A equação paraguaia

Mauro Santayana (JB)

O Presidente paraguaio Horacio Cartes foi recebido, há poucos dias, em visita de Estado, pela Presidente Dilma Roussef, em Brasília. Embora o Brasil tenha sido a primeira nação a estabelecer relações com o Paraguai, em 1844, a convivência entre os dois países tem sido mais conturbada que harmônica, no período que nos separa de 1870, o ano do fim da Guerra do Paraguai.

A morte de milhares de paraguaios, em decorrência da guerra e da fome; a ocupação brasileira, até 1875; e as indenizações de guerra pagas pelo Paraguai ao Brasil até a primeira metade do século XX; contribuíram para criar, em parte da sociedade paraguaia, um clima de quase permanente ressentimento histórico para com o Brasil.

A construção de Itaipu, negociada na década de 1960, no lugar de contribuir para melhorar as relações entre os dois povos, criou um novo contencioso, já que parcela da população paraguaia acredita que os termos do Tratado de Itaipu não foram favoráveis aos interesses do país, à época de sua assinatura, pelos governos de Emilio Garrastazu Médici, e Alfredo Stroessner, em 1973.

Por trás de tudo está o direito de vender os 50% da energia que cabe ao Paraguai a terceiros países. Boa parte do povo guarani é levado a crer, também, que é o Paraguai que paga a dívida contraída para a construção da represa, o que é incorreto.

A dívida é paga com o preço da venda da energia gerada pela própria usina, pela empresa que a administra, a Itaipu binacional, e terminará de ser quitada em 2023.

Até agora, o Paraguai já recebeu mais de 4,5 bilhões de dólares em royalties de Itaipu e, daqui a dez anos, continuará dono de metade de uma empresa que vale, hoje, muitos bilhões de dólares.

PAGANDO O TRIPLO

Em 2011, no Governo Lugo, o Brasil aceitou aumentar, unilateralmente, em três vezes, a compensação recebida pelo Paraguai pela energia não utilizada, de 120 milhões para 360 milhões de dólares por ano.

Além disso, o Brasil financia, por meio do FOCEN – o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul, a construção de uma linha de transmissão de 500 quilowatts – a ser inaugurada em novembro – que ligará Itaipu a uma subestação em Assunção, permitindo que os paraguaios possam atrair investimentos e industrializar seu país.

A construção de Itaipu, que aumentou em aproximadamente 20% o PIB, e o trabalho de milhares de agricultores brasileiros – que fez do Paraguai o quarto maior exportador de soja do mundo – mudaram, positivamente, a realidade do país vizinho.

Mas isso não bastou para diminuir a mágoa que parte dos paraguaios guarda do Brasil. Esse “anti-brasileirismo” tem sido aproveitado, e muito bem, pela direita local, e por quem vem usando o Paraguai para sabotar o projeto  sul-americano de integração promovido pelo Brasil a partir do com Mercosul e da UNASUL.

FORA DO MERCOSUL

O não reconhecimento, pelo Mercosul, do governo golpista de Federico Franco – que ascendeu ao poder com a fraudulenta deposição de Lugo –  provocou a suspensão do Paraguai do grupo, acirrando os ânimos da oposição antidemocrática contra o Brasil.

A entrada da Venezuela no Mercosul, sem a aprovação do senado paraguaio – que chantageava, há anos, o Brasil e a Argentina nessa questão, piorou ainda mais a situação.

O Paraguai votou pelo México na eleição do novo Diretor da OMC, o brasileiro Roberto Azevedo. E também não apoiou nossos candidatos – que acabaram também eleitos – para compor a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Com tudo isso, a imprensa e os internautas discutem, naquele país – nos jornais que hostilizam o Brasil, como o ABC Color – se não seria melhor para o Paraguai sair do Mercosul e entrar na Aliança do Pacífico.

E, do ponto de vista político, se não valeria a pena abrir seu território à instalação de bases militares norte-americanas, para se contrapor ao Brasil, à Argentina, à Bolívia, à Venezuela, ao Equador e à “bolivarização” da região.

Atolados no lamaçal em que se meteram no Iraque e no Afeganistão, com uma dívida impagável, derivada do custeio de suas intervenções militares no exterior, não dá para saber se os EUA teriam fôlego para entrar em uma nova situação de confronto direto, dessa vez, na América do Sul.

