A frase e as uniões politicas da História

Pedro do Coutto

A frase do presidente Lula envolvendo a figura divina de Jesus Cristo e a de Judas, símbolo eterno de traição, para adaptar textos bíblicos apolítica de hoje, pode não ter sido das melhores, mas também não pode ser levada ao pé da letra, como parece ter colocado Dom Dimas Barbosa, secretário geral da CNBB.Foi uma citação fora de contexto, sem dúvida, mas não é motivo para uma tempestade.O perdão de Cristo não se confunde com acordos, sobretudo impossível, em face do desfecho de Jerusalém.Judas, um judeu, entregou Cristo aos romanos que ocupavam militarmente a Judéia.Sob este ângulo, inclusive, o acordo tornar-se-ia ainda mais difícil. Além da separação religiosa, a divisão política que colocou, por dinheiro, Iscariotes ao lado dos romanos.Superado este aspecto que remonta há quase dois mil anos, a história apresenta exemplos de acordos políticos que, embora parecessem improváveis, foram firmados e se tornaram realidade. O mais emblemático de todos o da união entre Churchill, Roosevelt e Stalin, diante do inimigo comum, o nazismo de Hitler, o fascismo de Mussolini, a adesão de Hiroito ao eixo que partia para tentar dominar o mundo. Na China, em meio à guerra civil, Chiam Kai Chek e Mao Tse Tung firmaram uma trégua depois de uma luta que completava mais de vinte anos, para que o país enfrentasse o Japão que ameaçava tanto os conservadores quanto os revolucionários.Lula exagerou na dose histórica. Claro,os motivos da política são próprios de uma atividade que é tanto arte quanto ciência, e, sobretudo percorre os caminhos do que se pode chamar de um curso extra legal.

Não existem esquemas rígidos.

Não se pode tratar mal os aliados, disse o próprio presidente Roosevelt quando os comunistas de Mao Tse Tung e Chou Em Lai pediram armas aos EUA para enfrentar o Japão. As armas, depois, terminariam sendo usadas, como especialistas previram, contra Chian Kai Chek e contra os próprios americanos na guerra da Coréia. Mas no momento crítico faz guerra mundial tiveram sua utilidade e consequência para reduzir a duração de um conflito que terminou marcando o lançamento da bomba atômica.

Enfim, há exemplos e mais exemplos. |Rejeitar apoios é que não é prático na política, a menos que eles produzam mais efeitos negativos do que positivos. Mas esta é outra história. Lula referiu-se à governabilidade que, por sua vez, exige maioria parlamentar. Neste ponto tem que haver realismo, porém dentro dos limites éticos, já por si flexíveis, do universo político. Governabilidade não pode significar licenciosidade e exageros. Estão havendo exageros. Mas como reage a opinião pública? Acrescentando prestigio ao presidente e às ações de governo. O que o presidente afirma é aceito, quando é a seu favor, ou ignorado quando contraria a lógica. Que dizer? A oposição não está conseguindo situar-se nesse quadro. E se ela, que tem interesse direto na sucessão não consegue, quem há de conseguir?

O enigma está colocado. É preciso decifrá-lo. Caso contrário, como na lenda, ela devora os que não a entendem. Talvez à luz dos fatos, hoje, isso não seja possível. Mas se hoje não é possível, maias dificilmente ainda amanhã. Pois à medida que se aproximam as eleições, mais intensa será a atuação do presidente da República. Ainda por cima, está vindo por aí o filme dirigido por Fábio Barreto. Pelos trailers exibidos,vai comover. Afinal um menino que enfrentou até a fome, passou dias num caminhão do Nordeste a São Paulo, chegou a ser presidente.

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