A estranha Guerra do Paraguai. Brasil, Argentina e Uruguai, escondidos atrás da Inglaterra, massacrando um país que, com um presidente PATRIOTA, progredia.

Antonio Augusto, Silvio da Rocha Correa e  Mario Rocha:
“Jornalista, como sei que você utiliza as palavras deliberadamente, gostaria que explicasse a razão de chamar de “estranha” a Guerra do Paraguai”.

Comentário de Helio Fernandes:
Não é apenas estranha, é aviltante, surpreendente e inacreditável. Por que Brasil, Argentina e Uruguai, inesperadamente, se jogariam contra um país vizinho, com o qual mantinham as melhores relações?

O que aconteceu. Naquela época o Paraguai atravessava período de grande desenvolvimento, o mais notável de toda a América do Sul. A Inglaterra dominava o mundo, controlava países em todos os continentes, e aqui mesmo possuía a Guiana Inglesa.

Havia perdido aquelas possessões sem nome, que se transformaram nos Estados Unidos da América do Norte, (então na mais terrível guerra civil, que a Inglaterra temia que se alastrasse para o resto das Américas), embora mantivesse enormes territórios.

Dominava a Austrália, (que se chamava então de Australasia), o Canadá (o de língua inglesa e o de língua francesa), a Índia (apesar da luta heróica de Ghandi), países da África Negra (que manteve até o fim da Segunda Guerra Mundial), e ficava atormentada com o crescimento do Paraguai, magnificamente administrado pelo presidente Solano Lopez.

Exerceu então o Poder sobre o Brasil, Argentina e Uruguai, e determinou que declarassem guerra ao Paraguai. O Brasil devia à Inglaterra as 75 mil libras que Portugal lhe devia e que assumimos com a “independência” de 1822. Argentina e Uruguai também não tinham liberdade, foram obrigados a cumprir as ordens insensatas, truculentas e arbitrárias.

O Brasil não tinha nem Exército, a única força era a Marinha. (Como ainda não existiam motores, os navios eram movidos por galés, que sofriam barbaramente, tratados a chicote, o que veio a ser o que se concretizou depois como a “Revolta da Chibata”.

O Exército, formado às pressas, tinha dois núcleos. 1 – Voluntários da Pátria, em grande número, foram seduzidos por apelos indiscriminados. 2 – A libertação (e engajamento) de dezenas de milhares de presos, que não resistiam à proposta. Lutariam, se morressem, seriam heróis. Se escapassem com vida, libertados, a pena seria dada como cumprida.

Na Argentina e Uruguai, processo quase igual, não houve nem “declaração de guerra”, o Paraguai se viu envolvido numa luta para a qual não contribuíra. Os três Exércitos, assessorados por oficiais da Inglaterra.

Foi uma guerra de 6 anos (1864 a 1870) com lances de crueldade extrema, insuflados pela Inglaterra, que nem imaginava que um pequeno país resistisse por tanto tempo e tão bravamente. A imprensa dos três países agressores (PARCIALÍSSIMOS), só chamava o presidente do Paraguai de ditador selvagem, colocando na conta dele tudo o que praticavam de execrável.

Na época, muitos oficiais brasileiros, do Exército e da Marinha, tentavam acabar com a guerra, protestavam contra os métodos militares e as infâmias atribuídas pelo jornais, que publicavam até fotos desairosas de Solano Lopez.

Muitas críticas foram levadas ao Duque de Caxias, então comandante das forças brasileiras. Ele se sentia desconfortável com os informes e informações que ia recebendo. (O Duque de Caxias foi general com 18 anos e marcehal com 25).

Em 1868, o Duque de Caxias deixou o comando ds forças, veio para o Brasil, com a guerra longe de acabar. Confirmou o que oficiais lhe contavam, não quis mais participar. Assumiu então o Conde D’Eu (genro do Imperador), que ficou até 1870, quando Solano Lopez foi morto e a guerra acabou.

Nunca mais haverá esclarecimento sobre essa guerra, já tentaram tirar a Inglaterra da condição de mandante, e colocar no lugar portugueses e espanhóis. Nessa época o mundo era dominado pela BIPOLARIDADE. A Espanha e Portugal mandavam mesmo.

As vastas terras das Américas, seduziam outros países. Mas se deixarmos de lado essa origem, encontraremos grandes lances de heroísmo, tanto de brasileiros quanto de paraguaios.
Fala-se muito na “Retirada da Laguna”, poucos localizam esse ato de bravura, na estranha Guerra do Paraguai. Outro momento épico, foi a batalha naval de Tuiuti, comandada pelo Almirante Barroso. Que no dia 11 de junho de 1865, antes de iniciada a luta, fez a frase incremento de suas tropas, frase muito repetida, mas também não localizada: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”. Cumpriram e venceram.

A importância dessa guerra deveria ter estimulado uma forte produção de livros. Mas os governos daqui e de lá desestimularam essas biografias.

***

PS – No dia 1 º de março de 1870, Solano Lopez foi morto, às margens de um rio inexpressivo. Com a sua morte, acabou a guerra. O Brail mobilizou quase 200 mil homens e teve 39 mil mortos.

PS2 – Apesar da origem duvidosa e da crueldade comprovada, (de todos os lados, como dizem, “guerra é guerra”), continua sendo a maior guerra da qual o Brasil participou. Mesmo a FEB só contou com 25 mil homens, com 249 mortos, praticamente menos de 1 por cento do efetivo.

PS3 – E a maioria desses mortos, vitimados nas duas batalhas de Monte Castelo. Tropas brasileiras foram dizimadas pelos alemães por causa do planejamento inteiramente errado feito pelo Tenente-Coronel Castelo Branco, mais tarde “presidente” no golpe de 1964. ( O marechal Lima Brayner, chefe do Estado Maior do Marechal Mascarenhas de Moraes, escreveu dois livros (que o Exército inteiro leu) sobre o fato.

PS4 – Essa é  única informação que não é minha. É feita t-e-x-t-u-a-l-m-e-n-t-e pelo General (depois Marechal) Floriano de Lima Brayner, chefe do Estado Maior do Marechal Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB.

PS5 – Lima Brayner conta tudo, deixa Castelo Branco chorando na presença de todos os oficiais. Isso ainda na Itália, depois, no Brasil, nem se fala. Leiam os dois livros e se estarreçam.

PS6 – Quanto à Guerra do Paraguai, completa agora 140 anos, jamais esclarecida.

Não deixem de ler amanhã:
Lula mudou completamente de estratégia.
Dizia: “Vou eleger Dilma e me retirar completamente”.
Agora: “Vou ACONSELHÁ-LA de longe”.
Em suma: ocupará o lugar da oposição.
Sensacional. E a oposição, o que fará?

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