PARCEIROS COMERCIAIS

Com relação à economia, a Aliança do Pacífico é pouco mais que uma miragem. O Brasil, sem fazer parte do grupo, vende ao México tanto quanto a Colômbia e é o maior parceiro comercial latino-americano não apenas dos próprios mexicanos, mas também dos peruanos e chilenos, na América Latina.

As exportações e importações dentro da Aliança do Pacífico não chegam a 4% de seu comércio exterior total. Como exemplo de que esse grupo tem relativa importância econômica para seus membros, seu maior sócio, o México – que crescerá apenas 1% neste ano, contra cerca de 2.5% do Brasil –  destina quase 90% de suas exportações para o NAFTA e 80% delas para um único cliente, os Estados Unidos.

Por mais que certa mídia diga o contrário, o país da tequila não é um player mundial, mas sim um fenômeno regional, que funciona, na prática, como o menos desenvolvido dos estados norte-americanos.

Estatisticamente, o Paraguai não representa mais que 1% do PIB do Mercosul, ainda sem a entrada – que se avizinha – da Bolívia e do Equador. Mas é bom não esquecer que as relações entre Brasília e o novo governo de Horacio Cartes ganham uma dimensão estratégica, quando se considera as manobras dos EUA contra o Brasil na América do Sul.

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24 thoughts on “A equação paraguaia

  1. Acha bobagens para escrever, o Mercosul não funciona por causa da Argentina e a Aliança do Pacifico existe e uma realidade e prospera a olhos vistos, uma CPI sobre os canos da Venezuela nos empresários Brasileiros seria bem vinda.
    o mundo mudou e só vocês viúvas da antiga USSR e CUBA não perceberam, só é possível dividir a riqueza quando ela existe, o PT quebrou a Petrobras e agora? só a iniciativa privada é capaz de produzir riqueza com eficiência, o papel do governo é manter a iniciativa no caminho das leis, através das agencias de controle, mas o PT inchou as agências com ladrões ou incompetentes (não sei qual é o pior.) ao engessar o progresso do pais enchendo o governo de companheiros, atrasaram o Brasil e querem culpar o pobre do Paraguay, que produz tanta riqueza quanto o Piaui, bando de idiotas chapa brancas.

  2. Os países do Mercosul, todos eles, patinam e não saem do lugar. Fazem de conta que comercializam, mas só vivem achacando o Brasil (com o concentimento do nosso governo). Desse jeito vão morrer na praia.

  3. Santayana, para variar, distorcendo os fatos. “O não reconhecimento, pelo Mercosul, do governo golpista de Federico Franco – que ascendeu ao poder com a fraudulenta deposição de Lugo” – a “fraudulenta disposição” foi feita de acordo com as leis do país, e sancionada pelo Supremo Tribunal de lá. Fraudulento, na minha opinião, foi o golpe dado no Mercosul suspendendo o Paraguai para votar sem ele a admissão da Venezuela, a que ele se opunha.

  4. A ambição pessoal do pessoal que se denomina de esquerda e nacionalista é tão descomunal que tudo que os contraria, mesmo o fato concreto de que o mercosul já acabou e só dá prejuízos ao Brasil, não os demove.
    Aí em cima mesmo tem um malandro que confessou sua raivinha da privatização da telefonia que prejudicou seu negocinho pessoal.
    O negócio dessa gente é manter a chama acesa. Com ela podem vislumbrar oportunidades nesse governo corrupto, que já até quebrou a Petrobrás.
    O bandido zé dirceu ainda há pouco empregou sua namorada nesse governo, ganhando 12 mil para fazer não se sabe o que.

  5. Somos chamados de América Latrina sob os aplausos dos mesmos de sempre.
    “Vamos nos unindo, apesar dos percalços/
    embora ainda explorados, descalços/
    monitorados, invadidos, sofridos/
    desrespeitados em nossa soberania/
    sem direitos humanos e cidadania”. (Almério Nunes)
    Seytrym, Mercedes Sosa vive!!!
    “Tantas vezes me mataram … e tantas vezes ressuscitei” (Mercedes Sosa)
    Mauro Santayanna, a América do Sul está viva!!! A exploração, a tortura e a morte a nós impostos, estão sendo enfrentados como nunca!!!
    “A luta é lutada
    A luta é sofrida
    Mas esta é a gloriosa caminhada
    É a nossa própria Vida” (Almério Nunes)

