A exploração de petróleo, como de todo o resto, precisa ser feita por empresas de capital nacional

Flávio José Bortolotto

Com o presente leilão de 142 Blocos de exploração de petróleo/gás, o ciclo do petróleo ainda está em franca expansão, mostrando que estamos ainda muito longe do tão temido “peak oil” (auge da produção), que por certos especialistas era previsto para o ano 2000, em 90 milhões barris/dia. Erraram feio, e a indústria do petróleo no Brasil e em muitos outros países está apenas começando.

Existente até o governo Geisel, o total monopólio estatal de prospecção, produção, refino, transporte, distribuição etc., exercido por uma única empresa estatal, a Petrobras SA,  não foi suficiente para a autossuficiência em petróleo, muito menos para exportar.

Começaram então os Contratos de Risco de exploração de petróleo. Com o fraco Governo FHC, se implantou a Agência Nacional do Petróleo, se leiloaram blocos em contratos de concessão, e se venderam ações preferenciais da Petrobras (sem direito a voto) no mercado internacional, capitalizando a estatal.

O bom governo Lula/José Alencar, agora continuado por Dilma/Temer.  baseou o plano de expansão da Petrobras no Pré-Sal, área onde a Petrobras instalará, nos próximos 10 anos, 20 megaplataformas de 200 mil barris/dia com toda a infra-estrutura, à base de dois megaplataformas/ano, a começar de 2013.

Lula/José Alencar determinaram que no Pré-Sal, onde inegavelmente está o grosso do petróleo brasileiro, os contratos seriam “de participação”, ou seja, a produção seria 40% da União e 60% da Petrobras (diferente dos contratos de concessão, em que todo o petróleo pertence a companhia concessionária), e Petrobras em todo o Pré-Sal teria no mínimo participação de 40% no consórcio explorador. E os melhores blocos, como os das 20 megaplataformas, seriam 100% da Petrobrás.

NACIONALIZAÇÃO

 

Além disso, Lula/José Alencar decidiram que todas as plataformas/navios sondas/ auxiliares etc., deveriam ser fabricados no Brasil e com um mínimo de 65% de nacionalização, mesmo tendo um custo inicial mais caro do que comprado pronto do Oriente. Decisão importante para desenvolver a indústria nacional, e de fato a indústria do petróleo que era de aproximadamente 3% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2002, hoje atinge 13% do PIB, e com viés de alta.

Mesmo assim, a Petrobrás não tem capital para explorar tudo no Brasil, só o seu plano de investimentos até 2020 exige quase US$ 300 bilhões, como ainda explorar também esses blocos que foram leiloados agora, apesar de que nos melhores a Petrobras ainda participa com 30%, 20%, etc?

Mas uma coisa é certa, não pode fazer tudo sozinha. Gostemos ou não do presid. Lula/José Alencar, foram corajosos ao fazer o que fizeram, porque havia pressões enormes. O governo Dilma/Temer lhe segue os passos.

Para ser perfeito, deveríamos exigir das empresas petrolíferas que participaram do Leilão de Blocos, que formassem joint-ventures com empresas brasileiras, mas não sei se assim, haveria candidatos.

A meu ver, o importante é que a exploração de petróleo, como de todo o resto, seja feito por empresas de capital majoritariamente nacional, seja estatal ou privado.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

5 thoughts on “A exploração de petróleo, como de todo o resto, precisa ser feita por empresas de capital nacional

  1. Complementando artigo acima.
    Das 30 Empresas/Consórcios que arremataram Blocos de Concessões de exploração de petróleo, fora do Pré-Sal , leiloados na semana passada pela ANP(Agência Nacional do Petróleo) por R$ 2,8 Bi ou US$ 1,4 Bi, 12 o foram por Empresas Nacionais, e 18 por Empresas Internacionais. Mas nas 18 estão incluídas a British Petroleum – BP e a francesa Total, que fizeram parceria com a Petrobras que entrou com 20 a 30%, e esses são os mais caros e promissores Blocos. Não está tão mal nossa proporção de 12 para 18, mas o ideal seria tudo por Empresas de Capital Nacional. A OGX do Sr. Eike Batista está na lista, e eu a defendo por ser Empresa de Capital Nacional. Abrs.

  2. Bacana o artigo, Sr. Bortolotto.

    Outra coisa importante é saber quantos postos de trabalho serão abertos e quantos serão carrados aos brasileiros.

    O Sr. que se mantém informado do assunto, poderia, posteriormente, estar passando estes números para nós aqui na Tribuna da Imprensa.

    É como dizes: o importante é termos o maior número de empresas com capital nacional. Pelo que o Sr. informa, teremos quase 67% das concessionárias de capital nacional. E isto, para mim, já é motivo de muita alegria.

