A greve para escapar da greve

Carlos Chagas 

Ontem, quinta-feira, não houve sessão  na Câmara,  por decisão do presidente  Marco Maia.  Motivo: para que os deputados pudessem  viajar anteontem, quarta-feira, para seus estados. Explicação: os aeroportuários de Brasília e São Paulo anunciaram greve para ontem. Não passou pela cabeça de ninguém ser a capital federal  o domicílio de Suas Excelências. Permanecendo aqui, cumpririam suas obrigações, que já não cumprem às quintas-feiras, quanto mais nas sextas. Escafedendo-se um dia antes,  demonstraram ser Brasília mera estação de muda ou de  passagem.

Faz pouco terminaram as greves dos bancários  e dos funcionários dos Correios. Por mais de vinte dias a população ficou sem poder pagar suas contas ou retirar dinheiro para despesas. Não conseguiu expedir ou  receber correspondência. Mesmo na paralisação dos aeroportuários, muita  gente está  deixando  de viajar ou viajando precariamente. Por que apenas os deputados recebem o privilégio de folga antecipada para escapar dos percalços? Ainda mais quando seu local de trabalho é aqui, não nos estados? É a greve para escapar da greve.

Parece característica dos tempos atuais a complacência. O jeitinho que cada um encontra para fugir de seus deveres. Mas é demais estender  a permissividade a toda uma categoria. Ainda chegará a presidir a Câmara dos Deputados quem se disponha a cortar o ponto e os vencimentos de quantos se  ausentem da sede, sem motivo justo.�
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POR QUE NÃO ANTECIPAR?

Encaçapado já está o ministro dos Esportes, Orlando Silva, indagando-se então quem será a bola da vez. A pergunta que se faz é porque a presidente Dilma não decide antecipar a reforma prevista para janeiro e substitui logo auxiliares em situação precária? Não parece difícil identificar os ministérios onde os partidos dividem recursos públicos  com ONGs fajutas ou com  empreiteiras safadas. Se a Abin não sabe, a CGU está careca de saber. Importa menos se o PT poderá ser atingido, como está sendo o PC do B e já foram o PR e o PMDB.  Essa faxina a conta-gotas é melhor do que nada, mas desgasta profundamente o governo.

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REAÇÃO A TEMPO

Prevista para dezembro, começa  a mudar de rumo a tendência da  consulta que a Justiça Eleitoral promoverá  no Pará para saber se seus habitantes querem dividir o estado  em três ou preserva-lo unido. Pela extensão das duas novas unidades, Tapajós e Carajás, supunha-se que a maioria dos paraenses optasse pela divisão. Parece que não, menos porque a região que sobraria, já chamada de Parazinho, é a mais densamente habitada, mais porque até nas outras duas o bom senso prevalece. As despesas seriam imensas para a criação de mais dois governos federados, com Assembléias Legislativas, Tribunais de Contas, Tribunais de Justiça, três senadores e oito  deputados federais cada, além de investimentos em duas novas capitais. Apesar de a maioria dos recursos vir a cair na responsabilidade de Brasília, muito sacrifício local seria exigido. Em favor da partilha estão os políticos, é  lógico, mas até por isso a maioria do eleitorado   vem reagindo.

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E NERO PÔS FOGO EM ROMA…

No auge da disputa pelo voto dos integrantes do Colégio Eleitoral, em 1984, Paulo Maluf agrediu Tancredo Neves, dizendo que o Brasil não poderia correr o risco de ser governado por um velhinho. Com 75 anos, Tancredo respondeu lembrando que Winston Churchill salvara a Inglaterra com 70, e Konrad Adenauer recuperara a Alemanha com 78. E completou: “Nero, no entanto, tinha 25 anos quando incendiou Roma…”

A historinha se apresenta  a propósito de recente reunião de integrantes do Grande Tucanato, em São Paulo. Quem a contou?  Fernando Henrique Cardoso…

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