A Espanha e o trem-bala

Mauro Santayana
Ao insistir no projeto do Trem-Bala, o governo federal está praticamente pedindo que novas manifestações sejam convocadas, dessa vez por causa de uma obra cara, desnecessária, feita sob medida para agradar – e repassar bilhões de dólares – para multinacionais.
Isso, em um país em que a população está refém de um sistema de transporte interestadual e intermunicipal de passageiros arcaico, em que um cartel incrustado há anos nesse mercado, impede a realização de novas licitações, obtendo, na justiça, sucessivas liminares para manter cartórios feudais que vem desde a época do regime militar.
Ora, numa situação dessas, o governo deveria ver o transporte ferroviário de passageiros como uma oportunidade para romper esse monopólio, obrigando as empresas de ônibus a diminuir seus preços e melhorar seus serviços, deixando o trem-bala para um momento mais favorável, do ponto de vista da opinião pública, investindo, calmamente e sem pressa, uma fração do que se pretende gastar no trem-bala, no estabelecimento de tecnologia própria de trens de alta velocidade, como a que já está sendo desenvolvida na Coppe, no sistema de levitação magnética do trem Cobra-Maglev.
No lugar disso, volta-se atrás em exigências antes estabelecidas para o Edital, para facilitar a vida de concorrentes como os espanhóis, sob o absurdo argumento de que o trem que se acidentou na Galícia há duas semanas, batendo contra a amurada de proteção de concreto a 190 quilômetros por hora “não é um trem de alta velocidade”, livrando a cara das estatais espanholas que o operam, e que pretendem concorrer à licitação.
É INEXPLICÁVEL
Está para ser explicada essa preferência do governo pela concessão de serviços públicos para a Espanha, que vem desde a época de FHC. A Espanha não dispõe hoje, como antes não dispunha, nem de capital nem de know-how.
Sua propalada tecnologia na área de trens de alta velocidade é canadense, francesa e alemã. A Telefónica nunca chegou a desenvolver sequer um prosaico aparelho de celular para o mercado brasileiro, e seus equipamentos mais recentes são da chinesa Huawei.
Dinheiro próprio, os espanhóis também nunca tiveram, nas décadas recentes. O país se “desenvolveu” com recursos dos fundos da UE e à base de uma das maiores dívidas (pública e privada) do mundo, situação compartilhada pelas suas grandes empresas, todas altamente endividadas, como a própria Telefónica e o Santander.
O governo pode fazer o que quiser em sua inexplicável “parceria” com os espanhóis, amplamente apoiados pelo governo corrupto de Rajoy. Só não pode nos fazer de parvos, dizendo que um trem que atinge 220 quilômetros por hora é de baixa velocidade, e nem deixar que a imprensa espanhola cante aos quatro ventos, mesmo depois do acidente fatal em que morreram 80 pessoas, que o consórcio ibérico é o favorito para a licitação do projeto brasileiro.
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6 thoughts on “A Espanha e o trem-bala

  1. Mauro Santayana escreve seus textos para o JB e generosamente postados pela Tribuna da Imprensa, de algum manicômio soviético? Pelo jeito, lobo de sabonete não para de escorregar.

  2. Vejo-me obrigado a concordar com Santayana neste particular.
    Muito antes do trem-bala, precisamos resolver o transporte público de massa, que hoje se apresenta deficiente e de péssima qualidade.
    Temos de ampliar os metrôs, melhorar as linhas de ferro para comboios de passageiros e cargas, instalar ramais onde o trem se faz necessário à escoação da produção.
    O Brasil necessita sair deste monopólio dos pneus, pois com seu tamanho continental somente os trilhos levarão aos rincões mais distantes o progresso e desenvolvimento, jamais os caminhões e ônibus.
    A Europa não teria o desenvolvimento que ostenta e turistas que a visitam anualmente, se não fosse cortada de todos os lados por trens rápidos, eficientes, confortáveis e extraordinariamente organizados. O mesmo acontece com os Estados Unidos, apesar das suas estradas modelo.
    Trem-bala não resolverá o transporte brasileiro, mas o trem comum, moderno, mais rápido, principalmente para o interior.
    Igualmente não vejo na tecnologia espanhola virtudes para ser escolhida para esta finalidade.
    O trem que se acidentou e matou dezenas de pessoas cerca de quinze dias atrás, em Santiago de Compostela, tinha um defeito de construção imperdoável. Não tinha consigo dispositivos eletrônicos que evitassem previamente de ingressar na curva com excesso de velocidade, como o vídeo mostra claramente pelo Youtube.
    Ora, os automóveis possuem controle de estabilidade, como um trem não teria algo semelhante?!