    O Brasil merece ser feliz!

    Estamos “bombando” no estrangeiro quanto aos nossos produtos; principalmente aqueles de origem natural. Ouvi uma entrevista do dono da Alpargatas dizendo que precisamos ter mais auto-estima, pois, quando nossos produtos apresentam a inscrição – “MADE IN BRAZIL” – lá fora a procura é enorme!

    Fiquei sabendo que um par de sandálias da marca Havaiana lá na Inglaterra vale uma grana! Nossos produtos naturais, no exterior, valem ouro. Até no estrangeiro a ideia que se tem do nosso país é a de possuir imensas riquezas naturais. E, realmente, é assim!

    Temos de aproveitar tudo isso fomentando o nosso capital nacional.

  3. Acho que o que está em falta é aumentarmos nossa capacidade de refino.
    A unica empresa com parque de refino no Brasil é a Petrobras, apesar de não termos mais monopólio! Isso significa que ninguém quer ( 0u não consegue )investir
    nesse ramo no Brasil.
    Não adianta produzirmos petróleo acima de nossa capacidade de refino, pois precisaremos exportar óleo cru.
    Se aumentarmos nossa produção de óleo sem o aumento do parque industrial de refino, teremos de importar derivados, muito mais caros que o petróleo.
    Com o aumento de produção de óleo, teremos escala no refino, o que é imprescindível nessa atividade, já que as margens de lucro são baixas por unidade de produção.
    Nesse caso, poderíamos exportar derivados, o que seria mais rentável que exportarmos óleo cru!

  4. Muito obrigado aos Companheiros que me honraram com Comentários. Me permitam responder:

    Sr. Wagner Pires.
    Também fiquei contente em saber que +- 67% dos Blocos de Petróleo/Gás do último leilão da ANP, que exclui o Pré-Sal, será trabalhado por Empresas de Capital Nacional. Entre as 30 Compradoras, 12 são Nacionais, 18 Internacionais, mas nos maiores Blocos das Empresas Internacionais a Petrobras participa do Consórcio com +- 30% , 20%. O ideal seria que as outras Internacionais fizessem joint-ventures com Brasileiras. Temos que ir aumentando as Empresas de Petróleo/Gás, Nacionais. Acredito que essa retomada abrirá Emprego da ordem de dezenas de milhares, entre as Empresas de Petróleo e as Fornecedoras. O Brasil tem grande Riqueza Natural nos seus quase 9 Milhões de Km2 que herdamos de nossos Pais Portugueses, mas o grande gerador de Riquezas mesmo serão os 200 Milhões de Brasileiros, quando bem de Saúde, Educados, e livres para desenvolver seu Potencial Máximo dentro de um Regime de Economia de Mercados BEM REGULADO. CIEPS nas nossas Crianças. Abrs.

    Sr. Jorge Jerônimo Pinha Costa.
    Bem lembrado o aumento da Capacidade de Refino para agregar Valor ao Petróleo. Mas a Petrobras está com quase 70% pronta com a Refinaria de Pernambuco “Lima e Silva” para +- 400.000 barris/dia, ampliando outras das 16 que tem, e programadas mais 5, quase todas no Nordeste/Norte/Centro. Mas a prioridade agora é o Pré-Sal. E acho que agora é uma hora boa para comprar Ações de Petrobras, e quem tem deve segurar porque certamente dentro de 2 anos ou pouco mais haverá uma grande alta. Uma outra Empresa para construir uma Refinaria no Brasil, onde a Petrobras já opera 16 e é controlada pelo Governo Federal, não dá. Ninguém arrisca enfrentar o Governo Federal nesse Mercado. Abrs.

    Sr. Lopez Dieb.
    É verdade, nossa Economia tem uma taxa de Poupança +- 18% do PIB, quando no estágio de Desenvolvimento em que estamos deveríamos ter 24%, e o ideal seria +- 30% como a maioria dos Países Asiáticos, e deixemos de fora a China que opera com 45% a 50% no momento, embora deva cair ao longo do tempo, porque agora terá que desenvolver seu gigantesco Mercado Interno. A medida que a China aumentar seu Consumo Interno deverá diminuir sua Taxa de Poupança, e penso eu que seu alvo é estabilizar em +- 30% do PIB. Precisamos de Capital Externo, mas deveríamos associá-lo o máximo possível ao Capital Nacional via Joint-Ventures, etc. Sei que nem sempre é possível, mas deveríamos pressionar ao máximo. A Multi-Nacional pura faz o seu jogo, dá com uma mão e tira com a outra, e quanto mais o tempo passa mais tira, descapitalizando a Economia Nacional. Se não, não se explicaria sermos a 6 Economia do Mundo, e a 84 em Padrão de Vida. Abrs.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *