A farsa do medo

Welinton Naveira e Silva

Atribue-se ao ministro da propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, a frase “uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade”. Essa idéia foi encampada pelos militares da ditadura, por conta do visível sentimento de medo e de desespero diante da possibilidade de sentarem nos bancos dos réus pelos bárbaros crimes cometidos.

Repetem o tempo todo e em todas as oportunidades o frágil argumento “revanchismo não”. Incrível invenção “jurídica”. Não bastasse a lei da “Anistia Ampla, Geral e Irrestrita”, empurrada goela abaixo da sociedade civil, pela ditadura militar.

Imaginem só os impensáveis estragos sociais se esse lema “revanchismo não” passe também a ser adotado pelas inúmeras organizações mafiosas, possuidoras de muita grana e intimidades com a justiça. Imaginem, se os criminosos de colarinho branco, igualmente poderosos e ricos, sempre presentes em todos os governos, militares e civis, também adotem a bandeira de “revanchismo não”. É muito visível a grande fragilidade dessa premissa, inconsistente e infantil. Não é por aí, senhores.

Nessa mesma linha de indignação, também não é possível acreditar que militares da ativa, principalmente os comandantes, estariam dispostos a manchar suas honras em defesa dos que cometeram as inúmeras e documentadas covardes selvagerias, hediondos crimes de torturas, sequestros, desaparecimentos, atos terroristas, assassinatos, truculenta censura aos meios de comunicação, implacáveis perseguições a quem manifestasse qualquer tipo de maior oposição ao regime militar, além de outros diversos crimes.

A verdade de Deus, por certo que não bate com as do homem, em muitas circunstâncias e acontecimentos. Sabemos disso, uns mais outros menos. Mas continuamos cometendo grandes erros por conta de nossa natureza, cultura e formação com base na maldita arrogância. Por esse pecado, muitas vezes perdemos os fundamentos dos objetivos maiores, ofuscados pelo apego as idéias de infalibilidade. Fatais em muitas circunstâncias.

Principalmente, numa hora em que o Planeta encontra-se mergulhado em perigosas turbulências, econômica, militar e social, correndo mundão a fora. As certezas de 30 ou 40 anos atrás estão sendo postas ao chão. Muita coisa deixou de ser segura como parecia ser. O mundo atravessa um período perigoso, incerto e de arriscadas mutações.

Por outro lado, a presidente Dilma Rousseff parece decidida como nunca, proceder os devidos ajustes e providências na complicada política econômica do Brasil, objetivando drástica redução da taxa Selic. Quem sabe, na faixa de 4% a 5% já seria possível obter surpreendes taxas de crescimento de nosso PIB, a mais de 8% ao ano.

Em semelhante êxito, as nossas indústrias, comércio e serviços, entrariam em plena atividade, produzindo todo o tipo de produtos, serviços e mercadorias, proporcionando pleno emprego e felicidade geral da Nação. Em estado de crescimento econômico assim, haveria todo o espaço para vertiginoso desenvolvimento científico, tecnológico e militar, do Brasil.

Diante de todas as evidências, seria muito insensato, inoportuno e louco, abandonarmos os rumos dos objetivos maiores do Brasil, simplesmente por conta dos terríveis crimes da ditadura militar, por conta da covardia de quem os cometeu, por conta dos que ainda insistem em esconder o paradeiro de muitos brasileiros desaparecidos pela ditadura militar.

Em todos os tempos e épocas, mas principalmente nos atuais, não resta outra alternativa, do tipo valente, do tipo digna e patriota, especialmente para toda a turma envolvida com o tenebroso passado, de vir a público falando em alto e bom tom, assumindo todos os equívocos praticados, principalmente, abrindo todos os arquivos escondidos, deixando tudo bem claro, para a paz geral de toda a Nação. Temos que encontrar forças para virar essa trágica página de nossa história, sem medo algum, o mais rápido possível. Errar faz parte da alma humana. Coragem, senhores.

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