A diferença entre JK e Lula

Sebastião Nery

Em 1945, um relatório secreto da embaixada inglesa no Brasil, mandado para Londres, falava de políticos brasileiros, inclusive Juscelino: “É prefeito de Belo Horizonte, presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa. Jovial e capaz, é dono de energia e imaginação. Deve ir longe. Responsável pelo notável desenvolvimento urbano de Belo Horizonte. Médico e político de considerável habilidade. Grande admirador da Inglaterra”.

Vinte anos depois, em 27 de maio de 1964, dois meses depois do golpe, o embaixador Leslie Fry, da Inglaterra, mandou para Londres este comunicado: “A principal atividade política nos últimos dias foi centrada na candidatura do senador Kubitschek à Presidência, em 1965. Depois de rumores de que ele ia desistir, o senador Kubitschek fez uma declaração dizendo que somente a morte ou um gesto de força iriam impedi-lo de ser candidato”.

No dia 10 de junho de 1964, dois dias depois de JK ser cassado pelo presidente-ditador Castelo Branco, a embaixada mandou relatório a Londres: “O ex-presidente é uma figura muito popular, a tal ponto que, entre os possíveis candidatos depois da revolução, provavelmente venceria as eleições presidenciais previstas para 1965. O regime na prática admite que não terá apoio popular suficiente até 1965 para impedir JK de reconquistar a Presidência”. JK foi cassado porque Castelo sabia que ele derrotaria Lacerda.

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FGV

Nos últimos tempos, virou moda falar em JK. Lula, quando estava no final do primeiro mandato, enfiado no pântano do PT e do governo, blasfemou ridículo contra a História, dizendo querer imitar JK. Não adianta pedir a Lula que leia. Ele não lê. A Fundação Getúlio Vargas-Cpdoc lhe ensinaria que entre os dois há uma diferença fundamental, o trabalho:

1. “O Programa de Metas abrangia os setores de Energia, Transportes, Alimentação, Indústria de Base e Educação. Por fim, como meta-síntese, a construção de Brasília”. Um programa de governo com cinco grandes pilares.

2. “No dia 1º de fevereiro de 1956 (primeiro dia do governo), o vice-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, que veio ao Brasil assistir à posse de JK, aceitou a concessão de US$ 35 mi de empréstimo em nome de seu governo para a expansão da Companhia Siderúrgica de Volta Redonda”.

3. “Em maio (de 1956) JK convocou reunião do Conselho de Desenvolvimento a fim de equacionar a meta do petróleo e dar inicio à construção da refinaria de Duque de Caxias no Estado do Rio. Também nesta reunião, Juscelino formou um grupo de trabalho para implantação da indústria automobilística (Geia) no País. E logo visitou a Petrobras no Recôncavo baiano, inspecionando os trabalhos de ampliação da refinaria de Mataripe”.

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UM ANO SÓ

4. “Convidado para o Encontro dos Presidentes das Américas no Panamá, Juscelino condicionou sua presença à execução de alguns projetos elaborados desde 1953 (governo de Getúlio) e o governo norte-americano liberou três: a barragem de Três Marias, o reequipamento das ferrovias e o reaparelhamento dos portos, num total de US$ 151 milhões” (dois Aerolulas).

5. “Diante da insistência do governo norte-americano numa revisão do monopólio estatal do petróleo, Juscelino, em conversações com o presidente Dwight Eisenhower, declarou que a exploração do petróleo seria efetuada exclusivamente pelo governo brasileiro, em conformidade com a legislação”.

6. “No final de setembro (de 1956), foi inaugurada a fábrica de caminhões da Mercedes Benz em São Bernardo (São Paulo). Em 19 de outubro, encaminhou ao Congresso o projeto de lei que criava o Fundo de Marinha Mercante. Em 10 de novembro (de 1956), com o objetivo de instalar centrais nucleares, JK constituiu a Comissão Nacional de Energia Nuclear”.

7. “Em 1º de fevereiro de 1957, no primeiro aniversário do governo, foi inaugurada a rodovia BR-3 (Rio-Belo Horizonte), iniciada em sua gestão. No dia 28 de fevereiro de 1957, foi organizada a companhia de Furnas, o maior projeto do continente na época e o terceiro do mundo”.

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SEM HUMILHAR

Não queria humilhar Lula. Citei esses itens de uma síntese da Fundação Getúlio Vargas para Lula aprender a diferença entre um Presidente que trabalha e um presidente que não trabalha, entre um presidente de verdade, que defendeu os interesses de seu País, e um palanqueiro deslumbrado que queria apenas flanar por aí no seu Aerolula.

Em um ano de governo, conseguindo apenas US$ 35 milhões e mais US$ 151 milhões de empréstimos-financiamento, JK fez tudo isso. E quando o FMI exigiu que ele parasse seu Programa de Metas, JK rompeu com o Fundo.

E ainda aparecem alguns alienados, como o genial dançante Gilberto Gil, dizendo que Juscelino fez tudo isso “ao custo da inflação”. Bobajada: “O índice inflacionário da época era de 13,5% ao ano, irrisório diante das obras que JK vinha realizando no setor básico da economia, bem como da taxa de crescimento econômico do País, que se mantinha em 7% ao ano. A média do crescimento dos 5 anos de JK foi de 8,3%” (FGV).

Juscelino entrou com a Dívida Externa de US$ 1,8 bi, saiu com US$ 2,5 bilhões. Comparem com o crescimento da dívida interna no governo Lula e as “realizações” dele.

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