A flor e a fonte inspiraram uma das poesias mais conhecidas de Vicente de Carvalho

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Poemas & Canes

O magistrado, jornalista, poltico, contista e poeta paulista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924), no poema A Flor e a Fonte, compara a tortura que a fonte imps flor com a sua vida e o que restou do seu amor.

A FLOR E A FONTE
Vicente de Carvalho

Deixa-me, fonte! Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria
Cantava, levando a flor.

Deixa-me, deixa-me, fonte!
Dizia a flor a chorar:
Eu fui nascida no monte
No me leves para o mar.

E a fonte, rpida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.

Ai, balanos do meu galho,
Balanos do bero meu;
Ai, claras gotas de orvalho
Cadas do azul do cu!

Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Rolava, levando a flor.

Adeus, sombra das ramadas,
Cantigas do rouxinol;
Ai, festa das madrugadas,
Douras do pr-do-sol;

Carcias das brisas leves
Que abrem rasges de luar
Fonte, fonte, no me leves,
No me leves para o mar!

As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor

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