A esperteza tinha limites

Bernardo Mello Franco
Folha

Acusado de se lambuzar no propinoduto da Petrobras, lavar o dinheiro sujo no exterior e intimidar testemunhas da Lava Jato, o deputado Eduardo Cunha está próximo de perder o mandato por um delito menor: mentir a uma CPI.

Em 12 de março, ele disse aos colegas que não tinha “qualquer tipo de conta em qualquer lugar” além da que declarou à Justiça Eleitoral. Foi desmentido por extratos bancários, assinaturas e documentos pessoais enviados por procuradores suíços.

As provas remetidas ao Supremo indicam que a decantada esperteza do deputado tinha limites. Ele cometeu erros primários, como apresentar o passaporte diplomático para abrir uma conta secreta. Também usou sua empresa de comércio religioso, a Jesus.com, para ocultar uma frota de carros de luxo. O Porsche em nome de Jesus inaugura uma nova fronteira na exploração da fé para fins patrimoniais.

 

RELIGIOSIDADE

Cunha existe eleitoralmente graças à aliança com igrejas pentecostais. Aos fiéis, apresenta-se como voz “em defesa da vida e da família”. Agora sabe-se que ele interrompia reuniões com Fernando Baiano para pregar em uma rádio evangélica.

Na sexta-feira, a tropa do deputado trocava ligações para discutir a sucessão na presidência da Câmara. O tom das conversas lembrava uma velha máxima de Brasília: políticos podem chorar no velório e até ajudar a carregar o caixão de um aliado, mas nunca se jogam na cova com ele.

ÚLTIMO CARTUCHO

Ao alquebrado Cunha, restaria uma última bala: anunciar, nos próximos dias, o recebimento de um pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Para um peemedebista, seria a única forma de empurrar o foco da pressão para o Planalto.

A ideia enfrenta ao menos dois obstáculos. Primeiro, a oposição teria que fechar um novo e perigoso acordo com o deputado, que perdeu de vez o “benefício da dúvida”. Depois, o Supremo teria que cruzar os braços diante de outra manobra dele, o que a corte já indicou que não fará.

5 thoughts on “A esperteza tinha limites

  1. Mais de 20 deputados estaduais receberam R$ 20 milhões em mensalão pagos com dinheiro desviado do caso Copel/Olvepar, no final de 2002, no apagar das luzes do governo Jaime Lerner. A Assembleia Legislativa do Paraná tem 54 cadeiras.

    A denúncia acima é do doleiro do PSDB, Alberto Youssef, delator na investigação do escândalo envolvendo o governo do Paraná. Ele prestou depoimento ontem ao Ministério Público Federal (MPF).

    Segundo o relato do doleiro tucano, o dinheiro era repassado ao então deputado Durval Amaral, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que fazia o repasse do mensalão à bancada governista.

  2. Manobra? Como assim? Aceitar o pedido de impeachment agora é manobra? O STF tem poder de dar um golpe e impedir a abertura de um processo de impeachment?
    Estranha análise, que quer parecer isenta, mas esconde a simpatia pelo governo do PT. Será a idolatria por lula escondida em quase toda a mídia, que fala mais alto que o bom senso?

  3. Por falar em esperteza, o que dirá agora a filiada ao Partidinho da Boquinha sobre seu novo amigão eduardo cunha, ao qual tirou várias fotos no dia da filiação.???
    Ele mentiu na CPI que não tinha contas na Suiça…..
    Palavras da Madame.

    “A gente quer um Brasil livre da corrupção, livre das mentiras, livre daqueles que usam a política como meio de obter vantagens pessoais.

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