  3. O povo tem que opinar

    A presidente Dilma/PT, pessoalmente é honesta, sem dúvida alguma. Mas, exercer o governo numa sociedade capitalista, por natureza e essência, adequada a todo tipo de corrupções e traições a Pátria, tudo se complica, e muito. Na maioria das vezes, o mandatário maior, premido pelas circunstâncias e urgências de levar a frente as obras e projetos, faz-se necessário negociar com inúmeros bandidos comprometidos com escusos interesses. Em muitas ocasiões, caso não ceda aos desejos desses poderosos corruptos e ou entreguistas, as consequências finais para o governo podem ser grandes.

    Por certo que em semelhante obscuro caminho, a exemplo de tantos outros, prossegue o absurdo projeto do trem bala, caríssimo e inoportuno, principalmente, diante das urgentes prioridades de transporte de massa para aliviar o trânsito dos grandes centros urbanos, altamente congestionados. Para tanto, o transporte sobre trilhos apresenta grandes vantagens sobre os demais, além do que, amplamente testados e em pleno uso no primeiro mundo, em variadas tecnologias.

    O dia que a democracia capitalista disponibilizar a pronta participação popular nas decisões de governo, envolvendo prioritários interesses do povo calcados em projetos e obras de altos custos, aí sim, as coisas poderão mudar. Bastaria o povo ter o direito de votar a favor ou contra, via internet, com senha pessoal fornecida pelo TSE. Pelo mesmo processo, assegurar ao eleitor o direito de demitir todo parlamentar ou governante, que não esteja cumprindo com o prometido em campanha eleitoral. Seria o fim da vagabundagem e da incompetência. A verdadeira democracia.

  4. Não sei quais argumento$ essas empresas espanholas usam para conseguir tantas concessões
    junto ao governo do PT em diversas áreas. No governo Lula hove a concessão de 2,6 mil Km de
    rodovias federais ao grupo espanhol OHL. Um tipo de serviço que não requer tecnologia, qualquer
    empresa nacional poderia faze-lo. Isso é muito estranho.

  5. Seria mais viável economicamente o trem de média velocidade, porque é mais barato e servia tanto como carga e transporte de passageiros. Os custos são infinitamente menores e as passagens seria mais baratas. E o tempo do trajeto compensa, três horas em poucas paradas. As viagens da ponte aérea giram em torno de duas horas, se levarmos em conta o check in e o tempo de espera. O trem bala tem apenas um objetivo, superfaturar.

  6. Com os superfaturamentos que virá, enriquecendo mandatário da iniciativa privada e governamental, nesse “projeto vergonhoso” que atenderá a elite, enquanto o trabalhador, em suas cidades, andarão nas “carroças” espremidos que nem sardinha em lata, levando a perda diária de 6 horas(3 para ir ao trabalho e 3 para voltar ao lar, se não houver um acidente na pista) é o tempo mínimo aqui na região metropolitana do Rio.
    A Mídia tem falado que o custo sairá por volta de 60 bilhões. Nas regiões metropolitanas do mundo, está sendo implantado o VLT- veiculo leve sobre trilhos, com enorme sucesso, tarifa mais barata, não enguiça com facilidade, não abastece “bolso de politiqueiros”, porque continuar com “pneus”, estamos assistindo a “vergonheira” na Câmara de Vereadores do RIO, com a CPI dos ônibus.
    Pergunta: Quando teremos GOVERNO que trabalhe para o povo trabalhador sofredor com salário mínimo miserável!?!:!?

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