia calor. (Copenhague). Só pode aquilo que o presidente quer, e este com eu já disse, joga xadrez consigo mesmo, para isso não precisa de correligionários ou adversários.

Já teve três opções, ficou reduzido a uma: a que engloba os Três Poderes. Como a Constituição diz que “os Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário são independentes entre si”, se favorecer os três, Lula não estará violentando a Constituição.

PMDB – O maior partido do país, deveria ser, logicamente o de mais e melhores possibilidades presidenciais. Mas se o PSDB se divide importunamente com apenas dois candidatos, o PMDB se fratura gravemente pelo fato de ter um elenco muito  mais numeroso.  E se no partido que esteve no Poder de 1994 a 2002 só existem “duas vítimas”, quantas podem ser encontradas no PMDB? Uma legião.

Se o tão falado “rosto na multidão” pudesse ser invocado, indicado e identificado, teria que estar no PMDB. Só que o PMDB nunca pretende o Poder pessoalmente, sim aquilo que o Poder proporciona. Então, o maior partido como sigla e o mais partido como divisão, não participa da conquista do Planalto-Alvorada. Quer apenas ser o melhor beneficiado na distribuição dos despojos.

Não temos a menor dúvida, que havendo um leilão interno com a garantia, “qualquer que seja aquele que fizer o lance vencedor, leva o Poder leiloado apoiado por todos”, surgiriam 50 candidatos.

Como isso é possibilidade e irrealidade pura, a constatação da contradição: o PMDB não se interessa pela sucessão, quer a parte maior não só dos 37 ministérios, mas também dos milhares de cargos classe A, B e C.

Por isso considero, e com fortíssimas razões, que nada está resolvido. O habitante do Planalto-Alvorada, não quer desabilitá-lo. Também não acredita em ninguém para ocupá-lo. Nem que seja para alugá-lo simplesmente por um período, mesmo que seja fixado em 4 anos.

Esse é o quadro. Até 1930, “o ocupante do Catete”, escolhia, sozinho, seu sucessor. Fez-se uma “revolução”, para acabar com isso. Implantou-se então a primeira ditadura (e mais tarde a segunda) quando ninguém escolhia, quem estava no Poder, FICAVA, uma palavra, hoje, utilizada só pelos jovens, e com outra identificação.

* * *

PS – Pela esterilização da convivência das duas ditaduras, até mesmo com o tempo passado, as ambições se multiplicaram. E não existem soluções democráticas à vista. Pelo menos até 31 de março. Muitos aqui mesmo, utilizando este blog, dizem que “estou apanhando muito sol na cabeça”.

PS2 – Não me importo. Há 6 mil anos, o maior médico que obrigou até ao juramento com seu nome, Hipócrates, deixou escrita a única receita imortal até hoje: “Mantenha sempre os pés quentes e a cabeça fria”. É o que estou fazendo pelos próximos 4 meses.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *