A farsa da terceirização

Carlos Chagas

Começou com Fernando Collor no palácio do Planalto, mas a grande distorção aconteceu nos oito anos de Fernando Henrique e foi continuada no governo Lula. A pretexto de diminuir o tamanho do estado, ou  imaginando reduzir despesas, os governos neoliberais começaram a contratar empresas privadas para fazer o trabalho que sempre coube  ao poder público. Foi a chamada terceirização.

Nos  ministérios, nos tribunais, na administração direta, até na presidência da República, no Congresso, nos governos estaduais e nas prefeituras,  a moda pegou. Não se contrataram mais funcionários, individualmente,  senão empresas, por coincidência a maior parte delas cujos  donos  eram  amigos,   parentes, interessados, ex-funcionários e gente ligada aos governos, mesmo sem experiência. No máximo, aconteceu a troca de tucanos por companheiros. Ou companheiros que eram tucanos  mudaram rápido, por interesse financeiro.

Para fazer serviços de segurança, de limpeza, de alimentação, de  distribuição de eletricidade, de água, telefones, computadores, merenda escolar e,  mais ainda, serviços  de publicidade, propaganda, promoção pessoal, pesquisas e até   jornalísticos,  de comunicação, o poder público “terceirizou”,  quer dizer, entregou a tarefa  a empresas privadas, celebrando com seus proprietários  contratos multimilionários, e  com uma característica: os trabalhadores, os empregados, eram e são  contratados a preços vis,   na maioria dos casos ficam meses sem receber, sob o pretexto de que as verbas não foram liberadas.  Foram, mas  para os donos.

O pior dessa história é que mesmo agora, em plena crise econômica, tudo continua igual.  Com raras exceções, os donos dessas empresas locupletam-se e os empregados comem  o pão que o diabo amassou.  

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 TRIBUNAL PARA CRIMES ECONÔMICOS
 
Funciona na Holanda um tribunal internacional para julgar crimes contra a Humanidade. De quando em quando ouve-se que um ex-ditador foi condenado, houve até um que cumpriu pena, acusado de genocídio na antiga Iugoslávia.  

Por que não viabilizar um tribunal internacional para julgar crimes econômicos? A idéia foi proposta décadas atrás pelo então senador Marcos Freire, num seminário  em Canelas, Rio Grande do Sul, sobre o “Diálogo Norte-Sul”, promovido pelo governo da Alemanha. Até Fernando Henrique, então apenas sociólogo, estava presente.

O mundo vive uma de suas piores crises econômicas dos tempos modernos. Recessão, estagnação, crescimento negativo, falências aos montes e, acima de tudo, desemprego em massa. Como essas coisas não acontecem por coincidência, fica evidente a existência de responsáveis. De culpados. Parece fácil identificá-los, como acontece nos Estados Unidos. São os especuladores, os banqueiros que jogaram com o crédito, os dirigentes de grandes empresas ávidos de locupletar-se em seus falsos lucros.

Aqui no Brasil é a mesma coisa. A crise nos pegou de jeito, conforme números divulgados há muito, mas explodindo esta semana. Serão os culpados apenas os estrangeiros? Nem pensar. Aí estão os bandidos do colarinho branco, que todo mundo conhece.

Não seria o caso, ao menos enquanto o tribunal internacional não é criado, de o Congresso aprovar um tribunal  nacional? O diabo é quando os processos chegarem à fase da identificação dos colaboradores, co-réus, incrustados na máquina pública… 

                                                     

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