A força repulsiva da natureza e a impotência e o descaso

Milton Corrêa da Costa

Chegamos a um ponto tal, com as notícias de constantes desatres ambientais e mudanças climáticas, que hoje ninguém precisa ser mais grande mestre na área de meio ambiente, em desenvolvimento sustentável ou no estudo dos seres vivos.

É fácil constatar que a emissão inconsequente e progressiva de gases poluentes, o desmatamento e a poluição de rios e mares vêm tornando a Terra, com o consequente aquecimento global provocado pelo efeito estufa, um planeta em progressivo desequilíbrio ecológico, com risco iminente, daqui pra frente, da própria sobrevivência humana e do reino animal. Isso é fato real.

Ainda que por enquanto livre de tsunamis, de grandes tornados e furacões, de permanentes tremores de terra, tipo o que destruiu no passado recente o Haiti, o Brasil é, porém, sinônimo de permanentes catástrofes ambientais, provocadas pelo excesso ou escassez de chuvas, onde o cenário em algumas regiões e cidades do país é simplesmente desolador.

O Rio Grande do Sul, por exemplo, vai decretar calamidade pública (coletiva) em todo o seu território pela falta de chuvas, onde o efeito da longa estiagem se fará sentir fortemente na produção agrícola do feijão, da soja e do milho. Santa Catarina, onde meses atrás sofreu com muitas regiões alagadas pelas chuvas, agora também sente os efeitos da seca, além do Estado do Paraná que já contabiliza os milhões de prejuízos na produção de soja.

Minas Gerais, no outro lado da moeda, tem hoje 87 municípios em situação de emergência pela intensidade das chuvas. Cataguazes está praticamente isolada e quase submersa, atingida intensamente pela cheia de dois rios que circundam a região. No Estado do Rio de Janeiro, mormente nas regiões Norte e Noroeste, cerca de 35 mil pessoas tiveram que deixar suas residências.

Alguns poucos ali permaneceram com receio ( pasmem) de serem roubados no restante dos utensílios que ainda conseguiram salvar. É ação da maldade e insensibilidade humana até em momentos de dificuldade, desolação e tristeza. É a falta absoluta de amor e compaixão de alguns ‘desumanos’ com o próximo. Vergonha e absurdo com todas as letras.

Santo Antônio de Pádua e Itaperuna sofrem fortemente com a ação devastadora do volume de chuvas. No município de Campos – é a terceira vez que ocorre desde 2007 – um trecho do KM 120 da rodovia BR-356, veio a baixo, com o rompimento de um dos diques de contenção do Rio Muriaé.

Quatro mil pessoas foram retiradas às pressas da região e há riscos de que as correntezas do rio atinjam mais cidades do município. Em Friburgo, vítima no ano passado, juntamente com parte de Teresópolis e Itaipava, da maior tragédia ambiental já vista no país, com o desabamento de encostas e deslizamento de terras – houve canalhas que se aproveitaram das verbas das enchentes para roubar -, está em situação de alerta máximo ante a sombria previsão de chuvas intensas para este final de semana na Região Serrana como também nas regiões Norte, Noroeste e Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O fenômeno La Niña vem fazendo o seu estrago e parecemos impotentes ante tamanho desequilíbrio climático. Sequer levamos, com a seriedade devida, a importância do setor de defesa civil no país. Estamos despreparados para enfrentar a força repulsiva e progressiva da natureza. A burocracia e o clientelismo na distribuição de verbas também são bastante evidentes.

A única certeza é que há hoje no Planeta Terra áreas inóspitas à sobrevivência humana e animal. Até onde irão a falta de consciência e o descaso do homem com as permanentes agressões ao meio ambiente? Até onde a natureza permanecerá em sua ação repulsiva e com que intensidade? Com a palavra os líderes mundiais e os doutos em meio ambiente que participarão da RIO + 20. O Planeta Terra pede socorro e é preciso salvá-lo com a devida urgência.

Por enquanto, tudo indica que os desastres ambientais e as mudanças climáticas prosseguirão de forma avassaladora. O homem está em alerta permanente contra a fúria da natureza em seu próprio habitat.

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