A grande dúvida agora é saber onde há mais corrupção: no Dnit ou na Conab? O irmão do líder do governo, Oscar Jucá Neto, garante que é na Conab. Façam suas apostas.

Carlos Newton

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), se diz surpreendido com as declarações do irmão, Oscar Jucá Neto, à revista “Veja”, de que o esquema de corrupção na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) é maior até do que as irregularidades no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes).

 Romero Jucá, que é um dos maiores especialistas em corrupção no país, realmente se surprendeu, mas não foi com a existência dos esquemas montados na Conab e no Dnit. A surpresa certamente deriva apenas do fato de que seu irmão resolveu trair a famiglia e contar tudo a respeito.

Seguindo o consagrado modelo adotado tantas vezes pelo ex-presidente Lula e por outras autoridades, o líder do governo alega que não sabia de nada. Romero Jucá diz que apenas indicou o irmão para a Conab e que, diante dos problemas, concordou com sua saída da empresa.

Na entrevista à “Veja”, Jucá Neto, demitido da direção da Conab depois de ser acusado de autorizar um pagamento para uma suposta empresa de fachada, denunciou que há um esquema de corrupção e desvio de recursos na companhia estatal maior do que os escândalos do Dnit. E garantiu que o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, está envolvido.

O irmão Romero, é claro, não gostou nada disso e defendeu Rossi. “Me solidarizo com o ministro. Conversei isso com o Rossi e não concordo com essa postura dele (Jucá Neto). Discordo das informações e lamento essa posição. Fui surpreendido. Estou envolvido involuntariamente e lamento. Mas o cargo de líder é de confiança da presidente” – disse Romero Jucá.

Na entrevista, Jucá Neto proclama que “na Conab só tem bandido”, acusa frontalmente o ministro da Agricultura, embora admita que não tem como provar. Segundo o denunciante, depois de demiti-lo, Rossi o teria chamado para uma conversa em que ofereceu uma compensação pela perda do cargo. Nessa conversa, o ministro teria dito que ele teria “participação em tudo”.

Jucá Neto afirma ter entendido claramente que a oferta era de propina. “O ministro sugeriu que eu pensasse na possibilidade de mudar de cargo e disse num tom de voz enigmático: fica tranquilo que você vai participar de tudo”.

Entre os casos narrados por Jucá Neto está o da empresa Caramuru Alimentos. A empresa teria uma dívida judicial de R$ 14,9 milhões, mas segundo ele, o procurador-geral da Conab, Romulo Gonçalves, lhe informou que o pagamento seria de R$ 20 milhões. A diferença, segundo Jucá Neto, seria repartida entre autoridades do ministério.

“Corrupção? Com certeza. Se eu fosse a Presidente da República demitiria todo mundo lá. Por que alguém iria majorar o valor de uma dívida para beneficiar uma empresa?” disse Jucá Neto à revista.

Por meio de sua assessoria, o ministro Wagner Rossi, que também não sabia de nada, divulgou uma nota repudiando todas as afirmações de Jucá Neto, que segundo ele são falsas. Rossi garante que nenhum acordo extrajudicial entre o ministério ou a Conab com empresas privadas foi aprovado durante sua gestão.

Vejam a que ponto chegou a política brasileira. Um líder da importância de Romero Jucá, que há mais de 16 anos representa o governo no Senado (primeiro, FHC, 8 anos; depois Lula, mais 8 anos; e agora, Dilma, sete meses), não pode confiar nem mesmo no irmão. E desse jeito não se pode mais fazer negócios com tranquilidade.

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