A devastação das coisas e dos seres, na visão do poeta Carlos Nejar

Nejar, um grande poeta e humanista

O crítico literário, tradutor, ficcionista e poeta gaúcho Luís Carlos Verzoni Nejar, no “Poema Devastação”, fala da existência deste fenômeno destrutivo nas coisas, nas águas, nas plantas e os seres.

POEMA DA DEVASTAÇÃO
Carlos Nejar

Há uma devastação
nas coisas e nos seres,
como se algum vulcão
abrisse as sobrancelhas
e ali, sobre esse chão,
pousassem as inteiras
angústias, solidões,
passados desesperos
e toda a condição
de homem sem soleira,
ventura tão curta,
punição extrema.

Há uma devastação
nas águas e nos seres;
os peixes, com seus viços,
revolvem-se no umbigo
deste vulcão de escamas.

Há uma devastação
nas plantas e nos seres;
o homem recurvado
com a pálpebra nos joelhos.
As lavas soprarão,
enquanto nós vivermos.

                       Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

2 thoughts on “A devastação das coisas e dos seres, na visão do poeta Carlos Nejar

  1. Paulo Peres e Carlos Newton, continuem com esse espaço de Poesia, é um oásis em meio a torrente de tantas maldades e roubos impunes dessa imensa organização criminosa que faliu o país mais viável do mundo ! Continuemos, a Poesia é o narrar muitas vezes silencioso de corações e almas que traduzem vidas dentro de tantas vidas, emoção pura ! Viva !

  2. 1) Nejar escreveu um belo poema ecológico e toda a sua obra literária é muito bela !

    2) Licença: em 7 de julho de 1833 foi publicado no jornal “Auxiliador da Indústria Nacional”, RJ, que durou até 1892 o “Discurso sobre o Abuso das Derrubadas de Árvores em Lugares Superiores a Vales e sobre o das Queimadas”, autoria do Cônego Januário Barbosa, um dos primeiros trabalhos publicados no País com preocupação ecológica.

    3) Fonte: BN, Agenda, 1993.

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