  6. E já que falei em “Motivação”, um dos temas favoritos em minhas palestras, vale a pena registrar que hoje é o aniversário (87) de Louise L Hay. Esta valente mulher, há muitos anos, esteve condenada por um agressivo tumor maligno: viveria apenas mais uns meses. Pois bem. Ela decidiu não morrer!!! Ato contínuo, passou a tocar-se ao deitar-se e acordar, repetindo sempre: “Louise, você é linda! Você é maravilhosa! Eu te amo! Você é perfeita! Nenhum mal pode sequer se aproximar de você!” E … após algum tempo repetindo seu mantra, voltou ao médico. Ele tocou-a … solicitou exames … e constatou que o tumor havia … desaparecido! E nunca mais Louise sentiu nada! Hoje temos dois Premio Nobel de Física, laureados por terem descoberto a “partícula de Deus”. Louise L Hay utilizou esta partícula e curou-se, fez desaparecer o tumor. Todos podemos acionar esta partícula, pois ela está ao nosso alcance e pode fazer tudo. Basta que a acionemos, como fez esta extraordinária mulher.

  7. LEMBRO COMO SE FOSSE HOJE:

    O Farol de Alexandria anunciando que a PRIVATIZAÇÃO das telecomunicações iria aumentar a concorrência entre as empresas e baratear o preço das ligações telefônicas (inclusive de celular); que a liberação das tarifas bancárias iria favorecer a concorrência entre os bancos e eles seriam obrigados a baixá-las… e que o Estado não deveria atuar nestas áreas, etc…

  8. Esse pessoal da esquerda brasileira, e de resto, da América Latina toda, são piadistas e nada indica que tenham o menor pejo em passarem por idiotas. Com todo o respeito ‘que me merecem’, sugiro que invistam na profissão de humoristas. O talento é imenso como podemos constatar nas idéias, versinhos, etc, contidos nos comentários que publicam. Grande futuro à frente. Hahaha, trata-se de mais um ‘fato real” da idiotia do 3ºmundo. Hahaha… Quer dizer, ai, ai.

  9. Uma desculpa esfarrapada daqueles que usufruem dos prazeres do poder estabelecido e sua exploração do povo pobre como o daqui do Brasil, é acusar aqueles que lutam contra isso de inimigos da pátria.

    Me engana que eu gosto.

  10. Ninguém deve confiar nos semelhantes, e os piores são aqueles que posam de nossos defensores ou defensores da nossa pátria, de que são socialistas e outras mentiras deslavadas do tipo. Aqui mesmo tem muitos. Igual esse aí em cima que nem o nome teve coragem de colocar.
    Tem uns então que não conseguem esconder que estão a serviço do partido mais corrupto de todos os tempos, o PT, para defender esse governo e os prazeres que este lhes é propicia. Não que os outros partidos são flores que se cheire.
    Enfim, acreditar no próximo é perigossíssimo.

    Como se vê, discorro sobre a condição humana. Não tenho partido.

  11. Enfim, para aqueles que ainda não cairam em conversas de nacionalismo, socialismo e outros truques usados por espertinhos para se aproveitarem da boa fé do povo e atrasar ainda mais o páis, visto que nos países ricos essas coisas não colam, , é preciso antes de mais nada entender a nossa condição: a condição humana.

    Antes do advento da mente ou consciência o Homem vivia a verdade. Seu cérebro como o dos outros animais tem áreas próprias para processar as interações com o meio ambiente.
    Os sentidos e o ceticismo natural, eram os únicos elementos elementos de conexão com o meio.

    Depois da mente, o ideal, a mentira. A farsa.
    A palavra agora conecta o outro com esse mundo mental e, com fundo musical daquela sentimentalóide da Mercedes Sosa, o que ganhor muito dinheiro com isso, vai se levando a mentira ao próximo, o que também é boa fonte de renda para esses portadores da “verdade” (Mauro Julio Vieira)

  12. Último parágrafo reeditado, só para ficar mais bonitinho.

    Depois da mente, amentira o ideal. A farsa.

    A palavra agora conecta o outro (incauto) com esse mundo mental e, com fundo musical daquela esperta da Mercedes Sosa, que ganhou muito dinheiro como Chico Buarque com essas coisas, vai se levando a mentira ao próximo, o que também é boa fonte de renda para outros portadores da “verdade” (Mauro Julio Vieira)

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