A grande farsa continua

Carlos Chagas

Presumindo-se que nenhuma reforma política ou eleitoral de vulto  venha a ser aprovada no Congresso até  outubro, e há quem preveja muitos outubros, não apenas o próximo, a conclusão é de que as eleições municipais do ano que vem transcorrerão conforme as regras atuais do jogo.  Resultado: continuarão ilimitadas as contribuições  do empresariado para candidatos e partidos; o caixa dois  seguirá incólume engre as candidaturas; permanecerão as coligações partidárias; lançarão candidatos os partidos de aluguel para negociar apoio nos segundos turnos;   entre os candidatos a vereador prevalecerá o “cada um por si e Deus por todos”.                                                        

Nada vai mudar, ou seja, em especial nas grandes cidades, onde se multiplicam obras públicas de toda espécie, as empreiteiras estarão atentas para colaborar com os possíveis eleitos e, depois, reclamarem sua  parte nos contratos, sinecuras  e superfaturamentos. Os partidos menores cobrarão participação nas administrações, na base do fisiologismo. Os vereadores, em maioria, assumirão desvinculados de compromissos partidários, estabelecendo canais diretos e perigosos com os prefeitos.                                                        

O ensaio geral do próximo ano faz prever a repetição  dos mesmos vícios nas eleições gerais de 2014. Ao Congresso, que poderia alterar o quadro, interessa que ele permaneça. E aos partidos, também. A grande farsa continua, mesmo sob debates e discussões a respeito da reforma político-eleitoral.

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AS ARMAS, DE ONDE VIERAM?                                                         

Para não dizer que as lambanças se restringem ao  Brasil, vale olhar para fora e verificar  o que acontece na Líbia.  As telinhas estão repletas de imagens mostrando o avanço e a vitoria dos rebeldes. Não dá para ignorar o armamento sofisticado que eles  utilizam. Obuses, quer dizer, canhões, de útima geração, podem ser vistos vomitando petardos sucessivos. Manobrando-os estao cidadãos sem farda, mas armados com submetralhadoras modernas. Mesmo ficando em terra,  abstraindo-se  os mísseis e foguetes lançados pela Otan, a pergunta que se faz é como  esses  dissidentes  conseguiram  recursos para adquirir armamento de primeira linha? E de onde vieram os canhões, as metralhadoras e os veículos de  transporte, se na Líbia não há produção nem indústria bélica?

Claro que tudo provém  dos países empenhados em afastar o ditador Kadaffi. Se forem examinadas com lupa, as fotografias mostrarão, entre os amotinados,  certas figuras também em trajes civís,  mas sem semelhança com com  a massa rebelada. São os instrutores, eufemismo para designar oficiais e  técnicos americanos, ingleses, italianos e franceses, encarregados de conduzir a guerra. No fundo, os contratos de petróleo. 

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TEM MAIS GENTE                                                        

Mário Negromonte, das Cidades, e Pedro Novais, do Turismo, não são os únicos que começam  a esvaziar  gavetas,  aguardando  o fim do ano com resignação. No Congresso, admite-se que  mais seis ministros encontram-se na linha de tiro da reforma ministerial. Fulanizá-los seria maldade e até correr o risco de referências a quem não merece, ou  omissõs de quem merece. A impressão é de que 2012 começará sob nova direção em  oito ou mais  ministérios.

Nos partidos da base oficial, responsáveis por muitas indicações, o clima não é de pânico,  mas de expectativa:  a promessa é de que  manterão os   ministérios, mesmo precisando indicar  gente de maior competência.

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A VERDADEIRA CAUSA                                                        

As sucessivas escaramuças verificadas entre PMDB e PT transcendem a  votação  de projetos de interesse do governo, na Câmara.  No fundo está a futura eleição para a presidência da casa, que deve ser  decidida  em meados do próximo ano,  mas já envolve cálculos e ambições. Pelas regras anteriores, o cargo passaria ao PMDB, já que o atual presidente é do PT. Esse troca-troca na dependência, é claro, de haver a mesma alternância no Senado, onde o PMDB deu o presidente e o PT aguarda a vez.                                                        

O  problema é que José Sarney tem direito a mais um biênio, no caso de 2013-2014, sendo o PMDB amplamente majoritário entre os senadores. Se o partido não quiser entregar a presidência ao PT, a reação virá da Câmara, que também não entregará a dele, mesmo com parte dos  companheiros inclinados a  substituir Marco Maia.                                                        

No PMDB,   o candidato antes selecionado por seus deputados era Henrique Eduardo Alves, atual líder. Como ele tem  criado sucessivos casos com o palácio do Planalto e até com a presidente Dilma, é possível que os dissidentes da bancada optem por outro candidato tirado de sua cúpula. Em suma, pacificação, só depois de solucionada essa dúvida.

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